Ruth de Souza, a grande dama negra do teatro

Publicado em: 19/11/2013

Atriz estreou nos palcos em 1945, na peça “O Imperador Jones”, de Eugene O’Neill (Foto: Reprodução da internet).

Ruth de Souza nasceu na cidade do Rio de Janeiro, em 12 de maio de 1921. Até os 9 anos de idade, vive com a família em uma fazenda no interior de Minas Gerais e retorna ao Rio de Janeiro, após a morte de seu pai. Em Copacabana, passa um período trabalhando como lavadeira com sua mãe. Durante a adolescência, participa do grupo de atores do Teatro Experimental do Negro, liderado por Abdias do Nascimento, e estreia nos palcos, em 1945, na peça “O Imperador Jones”, de Eugene O’Neill.

Em 1946, volta a fazer outras duas peças do dramaturgo americano, “Todos os filhos de Deus têm asas” e “O moleque sonhador”. Em 1947, é convidada para fazer parte do elenco de “Terras do sem fim”, de Jorge Amado, produzida pela companhia Os Comediantes, com direção de Zigmunt Turkov. Continua como a atriz principal do Teatro Experimental do Negro e, neste mesmo ano, recebe o prêmio revelação pelo desempenho em “O filho pródigo”, de Lucio Cardoso, direção de Abdias do Nascimento.

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Em 1959, é convidada a protagonizar, na Cia. Nydia Licia-Sergio Cardoso, a montagem de “Oração para uma negra”, de William Faulkner, e recebe os prêmios Saci e Governador do Estado de melhor atriz.

Durante os anos 1960, trabalha nas montagens de “Quarto de despejo”, adaptação de Edi Lima para o livro de Carolina de Jesus, com direção de Amir Haddad, em 1961; “Vereda da salvação”, de Jorge Andrade, direção de Antunes Filho, em 1964; “Vestido de noiva”, de Nelson Rodrigues, direção de Sergio Cardoso, em 1965.

Após receber uma bolsa de estudo da Fundação Rockefeller, passa um ano nos Estados Unidos, estudando na Universidade Harvard e na Academia Nacional do Teatro Americano. Ao retornar ao Brasil, passa a fazer seguidas participações na televisão. O sucesso na tevê começa em 1965, na extinta TV Excelsior, com a telenovela “A deusa vencida”, de Ivani Ribeiro. Três anos mais tarde, ingressa na TV Globo e atua em inúmeras telenovelas, minisséries e filmes.

No cinema, atua em cerca de 40 filmes e recebe prêmios da crítica. Entre seus principais trabalhos destacam-se “Terra violenta”, direção de Alberto Cavalcanti, baseado no roteiro de Graça Mello para “Terras do sem fim”, de Jorge Amado, 1948; “Sinhá moça”, direção de Tom Payne, filme em que concorreu ao prêmio de melhor atriz no Festival de Veneza em 1951; “Assalto ao trem pagador”, direção de Roberto Farias; “Jubiabá”, direção de Nelson Pereira dos Santos.

Em 1983, volta a protagonizar a peça “Réquiem para uma negra”, de William Faulkner, sob a direção de Luiz Carlos Maciel. Seu mais recente trabalho em teatro é na montagem de “Anjo negro”, de Nelson Rodrigues, com direção de Ulysses Cruz.

Outras leituras:

Semana da Consciência Negra

Teatro Experimental do Negro, o pioneiro a levar o negro para os palcos

Do Pelourinho para o mundo

Sensualidade à flor da pele

O teatro e o cinema do gaúcho Flavio Bauraqui

Texto: Carlos Hee

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