SP Escola de Teatro

Artistas, amigos e autoridades lamentam a morte de Lúcia Camargo

Amigos, companheiros de trabalho e autoridades usaram suas redes sociais para lamentar a perda da jornalista, produtora e gestora cultural Lúcia Camargo, que morreu na última segunda-feira (20), aos 76 anos, em São Paulo, em decorrência de um AVC. Lúcia era coordenadora de Extensão Cultural e Projetos Especiais da SP Escola de Teatro e foi diretora do Theatro Municipal de São Paulo e secretária adjunta de Cultura do Estado.

O secretário de Cultura da cidade, Hugo Possolo, que trabalhou com Lúcia Camargo na SP Escola de Teatro, agradeceu à gestora “por tudo que fez por nós, artistas”. “E, sinceramente, não foi pouco. Quero agradecer sua dedicação a pensar, agitar, avaliar, articular e fazer de tudo para a arte aparecer, enquanto você não queria aparecer. Quero agradecer sua paciência em ser jurada de prêmios, editais e curadorias mil onde só mostrava disposição e entusiasmo. Quero agradecer por tudo que fez na SP Escola de Teatro, fazendo daquele lugar já arejado uma constante ventania de criatividade. Quero agradecer por ser um exemplo de mulher independente, referência para as mais jovens. Quero agradecer pelo amor ao teatro, à ópera e ao circo. Que paixões lindas e contagiantes!”, escreveu Possolo.

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Ainda na segunda-feira, em nota oficial, o diretor executivo da Escola, Ivam Cabral, destacou a importância de Lúcia “na história do teatro brasileiro, seja à frente de projetos de formação artística, na gestão de importantes instituições culturais do País e como curadora e júri de premiações e festivais”. Paranaenses, ambos se conheceram na década de 1980, quando ela era diretora do Teatro Guaíra, em Curitiba, e ele, estudante de Artes Cênicas, e, desde 2011, trabalhavam juntos na SP Escola de Teatro. “O destino me presenteou em ter Lúcia Camargo como minha amiga e parceira de sonhos. Parte, hoje, um pedaço de mim.”

Coordenadores da SP Escola de Teatro também prestaram homenagens à amiga. “Ainda tenho dificuldades para raciocinar, uma vez que foi minha grande e afetuosa amiga. Mas quero dizer que Lúcia Camargo amou tanto as artes (especialmente o teatro), quanto os artistas, e isso fez toda a diferença. Dignidade, experiência e honestidade ímpares”, escreveu a coordenadora de Dramaturgia, Marici Salomão. Já o coordenador de Cenografia e Figurino e de Técnicas de Palco, J.C. Serroni, publicou três fotos que o farão lembrar de Lúcia, segundo ele: “‘Ópera dos 3 Vinténs’, em Curitiba, ‘Ópera D. Carlo’, no Theatro Municipal, e a SP Escola de Teatro, onde passamos os últimos anos juntos. Minha biblioteca vai também sentir muito a falta das suas generosas doações. Ficamos órfãos de você.”

Lúcia Camargo, que morreu na segunda-feira, aos 76 anos. Foto: Andre Stefano/SP Escola de Teatro

RECONHECIMENTO

Lúcia Maria Glück Camargo tem um extenso currículo profissional. Além da formação em Jornalismo, também cursou licenciatura em Pedagogia, especializou-se em Produção para Televisão Educativa e era mestra em História do Brasil. Deu aula na Universidade Federal do Paraná e na PUC-Paraná.

Ao longo dos anos, teve passagens por importantes instituições públicas do País e ocupou cargos em pastas de poderes executivos, estruturando relevantes ações de políticas públicas de cultura. Também era uma exímia espectadora teatral, atenta a todos os espetáculos em cartaz. Característica intrínseca ao ofício de julgadora do Prêmio Shell de São Paulo e de curadora de festivais como o de Curitiba, ao qual estava ligada desde 1995.

Em nota, o prefeito de Curitiba, Rafel Greca, destacou o apoio e incentivo de Lúcia aos artistas locais e também ao Festival de Teatro, à Oficina de Música, à Camerata Antiqua de Curitiba, à Orquestra Sinfônica do Paraná, ao Balé Teatro Guaíra, aos corais Brasileirinho e Brasileirão e a grupos de teatro, trupes de circo e titeriteiros. “Lúcia foi incansável articuladora cultural em Curitiba, no Paraná e no Brasil. Seja recebida na eternidade com cânticos de glória. Cai a cortina sobre uma vida dedicada às mais lindas e sensíveis expressões da alma humana”, disse Greca.

A presidente da Fundação Cultural de Curitiba, Ana Cristina de Castro, que trabalhou com Lúcia Camargo, se referiu a ela como uma “profissional admirável que teve sempre o compromisso, dedicação, entusiasmo e paixão pelo trabalho na área cultural”. “Nosso reconhecimento pelo importante legado e a trajetória vitoriosa que certamente irão continuar inspirando a todos nós”, completou Ana Cristina.

Muitos amigos de Lúcia a homenagearam lembrando de suas qualidades pessoais e profissionais e de se amor pelo teatro.

Renata Sorrah, atriz.

 

Alê Youssef, ex-secretário municipal de Cultura de São Paulo.

Kil Abreu, crítico e curador de teatro. 

Aimar Labaki, dramaturgo.

Cristiano Cimino, diretor e dramaturgo.

Cacá Carvalho, ator.

Tânia Brandão, professora e crítica de teatro.

Denise Stoklos, atriz e diretora.

Luís Sobral, gestor cultural.

Miguel Arcanjo Prado, crítico e jornalista

Bob Sousa, fotógrafo

 

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