Arte e acessibilidade

Publicado em: 23/07/2013

Cena do espetáculo “Por trás da cor dos olhos”, com a Pulsar Companhia de Dança, do Rio de Janeiro
(Fotos: Divulgação)

Em agosto, o departamento de Extensão Cultural da SP Escola de Teatro – Centro de Formação das Artes do Palco oferece três cursos que promovem a inclusão de pessoas com algum tipo de necessidade especial. São eles: “Introdução à audiodescrição para teatro”, com Lívia Maria Villela de Melo Motta; “Interpretação de espetáculos em LIBRAS”, sob a orientação de Sueli Ramalho e Rimar Romano Segala, e “Dança sem fronteiras”, com Fernanda Amaral (as inscrições já foram encerradas, mas para saber mais sobre eles, clique aqui). E a iniciativa inspira a seção Ponto desta semana.

Rimar Romano Segala e Sueli Ramalho são irmãos, filhos e netos de surdos. Em 2003, eles criaram, em São Paulo, a Cia. Arte e Silêncio, cujo principal objetivo, segundo a dupla, é o de desenvolver uma pesquisa da arte e da cultura de surdos, utilizando as técnicas da mímica e da linguagem do clown, adaptadas à Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS).

“O grande desafio da Companhia Arte & Silêncio é evidenciar a capacidade e talento dos surdos, derrubando mitos e preconceitos, deixando claro para todos que os assistem, que, superadas as dificuldades, todos são obviamente iguais e enriquecedoramente diferentes”, observam Sueli e Rimar. Dentre os espetáculos que fazem parte do repertório da companhia, estão: “Orelha”, abordando a inclusão social de surdos, e “Os Palhaços na Escola”, sobre a questão da surdez, cultura surda e LIBRAS dentro da sala de aula.

Outro grupo voltado à inclusão social de pessoas com necessidade especiais é o mineiro Ekilibrio Cia. de Dança. A trupe iniciou suas atividades em junho de 1998, em Juiz de Fora, com a missão de ressaltar potencialidades e promover a integração sócio-cultural por meio da expressão corporal, via dança contemporânea. Com uma linguagem própria, a companhia estável possui sete bailarinos, sendo dois com deficiência física. No início, adotou o nome de Grupo Ekilíbrio – Dança Inclusiva e, a partir de 2002, Ekilíbrio Cia. de Dança.

Aliás, a dança é um campo onde, definitivamente, a acessibilidade tem vez. Em Natal (RN), há a Roda Viva – Cia. de dança sobre rodas, inspirado no grupo britânico CanDoCo, que reúne apenas deficientes físicos. A estreia da companhia aconteceu no 3º Festival Nacional de Arte Sem Barreiras, em outubro de 1995, com a coreografia “Vidas e vidas”, de Heloísa Costa. Também de Natal, a Anjori, Companhia de Dança é voltada, exclusivamente, para pessoas com necessidades especiais.  Em quase 30 anos de existência, contabiliza mais de mil apresentações no Brasil e exterior. Foi fundada pelo casal de educadores Josefa Maria Antunes Soares e Antônio Soares e privilegia ritmos e as danças populares, em especial das regiões Norte e Nordeste, como o frevo, o xaxado, o carimbó, a ciranda e o maracatu.

De Curitiba, o exemplo é a Limites Cia. de Dança. Nascida em 1992, agrupa bailarinos convencionais, acrobatas, atores e bailarinos portadores de deficiência física. Sob a orientação da professora e coreógrafa Andréa Sério, por quem foi dirigida até 2010, a companhia atua hoje sob a co-direção artística de Claudia Fantin e Thaís Catharin.

A Pulsar Companhia de Dança, do Rio de Janeiro, também é composta por bailarinos e atores com e sem deficiências. Criada em 2000, trabalha a inclusão como fonte de pesquisa e possibilidade de novos movimentos e vem se apresentando em diversos eventos em diferentes cidades do País, como Brasília, Macaé, Campos dos Goytacazes e Juiz de Fora.

Enfim, provas vivas de que a arte não conhece limites. Ainda bem!
 

Texto: Esther Chaya Levenstein

 

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