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Tempo, fabulação, verdade histórica – tradição e transgressão

Publicado em: 19/01/2022

Chá e Cadernos 100.73
Mauri Paroni

Iniciemos com uma frase dos anais de Tácito, romano, – quer dizer mediterrâneo, quer dizer, metade africano, metade europeu do sul, do oriente e do ocidente. Publius Cornelius Tacitus, também referido como Gaius Cornelius Tacitus : “Todas as coisas que agora se acredita serem antigas já foram novas.” [Omnia quae nunc vetustissima creduntur, nova fuere.]

A frase tem muito a ver com tradição, transgressão, critérios de verdades e fatos destes, a indução de suas consequências para narradores e performáticos. Estimulam a capacidade crítica. Ao ler a frase, Jose Carlos Serroni, cenógrafo e arquiteto coordenador de dois cursos regulares desta SP Escola de Teatro, comentou a questão. Isso estimulou-me as especulações que seguem. Vou construí-las sobre a palavra escrita e algumas memorias, que é o que acesso diariamente neste momento de pandemia.

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Para reforçar o poder da Igreja no mundo secular, espalhou-se, entre tantas lendas, que, se declamasse o primeiro versículo do Salmo 50 da Bíblia, o condenado à morte poderia ser perdoado in ultimis. “Tem piedade de mim, ó Deus, de acordo com tua misericórdia; em tua grande bondade, apaga meu pecado”. Não era difícil provar a conexão: se soubesse ler e traduzir do latim, o acusado teria vínculos com a comunidade eclesiástica; teria o direito de invocar “a imunidade judicial do clero” que o isentava da pena máxima. Aqueles que não sabiam ler (a maioria) contornariam o obstáculo aprendendo o verso de cor, popularmente chamado de “verso da forca”. Não é de pouco valor lembrar que, excetuadas religiosas ou casadas, as mulheres não tinham tal privilégio eclesiástico. Pertencer ao andar de cima traz, desde sempre, impunidade legal. Mulheres e analfabetas não estavam no andar de cima. Morriam e basta.

Esta é uma inflexão de pensamento crítico – feita a checagem e estudo de leis, documentos históricos ou exegeses de sábios das sociedades de saber oral. Que se afirme aqui: contrariamente à picaretagem olavista, a tradição mediterrânea transgrediu um mundo preexistente baseado na repetição ilógica de tudo o que existia, transcendental, embutida nela mesma; propôs a idéia nova de um tempo progressivo, de melhora, de chegada a algum lugar na caminhada de seres no tempo. Uma trajetória ascendente, reta ou espiral, ambas com objetivos. Desconstruiu uma tradição cíclica que justificava a desigualdade entre seres, a desimportância destes, a crença fundamentalista nas hierarquias eternas, a reconstrução de impossíveis e jamais existidas idades do ouro ou destinos imutáveis. Propôs uma construção valorativa e estrutural da universalidade da democracia e da justiça social.

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Tome-se, como exemplo, a obra artística abaixo reproduzida que, como tantas outras, narra uma situação real sem pretensão fotográfica. Ao mesmo tempo, enseja credibilidade não necessariamente pela militância social de seu autor. Entretanto, o seu testemunho leva necessariamente a uma crítica ou a uma reparação reconhecedora do trabalho e de quem trabalha.

Gustave Caillebotte, “Os aplainadores de assoalho” (Les raboteurs de parquet), 1875, óleo sobre tela, museu d’Orsay, Paris

Esta é uma obra acadêmica, impressionista e naturalista ao mesmo tempo. Não foi só ali, mas ideia de progressão histórica organizada pela mistura de racionalidade e religiosidade paralelas encontrou terra muito fértil na Bacia Mediterrânea – insisto: metade de suas costas são a África, outra metade está a ocidente; outra, ainda, está a oriente da península itálica. Nelas, há uma mobilidade social acima de regras rígidas, acima de uma transcendência, em favor da lealdade dos iguais sobre vínculos de nascimento, sangue, famílias e patrimônios. Há diferenças entre estória = narração fictícia e história = ciência ou narração organizada da realidade factual. Há uma fabulação histórica de senso artístico – o que nos interessa particularmente. Pluralista, pode muito bem ser uma coreografia, uma imagem pictórica, um samba enredo, uma versão, um sonho, uma verdade bíblica, uma iconoclastia, um sutra, um ebó, uma performance, um romance em meio à Revolução Francesa; ou mesmo uma carta sobre a chegada dos portugueses a Bahia. Livre de preconcepções. Crítica.

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Para transformar em saber o que as evidências históricas realmente nos contam, é preciso pensar através do raciocínio abstrato – que nasce da leitura profunda. Não nasce da leitura superficial, comumente feita na telinha dos telefones.

Preconcepção é diferente de preconceito. Peço que se deixe de lado o que seja crença em favor de convicção; esta é de alçada do historiador, dos fatos, ainda que fabulados. Menos da alçada do militante, ainda que este que escreve os considere fundamentais. Com isso, não abandono a abordagem crítica; senão nem poderia escrever ou raciocinar com estes artigos que formam a essência projetual dos artigos do Chá e Cadernos.

Peço vênia para fazer uma redução neta e abrupta – não sou o mestre Stanley Kubrick de 2001, Uma Odisseia no Espaço, que num só corte sintetizou ao menos 80.000 anos. Mas, inspirado por aquele corte, restrinjo-me a lembrar a passagem das pinturas rupestres do paleolítico superior ao inferior (da pedra lascada para a pedra polida), e dali para os primeiros hieróglifos – isso se deu em poucos milhares de anos. Isso equivale a um segundo, ou menos, diante da teoria da seleção natural elaborada pelo naturalista Charles Darwin (1809-1882) – hoje, exaustivamente mal formulada por neofundamentalistas da Bíblia, os quais transformam, desonestamente, uma questão religiosa de foro íntimo em falsa ciência. Aqueles hieróglifos primitivos contam histórias, colheitas, guerras; criaram a linguagem escrita, coisa que nosso cérebro processa de maneira relativamente recente. Há o condicionamento contemporâneo, via telas, da leitura superficial meramente informativa. Ao contrário, a leitura profunda, de caráter formativo, é articulada por significados mais complexos – e completos. Do ponto de vista do poder e do domínio, fica fácil deduzir e perceber as estamos diante da história e da geografia política; isso dotou a noção instrumental de civilização a grupos humanoides, diferentes de demais grupos de animais que habitam a Terra.

Por isso há a leitura profunda, a pesquisa, e, sobretudo, o pensamento crítico; este se encontra, por exemplo, na Universidade ou nas escolas institucionais; todo estado minimamente justo as mantém e, não menos fundamental, provê acesso social a elas.

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Muitos progressos importantes são ignorados e atirados à vala de um suposto passado inconveniente. A pesquisa que se tenta realizar despida de crenças a priori, incluído o que nos motiva, sempre traz resultados surpreendentes. Um pintor fundamental para o Brasil disso nos deu um exemplo eloquente:

“A arte não pode parar. Modifica-se permanentemente. Agrada agora o que antes era detestado. Isto é evolução e não é possível fugir dos seus efeitos. O homem não para. Vai sempre adiante. Os futuristas, os cubistas, são todos expressões respeitáveis, artistas que tateiam, procurando alguma coisa que ainda não alcançaram. Eles agitam, sacodem, renovam. São dignos, por conseguinte, de toda admiração”.

Quem foi o artista revolucionário que disse isso? Um quebrador de paradigmas? Nem tanto. Foi o “academicista” figurativo, “reaça” e tudo o mais que descolados dizem e disseram dele, Eliseu Visconti (1866-1944) https://eliseuvisconti.com.br/catalogo/. Com importantes obras expostas na Pinacoteca do Estado, pode ser um instrumento de pesquisa artística seriamente anticonvencional, sim, quando o preconceito não obnubila a mente que comanda a digitação convulsionada nos phones.

Obras de Eliseu Visconti
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Tive a sorte de encontrar o polonês Tadeusz Kantor (1915-1989). (ver aqui: https://www.spescoladeteatro.org.br/noticia/papo-com-paroni-meu-encontro-com-tadeusz-kantor e aqui: https://www.spescoladeteatro.org.br/noticia/papo-com-paroni-lembranca-de-kantor ). O crítico e historiador Renato Palazzi (1948-2022) fazia uma sua primeira experiência/transgressão de papéis no teatro. Convidado por Tadeusz, caminhava em meio ao seu espetáculo, sempre em sua filosofia do acontecer diante e não para o publico. Era tradição e transgressão ao mesmo tempo, coisa da genialidade de Kantor. Palazzi obviamente não sabia “falar” ou “estar em cena” como previa a tradição, sobretudo no espaço onde se estava criando o espetáculo, o teatro Litta, que era a sala de espetáculos privada da elite nobre milanesa de antes da revolução burguesa (século XVIII). Ele era um crítico, certo? Kantor o pôs como sempre o viu: um voyeur. Porque o espetáculo narrava uma crise e, curso entre Kantor e sua namorada, bem mais jovem fisicamente que ele. Isso era o que via quem estava ali. Para o publico geral, até hoje, a história oficial – e também verdadeira – era uma visitação da obra simbolista do belga Maurice Maeterlink (1862-1949), A morte de Tintagiles La Mort de Tintagiles, de1894. Quer dizer: dentro do palco havia um crítico “espiando” a mise em scene de Kantor. Duas realidades sobrepostas, coincidentes, uma dialética surrealista e paradoxal muito distante da oposição sintética e binaria hegeliana/marxista. Ao mesmo tempo, iconoclasta, transgressiva e respeitosamente convencional. Tudo ali era duplo. Tadeusz sofria realmente – e se queixava – de seu envelhecimento físico em contraste com a juventude do amor. Construtivista, chamou aquilo de “A Máquina do amor e da Morte”. Em sua obra gigantesca de palco, o espetáculo foi pouco notado. No afã de não perder a oportunidade daquela presença, para ser franco, diante da malandragem de seus produtores italianos, apresentei-me como um inexperiente técnico de som que… custava menos. Fui admitido. Depois de dois dias, ao primeiro erro, fui merecidamente demitido aos berros. Era um diretor recém diplomado, um voyeur de duas histórias. Foi um ótimo jeito de aprender muito.
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Em 1981, cursando Direito na Universidade de São Paulo, fiz parte do departamento cultural do Centro Acadêmico 11 de Agosto (A nossa designer Adriana Vaz, artista com história, estava lá). Participei de uma tendência de política estudantil de esquerda libertária e critica não somente de qualquer direita autoritária, mas também do centralismo democrático de inspiração leninista que praticava a liderança das “massas revolucionárias” [sic]. Contestávamos qualquer concentração de poder. Éramos, por isso, queridinhos de figurões como Celso Lafer, Francisco Weffort, José Carlos Dias, Márcio Tomás Bastos, José Eduardo Faria, Tercio Sampaio Ferraz, Modesto Carvalhosa, Fabio Konder Comparato. O presidente do Centro Acadêmico era um futuro político, que tomou parte do governo estadual de Franco Montoro, Mario Menucci, infelizmente falecido jovem. Havia fortes influências diretas da cultura para uma política do corpo (voltava do exilio Fernando Gabeira), de um futuro editor e dramaturgo Otavio Frias Filho; a ditadura militar estava em derrocada final; a greve dos metalúrgicos liderada por Lula fundeava a criação do PT; do retornaram do exilio de Paulo Freire, Fernando Henrique Cardoso, Darcy Ribeiro, José Serra, Miguel Arraes, José Dirceu, Joāo Agripino Doria, Leonel Brizola; o movimento Diretas Já acendia os seus motores. Um jovem Fernando Haddad era nosso calouro.

Enfim, conseguimos trazer nada menos que Joan Baez, que tocou no pátio da escola. Entrou com visto de turista. Muito nos ajudou o contato, a inteligência e a habilidade de uma colega, Quelita Moreno, somados ao prestígio de Suzana Sampaio, uma senhora bem alocada socialmente, do Partidão (PC) histórico, doutorada em História na Universidade de Glasgow. A diretora Cultural do Centro Acadêmico era Taís Gasparian. O evento foi batizado de “Bote pra Fora”. Éramos chamados de “esquerda maconheira” ou “social-democracia” [sic]. Sem termos combinado, muitos de nós comemoramos o sucesso daquela alegre subversão musical com uma pendura – “burguesa” (sic) num restaurante esnobe gerido por um sedizente empresário que escravizava garçons chilenos fugitivos das mãos longas da ditadura sanguinária do General Augusto Pinochet. Um embriagado Dick Farney em final de carreira cantava aos clientes. Apresentada a imensa conta final – todos os clientes presentes àquela hora, “burgueses” e “revolucionários”, eram estudantes -, foi anunciado o calote. O gestor trancou o salão e exibiu um 38 destravado na cintura. Cárcere privado. Uma estudante, do lado de fora do restaurante, chamou a polícia, que nos “libertou” e nos escoltou até o distrito policial, que servia de fachada para um cárcere de tortura – qualquer distrito mantinha um desses cárceres em seus fundos. Durante broncas e ameaças, um certo colega chamado Fabio ainda tirou uma do delegado. Um certo Antonio passou mal e alegou devolver o fruto da contravenção. Um outro colega chamado Otavio trombou com uma viatura, danificando-a. Convenci os seus furiosos policiais – intimidados pela nossa aparência burguesa – a não prenderem de novo quem acaba de ser libertado duas vezes. Sempre duas vezes.

Voltemos ao show transgressivo da Joan Baez. Tensão a mil, subi ao pequeno palco do pátio, pois havia programado uma intervenção teatral a partir de um texto surrealista. Não havia concretizado qualquer intervenção. Nada. Algum silencio. Muito desconcerto. Portando uma faixa de luto no braço esquerdo, consternado, anunciei que o autor e diretor da intervenção, Breno de Paronis (o pseudônimo com que assinava poemas-imprecações iconoclastas que, mimeografados, propinava a pouquíssimas pessoas “descoladas” da faculdade) falecera repentina e misteriosamente, horas antes, encaminhando-se à faculdade.

Políticos e militantes estudantis – convencioais – ficaram alarmados. Quem era o diretor? Na certa era coisa feita de esquadristas tipo CCC (Comando de Caça aos Comunistas). Ironicamente, algo parecido havia sido tentado na eleição do Centro Acadêmico do ano anterior: eu estava entre os malucos que caminhavam na platibanda circular sob o relógio do terceiro andar, para fixar uma imensa faixa de nossa chapa eleitoral; os chamados mongos do Mackenzie tentaram nos empurrar do alto do relógio – talvez fossem os mesmos que incendiavam bancas jornais distribuidoras de periódicos trotskistas e leninistas – jamais se investigou – jamais se provou – jamais se quis provar. Aqueles mongos trilharam o mesmo iter das atuais fake news – mudaram-se da platibanda da São Francisco para a internet.

Quem sabia quem era Breno de Paronis riu do anúncio da morte misteriosa daquele diretor. As demais pessoas se indignaram – houve um princípio de tumulto, logo sedado por quem advertiu que aquela era a intervenção. Jamais havia imaginado tal resultado. Anos mais tarde, percebi pessoalmente de um lado a impossibilidade de se fingir a morte real – ritos religiosos, percursos ancestrais, circo, Qorpo Santo (1829-1883), Pirandello (1867-1936 e, de outro lado, a importância do que se informa a partir de um espaço cênico – Ibsen (1828-1906). Isso, para os narradores; Foi minha primeira experiência performativa. Isso, para os performáticos.

Pensei que isso fizesse parte de um passado datado. Mas vejo muita confusão ocorrer de novo nas redes sociais fakes na impunidade toxica de Facebook, Tik Tok, Instagram e outras mídias digitais. Vejo também que, muito antes de qualquer teoria, o artista em que nos transformamos será sempre aquele que fará coincidir o tradicional e a transgressão, sem calcular, sem forçar, mas pelo percurso traçado. Este é um bom critério para se medir a qualidade do trabalho realizado. um critério crítico. Não sugiro regra ou método, muito menos uma teoria (completa); é apenas uma especulação e uma dica para estudantes.

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Uma última especulação nestes primeiros dias do ano: esta citação retirada de um artigo de Felipe Moura Brasil, do francês Michel de Montaigne (1533-1592):

“Se, como a verdade, a mentira tivesse apenas um rosto, estaríamos em melhores termos, pois tomaríamos como certo o oposto do que dissesse o mentiroso”, ponderava Montaigne há mais de 440 anos, quando nem sequer existiam redes sociais para turbinar o problema. “Mas o reverso da verdade tem cem mil formas e um campo indefinido.”

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Estas elucubrações, inspiradas por lides eletrônicas, são uma tentativa do acesso a uma criação de saber artístico possível para qualquer leitor(a,o,e) dos artigos deste Chá e Cadernos. São mais de uma centena, beiram o milhar de páginas. Pretendem, também, estimular um caminho de leituras feitas majoritariamente de teatro, sobre o teatro e sobre o que sobra do teatro: o futuro. Também é importante diferenciar a leitura profunda, que elabora inferências e alegorias no pensamento abstrato, da leitura superficial e desatenta dos “telefones”. Aqui estamos do lado profundo – coisa oposta à falta de raciocino. Por favor, perdoem-me a “caretice”. Big brother e marketagem cultural não estão aqui: apesar da simplicidade pouco acadêmica. Para cada frase, cada entrelinha, há anos de leitura, pesquisa, diálogos com gente de tudo quanto é classe social, nível cultural e raça; gente de enorme diversidade e alteridade conhecida em anos de deslocamentos e atividades profissionais com quem tive o privilégio de me relacionar. A pandemia e seu isolamento acabaram por ser um fermento para isso. Ler estes artigos é, enfim, distanciar-se do mau colorido imposto e degradado pelo mau emprego das telas do fake.

Fontes principais:

Happy Birthday to Joan Baez
https://twitter.com/dusttoodigital/status/1480189456288301056?t=xfDys4WrBKRyBy8sK9GY4w&s=08

https://eliseuvisconti.com.br/
https://eliseuvisconti.com.br/catalogo/

Michael Marrinan, Caillebotte as Professional Painter: From Studio to the Public Eye, in Gustave Caillebotte and the Fashioning of Identity in Impressionist Paris, Rutgers University Press, 2002

HENI OZI CUKIER (PROFESSOR HOC) – INTELIGÊNCIA LTDA. PODCAST #245
https://www.youtube.com/watch?v=Fl3EBaZ7hOA

Qoepo Santo
https://gauchazh.clicrbs.com.br/cultura-e-lazer/noticia/2013/11/morto-ha-130-anos-o-escritor-qorpo-santo-continua-sendo-um-nome-a-ser-descoberto-4335955.html

Felipe Maura Brasil/Montaigne
https://noticias.uol.com.br/colunas/felipe-moura-brasil/2022/01/09/barra-torres-confrontou-bolsonaro-com-principios-morais-e-cristaos.htm?cmpid=copiaecola

Wikipedia; Enciclopedia Britannica;

Leitura profunda e mídia digital BBC news
https://www.youtube.com/watch?v=OIRdWcfcZE4