Ponto | Dia dos Pais

Publicado em: 09/08/2011

Em homenagem ao dia dos pais, reunimos aqui alguns dos papais que se consagraram e, ao mesmo tempo, lançaram ao mundo novos talentos das artes do palco. Agora, fica a questão: você acredita que vocação é hereditária? O velho ditado popular “tal pai, tal filho” pode ser aplicado às artes? É o que veremos.

 

Encabeçando nossa lista, Gianfrancesco Guarnieri. Ator, diretor e dramaturgo, participou de uma série de espetáculos que marcaram época desde os anos 50. Foi responsável, junto com Vianninha, pela fundação do Teatro Paulista do Estudante, em 1955, e teve passagem destacada pelo Teatro de Arena de São Paulo

 

Ao partir, além de seus textos e de seu trabalho como ator e diretor, Gianfrancesco deixou mais uma contribuição ao cenário artístico. Essa contribuição tem dois nomes: Flávio e Paulo. A dupla, inspirada pelo legado do pai, não apenas seguiu a carreira teatral, mas também chegou a realizar parcerias. Paulo escreveu a peça “O Mistério de Gioconda”, estrelada, em 2004, pelo irmão. 

 

Há poucos meses, Flávio acrescentou mais um episódio à história da família, atuando no antológico “Eles Não Usam Black Tie”, espetáculo escrito pelo pai em 1958 e que obteve enorme êxito na época, quando lançado pelo Teatro de Arena.

 

Também na família Thiré, a paixão pelos palcos parece estar emaranhada no sangue, mas é melhor começar a contar essa história apresentando Cecil Thiré. Ator e diretor, Cecil é filho de outra atriz, Tônia Carrero. Herdou da mãe, que atuou tanto no teatro, como no cinema e na televisão, a paixão pela atuação. Logo cedo, aos 17 anos, iniciou seus estudos no teatro, estreando, alguns anos mais tarde, em “Pequenos Burgueses”, de Zé Celso. Na sequência, atua em “Descalços no Parque”, sob a direção de Ziembinski. Assina sua primeira direção em 1971, com “Casa de Bonecas”, de Ibsen.

 

Carlos, Miguel e Luísa não herdaram só o sobrenome do pai, também demonstraram desde cedo o interesse pela atuação. Os dois primeiros são, ainda, dramaturgos e diretores. Entre outros trabalhos, Miguel, o mais novo, participou, inclusive, do elenco de “Beijo na Boca”, escrita e dirigida por seu irmão Carlos, dono de um extenso currículo no teatro. Já a filha preferiu as câmeras ao palco, no cinema e na televisão.

 

Os Sucessores

Se o assunto for fama e influência no meio teatral, não podemos deixar de falar de Procópio e Bibi Ferreira. Ator, diretor e dramaturgo, o pai dedicou 62 anos de sua vida ao teatro, período no qual interpretou cerca de 500 personagens em mais de 450 peças e ainda teve tempo de ver sua filha seguir seus passos e brilhar. Precoce, Bibi iniciou sua carreira recém-nascida. Com apenas 24 dias de vida, subia ao palco na montagem “Manhãs de Sol”, substituindo uma boneca. Considerados ícones do teatro nacional, pai e filha emprestaram seus nomes para batizar espaços teatrais.

 

Outro artista que caprichou ao repassar os genes da interpretação foi Paulo Goulart, com a ajuda de Nicette Bruno, sua esposa e parceira desde a década de 50.

 

O casal teve três filhos que decidiram seguir a carreira artística. Bárbara Bruno, Beth Goulart e Paulo Goulart Filho optaram pela carreira no teatro e são vários os espetáculos com participação de dois ou mais membros da família. Em 1990, por exemplo, o patriarca assina o texto de “Look Book Hip House”, em parceria com Bárbara, a mais velha. Na televisão, os laços se estreitaram ainda mais. Os cinco artistas contracenaram juntos em “Papai Coração”, da TV Tupi, em 1976.

 

Nova Geração

Também filho de dois artistas, Bruno Fagundes, de apenas 22 anos, dá indícios de que vai seguir o caminho dos pais: Antônio Fagundes e Mara Carvalho. A despeito da pouca idade, Bruno já atuou em alguns espetáculos desde 2004, incluindo “Pã” e “Gente que Faz”. O primeiro foi dirigido e o segundo escrito por sua mãe.

 

Outra história que gira em torno do sangue familiar é liderada por Paulo Gracindo. Mais uma vez, vemos o teatro atravessando gerações. Não apenas seu filho Gracindo, mas também seus netos Gabriel e Pedro se voltaram para a sexta arte. Os herdeiros deram sorte, porque sempre foram incentivados pelo pai, o que não aconteceu por parte do seu avô, que se opunha com firmeza à ideia de que seu filho, Paulo, seguisse carreira artística.

 

Para encerrar nossa homenagem aos pais com herdeiros no teatro, escolhemos o diretor Wolf Maya. Fruto de seu casamento com a também atriz e diretora Cininha de Paula, Maria Maya ganhou projeção por suas participações em novelas e minisséries, mas já atuou em alguns espetáculos, como “Não Existem Níveis Seguros Para Consumo Destas Substâncias”, de Daniela Pereira de Carvalho, dirigida por Tato Consorti, assessor da Diretoria Executiva da SP Escola de Teatro – Centro de Formação das Artes do Palco.

 

“Play”, texto de Rodrigo Nogueira, com direção de Ivan Sugahara, e “Loba de Ray-Ban”, escrita por Renato Borghi e dirigida por José Possi Neto, são outras montagens importantes no currículo da atriz.

 

Registradas todas essas belas histórias, fica aqui uma singela homenagem e um parabéns da SP Escola de Teatro a todos os pais do Brasil, estejam eles envolvidos com o teatro ou não. 

 

 

Texto: Felipe Del

Relacionadas:

Ponto | 14/ 07/ 2015

Ponto | Regras para montar um currículo de ator

SAIBA MAIS

Ponto | 30/ 06/ 2015

Ponto | O nu coletivo no teatro brasileiro

SAIBA MAIS

Ponto | 23/ 06/ 2015

Ponto | Pequena biblioteca para atores

SAIBA MAIS