Cia Fundo Mundo comemora o triunfo do Laboratório de criação circense para artistas LGBTQIA+: “O retorno é de bastante união!”

Na última quarta-feira, às 15h00, ocorreu a última aula do Laboratório de criação circense para artistas LGBTQIA+, curso de extensão presencial e gratuito que ocorreu na SP Escola de Teatro. O último dia foi celebrado na sede Brás da escola com uma Mostra aberta ao público, na qual cada participante realizou um número circense, que poderá reproduzir em outros espetáculos, eventos e festivais.

Os orientadores do laboratório são parte da Cia Fundo Mundo, uma companhia circense formada exclusivamente por pessoas trans, travestis e não binárias, que prega arte como uma forma radical de vínculo com a vida, e como maneira de abrir portas e espaços que a sociedade lhes negou. Foram eles: O jornalista, artista circense e pesquisador Juno Nedel, que dedica-se aos aparelhos aéreos, à pirotecnia e à palhaçaria, ele integrou o Grupo de Estudos Dramaturgia – Mulheres na Palhaçaria, organizado por Karla Concá e Ana Borges em 2020, além disso também é mestre em História pela UFSC, e autor do livro “Desvairadas: Histórias de pessoas LGBT em Florianópolis, capital de Santa Catarina” (UFSC, 2014). Noam Scapin, artista cênico e circense na área de acrobacia aérea e palhaçaria, ele desenvolve seu trabalho solo, com o qual tem circulado por festivais como: 19ª e 20ª Convenções Brasileiras de Malabarismo e Circo e 3ª Convenção de Circo de Florianópolis. E o artista e educador Lui Castanho, que de 2016 a 2019 atuou como professor de acrobacias aéreas na Casa do Palhaço em Florianópolis, e integra o núcleo gestor do Encuentro Latinoamericano de Circo LGBTIA+ desde a 1ª edição, em 2019.

A companhia abriu as portas em 2017, com o espetáculo Sui Generis, no qual são abordadas temáticas de gênero e sexualidade de uma maneira ácida e provocativa, carregada de humor, neles são apresentados números de palhaçaria , acrobacias aéreas, malabarismo, bambolê, música e poesia. A atuação da companhia vai para além dos palcos, buscando também criar espaços de diálogo; São propostas rodas de conversa nas quais a representatividade e representação trans está sempre em pauta, assim como assuntos relacionados ao mercado artístico e circense, como a produção para artistas independentes, caminhos para formação técnica, entre outros temas.

“Nós começamos a frequentar mais os espaços de circo e sempre se pautava a questão da presença de pessoas LGBTQIA+ nos espaços, uma coisa que percebíamos era que, não somente os espaços estavam fechados, como havia uma dificuldade das pessoas terem um material para enviar para esses lugares (convenções, festivais). Então nós tivemos a ideia de fazer um laboratório em que as pessoas pudessem pegar o material que elas já têm e colocá-lo dentro de número circense. Assim, objetivo do laboratório foi de promover a autonomia de artistas LGBTQIA+ dentro do meio circense.” Comentou Lui Castanho. “A experiência com a SP foi incrível, muito legal e positiva.  Nós pretendemos continuar essa relação com a escola! Não somos uma companhia que nasceu em São Paulo, somos de Florianópolis, então a SP ter aberto esse espaço foi muito importante para nós enquanto grupo para poder ir se estabelecendo na cidade.”

Na Mostra final apresentada pelos alunos da SP, mesclando diferentes áreas artísticas, os solos incluíram apresentações de acrobacias aéreas, dança, palhaçaria, música e mini monólogos. Sem deixar suas individualidades, os artistas também expressaram seus dramas pessoais através das apresentações, que incluíram temáticas muito pautas na atualidade como depressão e homofobia.

“Foi uma experiência incrível! Eu pude ter contato novamente com o circo, que era algo que eu senti muita falta durante a pandemia, e poder sair daqui com um número também foi muito importante para mim!” Comenta um dos participantes do curso.

Sobre o retorno dos alunos Lui comenta que “É sempre muito legal essa experiência do laboratório, com esse último foram três; o primeiro teve que ser suspenso por conta da pandemia, o segundo foi feito online e terminou no início de outubro, focando em números audiovisuais de circo, e agora tivemos o retorno presencial aqui na SP Escola de Teatro. O retorno dos alunos é sempre muito legal, há um compartilhamento, e em geral, o retorno é sempre de bastante união, e de fomento das artes circense nas comunidades LGBTQIA+.”




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