Série Grandes Atrizes: Cacilda Becker

Publicado em: 15/10/2021

Arquivo Nacional

A SP Escola de Teatro segue em sua série de minibiografias de grandes atrizes da história.

Na lista, há importantes nomes, como Ruth de Souza, Fernanda Montenegro e Cacilda Becker.

Nesta sexta-feira, 15, nossa homenageada é a atriz Cacilda Becker; confira!

Cacilda Becker:

Este ano, um dos grandes nomes do teatro brasileiro, Cacilda Becker (1921-1969), comemoraria 100 anos.

Nascida em Pirassununga no interior de São Paulo, aos nove anos de idade já estudava dança, sua primeira vocação artística. Além disso, trabalhava para ajudar a mãe que criava as três filhas sozinha.

Série Grandes Atrizes: Ruth de Souza

Sua trajetória no mundo da atuação iniciou-se nos anos 1940, Cacilda participou do Teatro do Estudante (TEB) nos espetáculos Dias Felizes, de Claude-André Puget e 3.200 Metros de Altitude, de Julien Luchaire. Nesse mesmo período passou integrar a Companhia de Comédias Íntimas, fundada pelo ator e diretor Raul Roulien, lá participou de diversas produções, entre elas: Trio em Lá Menor, de Raimundo Magalhães Junior.

Em 1943, ingressou no Grupo Universitário de Teatro (GUT) criado dentro da Universidade de São Paulo sob a direção artística de Décio. Foram três montagens; Auto da Barca do Inferno, de Gil Vicente; Irmãos das Almas, de Martins Pena e Pequeno Serviço em Casa de Casa, de Mário Neme. No ano seguinte, Cacilda entrou para a Companhia de Comédias de Bibi Ferreira.

Confira as 10 minibiografias da série Grandes Figurinistas da SP Escola de Teatro

A atriz passou a transitar por diferentes companhias, e em paralelo ela exerceu funções ligadas à interpretação e à escrita, trabalhando na Rádio Tupi e na Rádio América.

Em 1947, mudou-se para o Rio de Janeiro para atuar na produção cinematográfica Luz dos Meus Olhos da companhia carioca Atlântida, com direção de José Carlos Burle. No ano seguinte foi contratada pela TBC, e fez parte de grandes produções da companhia até o ano de sua saída em 1955.

Mais tarde, Cacilda tornou-se destaque por sua atuação para o Teatro das Segundas-Feiras na peça de Jules Renard Pega Fogo que foi um grande sucesso de público e crítica.

Em 1953, foi ovacionada pela crítica por seu trabalho no filme Floradas na Serra, do diretor italiano Luciano Salce.

Confira as 11 minibiografias da série Grandes Dramaturgos da SP Escola de Teatro

De acordo com o crítico francês Michel Simon, durante a apresentação do espetáculo no Teatro das Nações, em Paris, a atriz apresentou excepcional domínio de sua função, tal qual Charlie Chaplin e Jean Louis Barrault. Para ele Poil de Carotte, personagem interpretado por Cacilda, não deveria ter outro rosto, senão o dela.

Em 1958 fundou o Teatro Cacilda Becker junto com Walmor Chagas, Zbigniew Ziembinski, Fredi Kleemann e sua irmã Cleyde Yáconis. Nele Cacilda permaneceu ativa por 22 anos e foi responsável por introduzir no teatro brasileiro importantes dramaturgos até então desconhecidos como Samuel Beckett, Edward Albee, Friedrich Dürrenmatt, Eugène Ionesco, entre outros.

Recebeu medalha de ouro da Associação Brasileira de Críticos Teatrais (ABCT) em 1965, e foi premiada como melhor atriz do ano por seus trabalhos em A Noite do Iguana, de Tennessee Williams e O Preço de um Homem, de Steve Passeur.

Confira as 10 minibiografias da série Grandes Diretores da SP Escola de Teatro

Na televisão, foi contratada junto com o Teatro Cacilda Becker pela TV Bandeirantes em 1968, no entanto é demitida no mesmo ano devido aos efeitos da ditadura militar. A alegação era de que seus trabalhos eram ‘muito subversivos’. A partir desse momento, a artista assumiu um papel importante como militante, ela se tornou presidente da Comissão Estadual de Teatro de São Paulo em defesa dos direitos dos artistas e produtores.

Esperando Godot, de Beckett; Gata em Teto de Zinco Quente e O Anjo de Pedra, de Tennessee Williams; Maria Stuart de Friedrich Schiller; Entre Quatro Paredes, de Jean Paul Sartre e Vestido de Noiva, Nelson Rodrigues são alguns dos muitos trabalhos realizados pela dama das artes cênicas nacionais Cacilda Becker.




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