Gianfrancesco Guarnieri
De Enciclopedia do Teatro
Gianfrancesco Guarnieri (Milão/Itália, 1934 - São Paulo/SP, 2006) foi ator, diretor e dramaturgo.
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Biografia
Gianfrancesco Sigfrido Benedetto Martinenghi de Guarnieri, ou apenas Gianfrancesco Guarnieri nasceu em Milão, na Itália, no dia 6 de agosto de 1934. Quando tinha dois anos, seus pais, o maestro Edoardo Guarnieri e a harpista Elsa Martinenghi, decidiram mudar-se para o Rio de Janeiro, por causa da onde fascista que tomava conta do país. Na década de 50, mudam-se para São Paulo, onde ele se torna líder estudantil e começa a fazer teatro amador com Oduvaldo Vianna Filho. Em 1955, eles criam o Teatro Paulista do Estudante, com orientação de Ruggero Jacobbi. Um ano depois, unem-se ao Teatro de Arena de São Paulo, fundado e dirigido por José Renato.
Durante dois anos, atua nos espetáculos "Escola de Maridos" e "Dias Felizes", direção de José Renato, e "Ratos e Homens", dirigido por Augusto Boal. Em 1958, durante uma crise do Teatro de Arena, o texto "Eles Não Usam Black-Tie", escrito por Guarnieri, é o escolhido para driblar a situação econômica deficitária. O público recebe bem a estreia do novo dramaturgo que coloca em cena, pela primeira vez na história do teatro brasileiro, a vida de operários durante uma greve. A montagem, dirigida por José Renato, transforma-se num sucesso estrondoso e Guarnieri passa para a história como um autor preocupado com a realidade, com densidade dramática, e coragem em abordar problemas sociopolíticos.
Devido ao sucesso, foi convidado pelo diretor Sandro Polloni para escrever uma peça para a companhia de Maria Della Costa. Em 1959, estreia "Gimba", com direção de Flávio Rangel, sobre a vida nos morros cariocas, em forma de musical. Em 1961, o TBC monta "A Semente", també dirigido por Rangel. A peça, abertamente política, abordava a militância comunista, criticando tanto os métodos da direita quanto da esquerda. Problemas com a censura e o desinteresse do público que frequentava o TBC determinaram a curta carreira do espetáculo.
Em 1962, ele volta para o Teatro de Arena, como ator, autor e sócio proprietário. Com Augusto Boal, Paulo José, Juca de Oliveira e o cenógrafo Flávio Império, o grupo montou várias peças, como "A Mandrágora", de Maquiavel (1962), e "O Melhor Juiz, o Rei", de Lope de La Vega (1963).
"O Filho do Cão", em 1964, o novo texto de Guarnieri desde A Semente, trata da questão do misticismo religioso e da reforma agrária já em um turbulento contexto político. Com a Revolução de 64, tanto ele como outros autores resolvem utilizar uma linguagem metafórica e alegórica. Daí, nascem os musicais "Arena conta Zumbi" e "Arena conta Tiradentes". Nos anos 70, prossegue com o estilo, em "Castro Alves Pede Passagem", 1971, "Um Grito Parado no Ar", 1973, e "Ponto de Partida", 1976.
A partir da década de 80, sua carreira como autor de teatro se torna esparsa. Em 1988, escreve "Pegando Fogo Lá Fora"; em 1995, escreve "A Canastra de Macário"; em 1998, com o filho Cláudio Guarnieri escreve a peça "Anjo na Contramão". Sua última peça foi "A Luta Secreta de Maria da Encarnação", em 2001.
Subiu num palco pela última vez no dia 15 de agosto de 2005. Fez o papel de Marcelo Belluomo na gravação da peça "Você tem medo do ridículo, Clark Gable?", de Analy Alvarez, com direção de Roberto Lage, para o programa "Senta que Lá Vem Comédia", da TV Cultura. O programa contou com a participação das atrizes Arlete Montenegro, Sônia Guedes, André Latorre, Neuza Velasco e o ator Luiz Serra.
Guarnieri casou-se pela primeira vez em 1956 com a jornalista Cecília Thompson, com quem teve dois filhos, Paulo e Flávio Guarnieri, ambos também atores. Com sua companheira dos últimos 40 anos, Vanya Sant'Anna, teve mais três filhos, Cláudio (Cacau), Mariana (que também seguiram carreira teatral) e Fernando Henrique.
Entre 1984 e 1986, durante o governo de Mário Covas, foi secretário da Cultura da Cidade de São Paulo.
Autor
- 1958- Eles Não Usam Black-Tie
- 1959- Gimba
- 1960- A Semente
- 1964- O Filho do Cão
- 1964- O Cimento
- 1964- História de um Soldado
- 1965- Arena Conta Zumbi
- 1967- Arena Conta Tiradentes
- 1967- A Criação do Mundo Segundo Ari Toledo
- 1968- Animália
- 1969- Marta Saré
- 1971- Castro Alves Pede Passagem
- 1972- Botequim
- 1972- Basta!
- 1973- Um Grito Parado no Ar
- 1976- Ponto de Partida
- 1979- Que País É Esse, Que Zorra!
- 1979- Crônica de um Cidadão sem Nenhuma Importância
- 1988- Pegando Fogo...Lá Fora
- 1994- Que Fazer Leonel?
- 1995- A Canastra de Macário
- 1998- Anjo na Contramão
- 2001- Luta Secreta de Maria da Encarnação
Interpretação
- 1955- O Inspetor Está Lá Fora, de J. B. Priestley, direção de Raymundo Duprat
- 1956- Escola de Maridos, de Molière, direção de José Renato
- 1956- Dias Felizes, de Claude-Andre Puget, direção de José Renato
- 1956- Ratos e Homens, de John Steinbeck, direção de Augusto Boal
- 1957- Enquanto Eles Forem Felizes, de Vernon Sylvaine, direção de José Renato
- 1957- Só o Faraó Tem Alma, de Silveira Sampaio, direção de José Renato
- 1957- Juno e o Pavão, de Sean O'Casey, direção de Augusto Boal
- 1958- Eles Não Usam Black-Tie, de Gianfrancesco Guarnieri, direção de José Renato
- 1959- Gimba, de Gianfrancesco Guarnieri, direção de Flávio Rangel
- 1960- A Semente, de Gianfrancesco Guarnieri, direção de Flávio Rangel
- 1961- As Almas Mortas, de Nikolai Gogol, direção de Flávio Rangel
- 1961- A Escada, de Jorge Andrade, direção de Flávio Rangel
- 1962- A Mandrágora, de Maquiavel, direção de Augusto Boal
- 1963- O Melhor Juiz, o Rei, de Lope de Vega, direção de Augusto Boal
- 1964- O Filho do Cão, de Gianfrancesco Guarnieri, direção de Paulo José
- 1964- Tartufo, de Molière, direção de Augusto Boal
- 1965- Arena Conta Zumbi, de Augusto Boal e Gianfrancesco Guarnieri, direção de Augusto Boal
- 1966- O Inspetor Geral, de Nikolai Gogol, direção de Augusto Boal
- 1967- Arena Conta Tiradentes, de Augusto Boal e Gianfrancesco Guarnieri, direção de Augusto Boal
- 1967- O Círculo de Giz Caucasiano, de Bertold Brecht, direção de Augusto Boal
- 1967- La Moschetta, de Angelo Beolco, direção de Augusto Boal
- 1968- Animália, de Gianfrancesco Guarnieri, direção de Augusto Boal
- 1968- A Resistível Ascensão de Arturo Ui, de Bertold Brecht, direção de Augusto Boal
- 1968- Arena Conta Tiradentes, de Augusto Boal e Gianfrancesco Guarnieri, direção de Augusto Boal
- 1969- Marta Saré, de Edu Lobo e Gianfrancesco Guarnieri, direção de Fernando Torres
- 1970- Don Juan, de Molière, direção de Fernando Peixoto
- 1971- Putz, de Murray Schisgal, direção de Osmar Rodrigues Cruz
- 1976- Ponto de Partida, de Gianfrancesco Guarnieri, direção de Fernando Peixoto
- 1981- Pegue e Não Pague, de Dario Fo, direção de Gianfrancesco Guarnieri
- 1988- Pegando Fogo...Lá Fora, de Gianfrancesco Guarnieri, direção de Celso Nunes
- 1995- A Canastra de Macário, de Gianfrancesco Guarnieri, direção de José de Anchieta
Direção
- 1971- Castro Alves Pede Passagem
- 1980- Pegue e Não Pague
- 1995- Doldrum, a Travessia de Jofé
Televisão
- 1967- O Tempo e o Vento (Excelsior)
- 1967- A Hora Marcada (Tupi)
- 1968- O Terceiro Pecado (Excelsior)
- 1968- A Muralha (Excelsior)
- 1969- Os Estranhos (Excelsior)
- 1969- Dez Vidas (Excelsior)
- 1970- Meu Pé de Laranja Lima (Tupi)
- 1971- Nossa Filha Gabriela (Tupi)
- 1972- Signo da Esperança (Tupi)
- 1972- Camomila e Bem-Me-Quer (Tupi)
- 1973- Mulheres de Areia (Tupi)
- 1974- Os Inocentes (Tupi)
- 1977- Éramos Seis (Tupi)
- 1978- Roda de Fogo (Tupi)
- 1981- Rosa Baiana (Bandeirantes)
- 1981- Jogo da Vida (Globo)
- 1982- Sol de Verão (Globo)
- 1983- Sabor de Mel (Bandeirantes)
- 1984- Vereda Tropical (Globo)
- 1986- Cambalacho (Globo)
- 1987- Helena (Manchete)
- 1987- Mandala (Globo)
- 1989- Que Rei Sou Eu? (Globo)
- 1989- Cortina de Vidro (SBT)
- 1990- Rainha da Sucata (Globo)
- 1991- Mundo da Lua (Cultura)
- 1992- Anos Rebeldes (Globo)
- 1993- O Mapa da Mina (Globo)
- 1994- Incidente em Antares (Globo)
- 1995- A Próxima Vítima (Globo)
- 1996- Razão de Viver (SBT)
- 1997- Canoa do Bagre (Record)
- 1998- Serras Azuis (Bandeirantes)
- 1998- Meu Pé de Laranja Lima (Bandeirantes)
- 1999- Terra Nostra (Globo)
- 2000- Vidas Cruzadas (Record)
- 2004- Metamorphoses (Record)
- 2002- Esperança (Globo)
- 2006- Belíssima (Globo)
Cinema
- 1958- O Grande Momento, de Roberto Santos
- 1976 - O Jogo da Vida, de Maurice Capovilla
- 1980- Gaijin – Os Caminhos da Liberdade, de Tizuka Yamazaki
- 1980- Asa Branca - Um Sonho Brasileiro, de Djalma Limongi Batista
- 1981- Eles Não Usam Black-Tie, de Leon Hirszman
- 1983- A Próxima Vítima, de João Batista de Andrade
- 1990- Beijo 2348/72, de Walter Rogério
- 1995- O Quatrilho, de Fábio Barreto
- 1998- Contos de Lygia, de Del Rangel
