Morre, aos 71 anos, o diretor Francisco Medeiros

Francisco Medeiros foi coordenador do curso de Atuação da SP Escola de Teatro. Foto: Acervo

Morreu na manhã desta quarta-feira (16), aos 71 anos, o diretor Francisco Medeiros, um dos principais nomes do teatro e da dança paulistanos desde a década de 1970. Ex-coordenador do curso de Atuação (2010-2013) da SP Escola de Teatro, Medeiros estava internado no Hospital AC Camargo, na Aclimação, havia um mês, para tratamento de um câncer. O corpo dele será velado no Teatro de Arena, Consolação, das 10h às 14h da quinta (17).

Chiquinho Medeiros, como era conhecido, dirigiu montagens icônicas como “Flor de Obsessão” (1996), com o grupo Pia Fraus Teatro. A montagem, obtida a partir das entrevistas na obra de Nelson Rodrigues, venceu o Angel Award do Fringe Festival, em Edimburgo (Escócia). Ainda assinou a direção dos trabalhos de dança “Iribiri” (1982), em parceria com José Rubens Siqueira, para a Cisne Negro Companhia de Dança; e “O Reino do Meio-Dia” (1987), de Antonio Nóbrega.

Para o diretor executivo da SP Escola de Teatro, Ivam Cabral, a carreira de Chiquinho Medeiros foi marcada por espetáculos de lapidadas técnica e precisão, que possibilitaram momentos singulares na história do teatro brasileiro. Além disso, acrescenta, “Chiquinho foi um grande parceiro nosso, uma pessoa que amava o ofício, sem dúvida um mestre”.

Lembrança semelhante a de Cabral tem o coordenador de Direção, Rodolfo García Vázquez. Para ele, Chiquinho Medeiros foi um parceiro fundamental na estruturação do projeto pedagógico da SP Escola de Teatro. “Aprendi com ele a capacidade que essa paixão inabalável pelo fazer teatral tem de nos tocar e tocar a todos que estão à nossa volta. Uma grande perda.”

Chico Medeiros (2º da esq. para dir.) ao lado dos artistas fundadores da Escola e do coordenador pedagógico Joaquim Gama. Foto: Acervo

A coordenadora de Dramaturgia, Marici Salomão, destaca entre as habilidades profissionais de Medeiros as capacidades de trabalhar “tanto com atores já consagrados quanto com atores jovens” e de “escolher textos tanto muito contemporâneos, de dramaturgos de ponta, jovens ou não, como também textos clássicos”. “Ele tinha esse espectro largo para dirigir diversos gêneros, tipos de peça e filiações de autores. E, como parceiro de trabalho, eu o admirava pela alegria que ele tinha, uma exuberância no pensamento que estimulava muito a mim, enquanto alguém que pensava pedagogia”, frisa.

Considerado “um dos artistas mais pulsante que já esteve conosco”, segundo o coordenador pedagógico da Escola, Joaquim Gama, a participação de Medeiros “no grupo de coordenadores sempre foi eloquente e com propostas que tornaram a escola mais viva e criadora”. “Sempre com disponibilidade para contribuir, jamais esqueceremos o seu sorriso e sua energia”, afirma.

Em texto publicado no site da SP Escola de Teatro em março de 2012, o coordenador de Humor, Raul Barretto, escreveu sobre o amigo, dizendo que “Chico é um ET disfarçado de gnomo, grafitando arte nas paredes empoeiradas da nossa sociedade doente”.

“É um homem do humor, com certeza, do bom humor, no sentido de nos lembrar, a cada instante, nossa obrigação como terráqueos transitórios, de desempenharmos com plenitude nossas atividades diárias, com profundidade, elegância, discrição, delicadeza e competência”, destacou Barreto.




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