Jan Moura analisa o projeto pedagógico da MT e da SP Escola de Teatro em artigo especial

Jan Moura/ Reprodução Instagram

Jan Moura, Superintendente de Políticas Culturais na Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer de Mato Grosso, escreveu um denso e pertinente artigo para o livro “Experiências de Formação em Artes na Amazônia”, em que aborda o projeto pedagógico de sucesso da MT Escola de Teatro, polo de formação da gestão do Cine Teatro Cuiabá, firmada entre a Secretaria de Estado de Cultura (SECEL MT) e Associação Cultural Cena Onze. O curso de tecnologia em Teatro tem a parceria da Universidade do Estado de Mato Grosso (UNEMAT) e da Associação dos Artistas Amigos da Praça (Adaap/SP).

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Por 3 anos, ele foi o Coordenador Pedagógico da Escola, onde explorou seu lado como educador e comunicador. Jan é formado em Comunicação Social pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e é mestre e doutor pela mesma universidade em Estudos de Cultura Contemporânea. Atualmente, é o Coordenador das áreas técnicas da instituição.

Em entrevista ao site da MT Escola de Teatro, o gestor cultural revela detalhes do seu texto para o livro, onde conta a importância da MT para a cultura de Mato Grosso e como esse projeto pedagógico, inovador e corajoso, mudou o cenário artístico da região. Confira!

Em que cenário surgiu a ideia do projeto da MT Escola de Teatro e qual a sua importância para a região?

Mato Grosso sempre teve uma demanda bem grande por um curso de formação em artes cênicas, assim como todas as linguagens artísticas. Realmente a gente não tinha nenhum curso superior, nem técnico, até então. O único curso em artes que tínhamos era o superior em Música, pela UFMT. Sempre foi uma demanda muito recorrente. A gente aprendia teatro aqui em Mato Grosso de forma empírica ou com os mestres tradicionais, pessoas que se voluntariaram e puxaram seus coletivos.

A MT Escola de Teatro foi um sonho que foi batalhado por artistas, com várias cobranças no governo do Estado, para que tivéssemos uma experiência em educação interessante em Cultura aqui. Para mim, a MT Escola de Teatro é o principal polo de aprendizagem de artes cênicas no Estado. Já formamos diversos artistas. Isso é muito positivo e, de certa forma, vem revolucionando as artes cênicas no Estado.

É um projeto muito audacioso na minha opinião. Temos 7 cursos, 7 especializações em todas as áreas e isso cumpre o papel de fomentar as artes do Estado e em todas as suas frentes, nas áreas da atuação, direção, dramaturgia, figurino, cenário, produção cultura e iluminação. Eu acho que isso de fato é transformador.

O que eu acho mais interessante ainda é que essa experiência foi inspirada na SP Escola de Teatro, com algumas adaptações por conta da nossa realidade, mas a principal experiência para mim é essa metodologia revolucionária, e que na prática e é um método muito eficiente.

No artigo, você deu destaque a qual parte da MT?

No artigo eu faço exatamente um balanço em que tento fazer uma reflexão sobre a potência que existe nessa pedagogia de experiência. Esse processo de aprendizagem se forma a partir dos desafios propostos aos estudantes: eles são colocados em um ambiente que, de certa forma, iguala a situação que ele já viu ou experimentou lá fora, e ele precisa encontrar respostas para estes desafios. Isso é muito interessante, porque o ensino se torna mais dinâmico, na prática a gente constrói junto com eles, em uma dinâmica horizontal. Não estamos formando apenas artistas, mas sim artistas pesquisadores, que diante dos desafios encontram suas próprias respostas. Isto é revolucionário.

Como foi adaptar o projeto da SP Escola de Teatro, uma escola técnica, para o formato de graduação universitária da MT?

Tivemos um esforço no começo para adaptar a metodologia da SP Escola de Teatro para um contexto de universidade. A gente teve que fazer algumas adaptações em terminologias, mas sem perder de vista a aprendizagem pela experiência, que para mim é fundamental. Temos muito a metodologia de Paulo Freire em nosso ensino, que é o nosso grande idealizador da pedagogia nacional.

Claro que há outros autores que inspiram a gente, mas para mim é fundamental essa experiência educacional que temos na MT e na SP, mais horizontalizada, onde entendemos o papel de cada um neste processo, seja do estudante, seja do formador ou com as experiências da vida, tudo de forma horizontal. É isso que transforma a MT Escola de Teatro e a SP Escola de Teatro numa revolução das artes cênicas, e não é à toa que são reconhecidas internacionalmente.

Qual é a o grande diferencial da MT Escola de Teatro?

Acho que um detalhe importante para pensarmos é que a ideia da Pedagogia da Experiência não é uma tarefa fácil. De fato, quando nós colocamos de forma horizontalizada as relações, torna-se complicado a negociação dos interesses, dos desejos estéticos. Eu acho isso muito interessante, porque os estudantes aprendem a negociar suas escolhas, todo mundo tem ideias, e eles aprendem muito mais nesse compartilhamento, nesse contato uns com os outros e como é que eles vão desenvolvendo de fato essas relações e parcerias.

Digo sempre que a gente não está formando só artistas, estamos formando cidadãos que conseguem ter um olhar ampliado para as relações, e conseguem negociar seus desejos e conseguem viver em comunidade. Eu acho que o projeto político pedagógico da SP Escola de Teatro e da MT Escola de Teatro é político também numa outra perspectiva, que é de ensinar os estudantes a viver em comunhão.

Por Luiza Camargo




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