Artistas, amigos e autoridades lamentam a morte de Lúcia Camargo

Publicado em: 21/07/2020

Amigos, companheiros de trabalho e autoridades usaram suas redes sociais para lamentar a perda da jornalista, produtora e gestora cultural Lúcia Camargo, que morreu na última segunda-feira (20), aos 76 anos, em São Paulo, em decorrência de um AVC. Lúcia era coordenadora de Extensão Cultural e Projetos Especiais da SP Escola de Teatro e foi diretora do Theatro Municipal de São Paulo e secretária adjunta de Cultura do Estado.

O secretário de Cultura da cidade, Hugo Possolo, que trabalhou com Lúcia Camargo na SP Escola de Teatro, agradeceu à gestora “por tudo que fez por nós, artistas”. “E, sinceramente, não foi pouco. Quero agradecer sua dedicação a pensar, agitar, avaliar, articular e fazer de tudo para a arte aparecer, enquanto você não queria aparecer. Quero agradecer sua paciência em ser jurada de prêmios, editais e curadorias mil onde só mostrava disposição e entusiasmo. Quero agradecer por tudo que fez na SP Escola de Teatro, fazendo daquele lugar já arejado uma constante ventania de criatividade. Quero agradecer por ser um exemplo de mulher independente, referência para as mais jovens. Quero agradecer pelo amor ao teatro, à ópera e ao circo. Que paixões lindas e contagiantes!”, escreveu Possolo.

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Ainda na segunda-feira, em nota oficial, o diretor executivo da Escola, Ivam Cabral, destacou a importância de Lúcia “na história do teatro brasileiro, seja à frente de projetos de formação artística, na gestão de importantes instituições culturais do País e como curadora e júri de premiações e festivais”. Paranaenses, ambos se conheceram na década de 1980, quando ela era diretora do Teatro Guaíra, em Curitiba, e ele, estudante de Artes Cênicas, e, desde 2011, trabalhavam juntos na SP Escola de Teatro. “O destino me presenteou em ter Lúcia Camargo como minha amiga e parceira de sonhos. Parte, hoje, um pedaço de mim.”

Coordenadores da SP Escola de Teatro também prestaram homenagens à amiga. “Ainda tenho dificuldades para raciocinar, uma vez que foi minha grande e afetuosa amiga. Mas quero dizer que Lúcia Camargo amou tanto as artes (especialmente o teatro), quanto os artistas, e isso fez toda a diferença. Dignidade, experiência e honestidade ímpares”, escreveu a coordenadora de Dramaturgia, Marici Salomão. Já o coordenador de Cenografia e Figurino e de Técnicas de Palco, J.C. Serroni, publicou três fotos que o farão lembrar de Lúcia, segundo ele: “‘Ópera dos 3 Vinténs’, em Curitiba, ‘Ópera D. Carlo’, no Theatro Municipal, e a SP Escola de Teatro, onde passamos os últimos anos juntos. Minha biblioteca vai também sentir muito a falta das suas generosas doações. Ficamos órfãos de você.”

Lúcia Camargo, que morreu na segunda-feira, aos 76 anos. Foto: Andre Stefano/SP Escola de Teatro

RECONHECIMENTO

Lúcia Maria Glück Camargo tem um extenso currículo profissional. Além da formação em Jornalismo, também cursou licenciatura em Pedagogia, especializou-se em Produção para Televisão Educativa e era mestra em História do Brasil. Deu aula na Universidade Federal do Paraná e na PUC-Paraná.

Ao longo dos anos, teve passagens por importantes instituições públicas do País e ocupou cargos em pastas de poderes executivos, estruturando relevantes ações de políticas públicas de cultura. Também era uma exímia espectadora teatral, atenta a todos os espetáculos em cartaz. Característica intrínseca ao ofício de julgadora do Prêmio Shell de São Paulo e de curadora de festivais como o de Curitiba, ao qual estava ligada desde 1995.

Em nota, o prefeito de Curitiba, Rafel Greca, destacou o apoio e incentivo de Lúcia aos artistas locais e também ao Festival de Teatro, à Oficina de Música, à Camerata Antiqua de Curitiba, à Orquestra Sinfônica do Paraná, ao Balé Teatro Guaíra, aos corais Brasileirinho e Brasileirão e a grupos de teatro, trupes de circo e titeriteiros. “Lúcia foi incansável articuladora cultural em Curitiba, no Paraná e no Brasil. Seja recebida na eternidade com cânticos de glória. Cai a cortina sobre uma vida dedicada às mais lindas e sensíveis expressões da alma humana”, disse Greca.

A presidente da Fundação Cultural de Curitiba, Ana Cristina de Castro, que trabalhou com Lúcia Camargo, se referiu a ela como uma “profissional admirável que teve sempre o compromisso, dedicação, entusiasmo e paixão pelo trabalho na área cultural”. “Nosso reconhecimento pelo importante legado e a trajetória vitoriosa que certamente irão continuar inspirando a todos nós”, completou Ana Cristina.

Muitos amigos de Lúcia a homenagearam lembrando de suas qualidades pessoais e profissionais e de se amor pelo teatro.

Renata Sorrah, atriz.

https://www.instagram.com/p/CC8rwq8pziA/

 

Alê Youssef, ex-secretário municipal de Cultura de São Paulo.

https://www.instagram.com/p/CC50m5nHgvY/?utm_source=ig_web_copy_link

Kil Abreu, crítico e curador de teatro. 

Aimar Labaki, dramaturgo.

Cristiano Cimino, diretor e dramaturgo.

Cacá Carvalho, ator.

Tânia Brandão, professora e crítica de teatro.

Denise Stoklos, atriz e diretora.

Luís Sobral, gestor cultural.

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Hoje só quero agradecer por tudo o que fez por mim. ❤️🙏🏻🌹 ………………………………………….. #Repost @escoladeteatro with @make_repost ・・・ Todos nós que compomos a SP Escola de Teatro e a Associação dos Artistas Amigos da Praça lamentamos, consternados, a morte da jornalista, produtora e gestora cultural Lucia Camargo, coordenadora de Extensão Cultural e Projetos Especiais da Instituição. Uma mulher cuja vida foi dedicada absolutamente à cultura e à formação artística.⠀ ⠀ Lucia morreu nesta segunda-feira, aos 76 anos, vítima de um AVC. Ela estava internada no Hospital Santa Isabel, em São Paulo, desde o último sábado.⠀ ⠀ “Lucia Camargo é uma mulher fundamental na história do teatro brasileiro, seja à frente de projetos de formação artística, na gestão de importantes instituições cultural do País e como curadora e júri de premiações e festivais. Uma pessoa inteligentíssima, atenta e dedicada à sua grande paixão, que era a arte”, diz o diretor da SP Escola de Teatro, Ivam Cabral. “Pessoalmente, tenho um imenso amor por Lucia, enorme admiração. Somos conterrâneos, e nos conhecemos ainda nos anos 1980, quando ela era diretora do Teatro Guaíra, em Curitiba, e eu, estudante de Artes Cênicas. Admirava o trabalho dela e tinha muito respeito por sua trajetória. Duas décadas depois, o destino me presenteou em ter Lucia Camargo como minha amiga e parceira de sonhos. Parte, hoje, um pedaço de mim.”

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Miguel Arcanjo Prado, crítico e jornalista

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O Brasil fica pobre culturalmente sem Lucia Camargo. Ela era figura que impunha respeito por onde quer que passasse, devido sua longa trajetória de contribuição às artes. Sua presença nas plateias era sinal de prestígio para qualquer espetáculo. E, bem antes que se falasse em mulher empoderada, foi pioneira em postos de comando da cultura brasileira. Figura nacional, não ficou restrita ao Paraná natal, mas desbravou os poderosos Estados de Minas Gerais e de São Paulo, onde comandou as maiores instituições culturais, cravando seu nome na história como mulher que se impôs no poder político-cultural. Lucia foi à frente de seu tempo em decisões como bancar Marcia Dailyn sendo a primeira bailarina trans na escola de bailado do Theatro Municipal de São Paulo e ter dado todo o apoio quando a aluna foi vítima do preconceito conservador. No dia a dia, não posso deixar de lembrar, Lucia sempre foi muito carinhosa comigo, nas plateias do Festival de Curitiba e de SP, e fez questão de aplaudir Entrevista com Phedra, meu primeiro espetáculo como dramaturgo. Lembro que sua presença foi emocionante para todos, especialmente para Marcia, protagonista da obra e que lhe dedicou aos prantos a sessão, lembrando seu apoio no Municipal. Lucia chorou com a homenagem feita com o coração. Jamais me esquecerei da vez que viajamos juntos de São Paulo a BH de avião, e depois de microônibus do Aeroporto de Confins até Tiradentes, saga de quase um dia, para acompanhar a Mostra de Cinema de Tiradentes. Durante toda a viagem, no céu e na terra, fomos um ao lado do outro, papeando pelos céus e montanhas de Minas. Tive a honra de ter ela mesma me contando toda sua história e os melhores bastidores da cultura brasileira. Na abertura do festival, ficamos lado a lado, na primeira fila (o que foi registrado pelo fotógrafo Leo Lara, na nossa única imagem juntos, que mandei para ela por e-mail depois, deixando-lhe feliz). Na última vez que nos vimos, pouco antes desta triste pandemia, lhe falei: "Lucia Camargo, você que deveria ser a ministra da Cultura do Brasil". Ela abriu um sorriso e me deu uma piscadela. É essa imagem que vou guardar dessa grande mulher que foi imprescindível para nossa cultura.

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Bob Sousa, fotógrafo

 




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