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Dione Carlos, artista egressa da SP, é indicada ao Prêmio APCA 2022 na categoria dramaturgia

Foto: Weslei Barba.

No último dia 27 de julho, a APCA (Associação Paulista de Críticos de Artes) escolheu e divulgou os indicados ao Prêmio APCA na categoria Teatro do primeiro semestre de 2022. Foram 15 os nomes que adentraram a lista e que, no futuro, se juntarão aos escolhidos do segundo semestre de 2022 para concorrerem ao prêmio final e definitivo. Dentre esses, se destaca o da atriz, autora, roteirista e curadora Dione Carlos, artista egressa que fez parte da primeira turma de dramaturgia da SP Escola de Teatro. Ela foi indicada pelo seu trabalho no espetáculo CÁRCERE ou Porque as Mulheres Viram Búfalos, que trata do encarceramento em massa sob a perspectiva feminina.

O Prêmio APCA possui cinco categorias distribuídas entre: Dramaturgia, Direção, Atriz, Ator e Espetáculo. Dentre os críticos que participaram da seleção estão Marcio Aquiles, coordenador de Projetos Internacionais da SP Escola de Teatro, e Miguel Arcanjo, coordenador de Extensão Cultural e Projetos Especiais na Instituição. Juntam-se a eles Celso Curi, Edgar Olímpio de Souza, Evaristo Martins de Azevedo, Ferdinando Martins, Gabriela Melão, José Cetra, Kyra Piscitelli e Vinicio Angelici.

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A APCA é a mais tradicional instituição de críticos de arte do país, fundada em 1956, e atualmente com mais de 60 anos de atuação no meio cultural e artístico. Em entrevista dada à equipe de comunicação da SP, Dione falou detalhes de sua indicação e a importância  para um prêmio tão importante na cena cultural brasileira:

“Fiquei honrada com a indicação, a primeira ao APCA. Sem dúvida, trata-se de um dos prêmios mais importantes das Artes no Brasil. Para mim, ela chega em um momento no qual consigo olhar para trás e percorrer minha trajetória com gratidão e amor, mas ciente dos desafios. Ainda não sei qual será o impacto disso na minha vida. Sigo escrevendo, trabalhando.”

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A artista foi indicada pelo texto da peça CÁRCERE ou Porque as Mulheres Viram Búfalos, espetáculo que leva o público a conhecer a trajetória de duas irmãs, Maria das Dores e Maria dos Prazeres. Em seu relato, a atriz explicou a temática da peça e revelou que, na narrativa, as personagens vivem dilemas e desenvolvem estratégias para viver após a prisão de seus familiares:

“A peça fala sobre como as mulheres, desde sempre, se configuram como pilares fundamentais de suas famílias, atuando em muitas frentes e em vários papéis e situações, inclusive nos casos de parentes detidos.”

Foto: Weslei Barba.

Dione pontua que a história traz marcadamente um ponto de vista:

“Recontamos a história do modo como gostaríamos que ela acontecesse, sem cabeças decapitadas em rebeliões, sem prisões injustas, sem mulheres e crianças nas portas das cadeias. Um bando unido capaz de fortalecer seus membros.”

A atriz fala que a trama se desenvolve com a chegada do Orixá Iansã ao Brasil sob a forma humana de uma menina, dentro de um navio negreiro. Séculos depois, duas irmãs gêmeas, Maria das Dores e Maria dos Prazeres, ambas filhas de Iansã, lidam com o fato de pertencerem a uma família cujos homens são ausentes, com pai e avô encarcerados. Na atual geração, lidam com a prisão injusta de Gabriel, filho de Maria das Dores. É este evento que deflagra as memórias da família e a luta das irmãs para provar a inocência do rapaz talentoso, desenhista.

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Além disso, Dione pontua que, na peça, ainda temos a personagens Mocinha, afilhada de Maria dos Prazeres, que representa os conflitos de uma jovem vivendo em um sistema machista. O público também acompanha a trajetória do jovem dentro da cadeia, desvelando a estrutura do sistema carcerário, judiciário e do crime organizado. Nesse contexto, temos as figuras que compõem estes cenários: carcereiro, enfermeiro, agente penitenciário, encarcerados, etc.

O espetáculo é o 12º da Companhia de Teatro Heliópolis, grupo que surgiu em 2000 dentro de uma das maiores favelas de São Paulo e que busca, em seus trabalhos, dialogar com as questões que perpassam o cotidiano da periferia. Nessa conjuntura, Dione comentou como foi o início do projeto, o convite que recebeu para participar de seu desenvolvimento e o processo criativo e de escrita:

“Cheguei a este trabalho indicada por Dalma Régia, uma das maiores atrizes que nós temos no Brasil e umas das fundadoras da Cia de Teatro Heliópolis. Tive alguns encontros com a equipe que compôs a criação da obra e muitas conversas com Miguel, o diretor, além de ter realizado muitas leituras de artigos, teses sobre encarceramento em massa no Brasil e o impacto causado por ele.”

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A dramaturga também comenta um pouco da importância da temática tratada, e de como essa tem se relacionado com o público do espetáculo:

“Cabe às artes falar sobre o que não é dito, desvelar o que está oculto, ampliar vozes não ouvidas. Este trabalho coloca uma lupa sobre as lutas das mulheres do nosso país, seja como chefe de suas famílias ou líderes em suas comunidades. Ainda não agradecemos o suficiente pelo que elas fizeram e fazem pelo nosso país, esta “mátria”. Queríamos estabelecer um diálogo direto com o público e acredito que alcançamos nosso intento. Tivemos respostas belíssimas sobre o trabalho. Pessoas dizendo que jamais haviam refletido sobre aqueles temas, sensivelmente tocadas pela peça. Tem sido muito bonito acompanhar.”

Por Leticia Polizelli e supervisão de Luiza Camargo




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