Chá e Cadernos

Publicado em: 06/06/2019

Mauri Paroni de Castro é diretor, dramaturgo e crítico teatral. Fez cursos de graduação na Faculdade de Direito, na Escola de Comunicação e Artes e na Faculdade de Filosofia da Universidade de São Paulo. Depois, residiu em Milão, na Itália, por 15 anos, sendo formado pela Scuola D’Arte Drammatica Piccolo Teatro di Milano, hoje conhecida apenas como Paolo Grassi. Foi professor residente da instituição entre 1985 e 1999. Dirigiu mais de 30 espetáculos na Itália, no Reino Unido e no Brasil. Foi colaborador do jornal Folha de S. Paulo. É coordenador da Biblioteca da SP Escola de Teatro e autor de “Aqui Ninguém É Inocente”, livro sobre os métodos de dramaturgia que empregou em sua companhia Atelier de Manufactura Suspeita.

 

Infância, Rebeldia, Teatro: Passagens
O teatro – ao ser um conjunto de diferentes significantes e significados que materializam a execução de um evento ao vivo diante do espectador (não necessariamente para este) – inclui as artes por meio do quais é representado.

Leia outros textos da coluna:

>> Em qual revolução estamos agora? (Pier Paolo Pasolini)
Pier Paolo Pasolini (*), assassinado brutalmente pelas mãos de um garoto de programa em 2 de novembro de 1975, em Ostia, como reza oficialmente a mal realizada investigação do Estado Italiano – Provavelmente auxiliado por militantes fascistas.

>> Vetusta Contemporaneidade
As maiores falácias que vi no teatro – para citar um exemplo em relação a Shakespeare – aconteceram quando ressaltou-se a sua “atualidade” e a sua “contemporaneidade”.

>> A Idade do Desafio
Todos envelheceremos se tivermos a sorte de não morrer antes. Não há exceção. Portanto erramos em remover a velhice de nosso horizonte.

>> Traduzir a dramaturgia: encenar Luigi Pirandello
O italiano Luigi Pirandello  (1867-1936) é um emblema do século XX: depois de publicar novelas e romances recebidos discretamente, cria peças idênticas e vira o dramaturgo mais famoso do século.

>> Visões, assassinatos, dores e política dentro de um corpo desviante
A elaboração de uma visão pessoal sobre corpos desviantes e arte não pode que começar com o fato de, por ser artista, necessitar desta escola, estética ou de pensamento: ser obrigado a estar no mundo num corpo desviante, faz o indivíduo jamais deixar de ser um aprendiz.

>> Especulação, nomes, dramaturgia e ironia para um fim de ano feliz
A risco de sermos rústicos: para gente de teatro, o pensamento marxista não pode se colocar numa dimensão puramente filosófica, sociológica ou econômica.

>> Performance Homérica
Narrar é performar e vice-versa: não é possível distinguir performance de narração enquanto categorias. Tal visão é particular da formação à antiga do colunista – que não necessariamente é anti-contemporânea.

>> Dramaturgo, dramaturg, dramaturgista
Termos usados com imprecisão em generalizações de âmbito técnico ganham tradução e definições que refletem a  natureza de cada denominação.

>> Dever ou Poder
“Devemos”, “temos que”, “o correto é” são expressões da despauperização valorativa em curso na sociedade contemporânea que podem – não “devem” – ser evitadas no pensamento de qualquer artista intencionado a construir uma cultura de liberdade.

>> De eloquentes radicalismos expostos
Todo espetáculo transformador traz um segredo estruturado esteticamente pela sua exposição pública.

>> O sonho é descalço…
Na cozinha ocorrem as melhores conversas. É ali que recebemos os amigos mais próximos. A cozinha é parte do universo informal. As censuras são amortecidas na informalidade, ao contrário do que ocorre na sala de estar. A boa conversa é descalça.

>> Dois recados para evitar pesadelos
Infelizmente, o povo italiano, se deve escolher entre o dever e a vantagem, mesmo sabendo qual seria o seu dever, escolhe sempre a vantagem.

>> No teatro, corpo e mente são como ator e público: coincidem
Há aspectos psicológicos de nossa realidade jamais tocados pela dramaturgia por não possuírem uma forma teatralmente adequada. É o território virgem da dissolução de toda e qualquer relação afetiva nos grandes centros urbanos.

 

A seção Chá e Cadernos substituiu a coluna Papo com Paroni, que integrava um projeto de produção de cultural de conversações e artigos elaborado por Mauri Paroni, na Biblioteca da SP Escola de Teatro. Para ler os artigos anteriormente publicados na coluna, clique aqui.




 

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