Papo com Paroni | Drama e amor confessional

Publicado em: 07/05/2015

* por Mauricio Paroni de Castro, especial para a SP Escola de Teatro
 
Confessar no teatro é um desafio. A forma da confissão é quintessencial no teatro.  Paradoxalmente, ela deixa de ser teatro ao valorizarmos a confissão com a verdade por ela mesma sugerida. Ninguém anda por ai confessando a verdade como vemos acontecer nas ficções de proscênio. Resta, portanto, uma desafio existencial a derrotar aquele paradoxo: a situação extrema, a adrenalina acima do esporte e dos hospitais, uma exacerbação. A maioria dos que vemos agir assim são os loucos, os condenados, os desesperados, os rezadores, os amantes, os moribundos, os luxuriosos. E por isso não dá para acreditar nos 98 % dos atores que, serenos, representam que são atores, que fingem que estão fingindo, que não assumem a arte que fazem, que não sujam a estética, que são parvos verossímeis a usurpar o direito dos loucos críveis.
 
Para quem quiser um teatro muito acima das mortalhas do mainsteam , basta ver – nas próximas duas semanas – duas atrizes em notáveis confissões culturais e politicas: Ester Goes na Mãe Coragem de Determinadas Pessoas e Cleo de Paris em Jantar em Casa do Sr. Ludwig.
 
Paul Avril – Les Sonnetts Luxurieux (1892), de Pietro Aretino
 
Infelizmente, o percurso deste artigo é obrigado a ser literário – por ser escrito no papel. Adaptei e traduzi as confissões que seguem, referencias importantes e menos famosas de uma dramaturgia escrita que data do Renascimento ao fim do século XIX. É italiana, exceção concedida a Shakespeare e a Thomas Kid, naquele teatro vivo o mambembe redundou na commedia dell arte. A dramaturgia não escrita das relações humanas fez com que aqueles atores excepcionais com ela operassem uma ligação direta e explosiva entre o amor e a existência confinada hipocritamente na institucionalidade dos lençóis nupciais.
 
***
 
Subversor das comedias aceitas no Renascimento, o poeta escritor e dramaturgo Pietro Aretino (1492-1556) retratou a realidade das cortes do século XV. Desfilam em sua obra pedantes, servos, parasitas, maridos, esposas, apaixonados. O corcunda Messer Platoaristoteles de O Filosofo (1546) certamente não fugiu à atenção de Shakespeare ao compor a Megera Domada.
 
Messer Plataristoteles (só):

Outro será o discurso sobre como de deve proceder para que mulher de apetite insaciável e de natureza imperiosa não seja privada de fazer aquilo que não se deve fazer; seja, pois, declarado que o infinito pode ser contido pelo finito, e que infinita beleza pode estar impressa em mente finita. Será boa atitude se o engenho especulativo considerar que todo um hemisfério é visto pelo olho, impresso por mínima pupila – não segundo a grandeza e a natureza celeste – mas enquanto capacidade de sua virtude e propriedade. Mas o mesmo engenho saberia, porém, investigar como no coração tão pequeno de uma mulher viva uma alma tão intensa a ponto de enfrentar o terrível risco de atingir os desejos ali encerrados? O olho da águia vê transfigurar-se em si o grande Sol não como este o seja, ma como a visão do pássaro é capaz de recebê-lo. Urge de se considerar a descoberta do modo possível de reconhecer-se o caminho que você se trilhar para satisfazer a mulher. Tal matéria depende, afinal, do marido ser sapiente, do marido ser prudente, do marido ser esperto. As mulheres são feitas, pela natureza, do mesmo modo que as plantas; isso, digo, posto que a frutos elas reproduzem e às crianças procriam; e, como por falta de ar, de sol e de chuva as árvores se secam, assim se dará ao privá-las de requisitados direitos de carnalidade e de cópula: desse modo, as fêmeas se zangarão. Declaro, pois, que o desejo por que ardem na conjunção com o homem nasce de alma natural e não de mente libidinosa; será necessário, portanto, que se observe determinado privilégio decorrente da santidade do matrimonio que impera até onde a justiça se converte em tirania – se lhes privarmos dos seus direitos; Privilégio que deverá imperar mesmo se, na mulher, formar-se qualquer malícia ou lascívia: a integridade do marido então as instruirá de modo que todas as suas insolências se conformarão à prudência do marido. É certo que o asseio do consorte detém o vício da esposa, sob temor de serem réus da severidade da lei; não se duvide da prudência destas para que não se incentive a perversidade; prudência é simples cinta gradeada do barco que navega com as feras nela confinadas. Enfim, os deveres devidos do marido às mulheres se assemelham à sebe cujos espinhos circundam a horta, disposta de modo que a ninguém seja dado de roubar-lhe as frutas, como normalmente ocorre quando há brechas naquela primeira. Concluo, por fim, com o exemplo dos lobos, ursos e leões que, ao temer a vara daqueles que os amestram, mudam a natural ferocidade do costume para uma artificiosa mansidão.
 
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Em Medida por medida, de William Shakespeare (1564-1616), o Duque de Viena, para controlar a moralidade, ordena a Ângelo condenar à morte um rapaz por ter engravidado a namorada. A Irmã do rapaz, Isabella, uma noviça, implora-lhe misericórdia. Ângelo se dá conta de que se apaixonou pela noviça contra a sua vontade.  
 
Ângelo:
O que é isso? O que é? Culpa dela? Minha? Quem provocou, quem foi provocado? Quem é que peca mais, humm? Ela, não. Não foi ela quem me provocou, mas fui eu quem se jogou no Sol ao lado da violeta, e, como carniça – não como flor –, agora apodrece em plena estação dos brotos. Será que o pudor da mulher traiu o sentido mais que a sua leviandade? Com tanto terreno baldio dentro de nós, vamos sempre demolir o santuário para erguer a latrina? Que vergonha! Vergonha! Vergonha! O que é que você está fazendo, o que é você é, meu anjo? Desejo a menina pelo que faz dela uma moça honesta? Oh, então que o irmão dela continue vivo! O ladrão tem todo o direito de roubar quando o juiz rouba. Talvez eu a ame, porque desejo ainda ouvir a sua voz e deliciar-me com os seus olhos. Mas o que é que estou sonhando? Oh, inimigo esperto, que para capturar o santo expõe uma santa como isca no anzol! A maior tentação é essa: pecar pelo amor da virtude. Puta nenhuma abalou os meus sentidos, nem por beleza, nem por esperteza, por mais fortes que fossem. Mas essa menina tão virtuosa me dominou. Até hoje eu ria de quem perdia a cabeça desse jeito, e me perguntava como isso fosse possível.
 
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O francês Pierre de Baumarchais (1732-1799), homem de negócios e diplomata, foi um dramaturgo de ocasião com sucesso popular. O Matrimônio de Fígaro (1784) advertia sobre as mudanças sociais necessárias ao Ancient regime. Fígaro, descendente dos zanni da commedia dell’ arte, vira “político”, anuncia a revolução social que não tardou a chegar.
 
Figaro (Só, na penumbra, com ar tétrico):
Ò mulher! mulher! mulher! criatura frágil e mentirosa… nenhuma criatura da natureza desobedece ao próprio instinto. Seria este a traição?… Depois de ter farejado com tanta obstinação, quando eu procurava convencê-la na presença da patroa; no mesmo momento em que se ligava a mim, bem no meio da cerimonia… ria, o pérfido!… Não, senhor Conde, o senhor não a terá, não a terá. Porque se o senhor é um grande nobre, não pense que é um grande gênio!… Nobreza, riqueza, graus, cargos, fazem-nos soberbos, só isso! Mas o que é que o senhor fez para merecer tanta sorte? Só se deu ao trabalho de nascer. Basta. De resto, o senhor é um homem comum! Enquanto eu, por Baco!, na multidão anônima, somente pela sobrevivência tive que explicar com ciência e atenção o que nem em cem anos seria preciso explicar para governar todas as Espanhas do mundo! E o senhor ainda quer competir comigo?… Vem alguém… é ela… não… ninguém… a noite está negra como o diabo, e o estúpido aqui no papel do marido, mesmo somente a pela metade! (senta-se num banco) Há alguma coisa no mundo mais bizarro que o meu destino? Filho de quem não conheço; raptado e criado por bandidos, logo luto levar uma vida honesta, mas acabo rejeitado em todos os lugares! Aprendo química, farmácia, cirurgia, e o apoio de um grande nobre, com muito custo, consegue me por em mãos… um bisturi de veterinário! Cansado de cuidar de animais doentes, jogo tudo no teatro; antes tivesse amarrado uma pedra ao pescoço! Escrevo uma comédia passada num harém: como espanhol, creio ter a liberdade de criticar Maomé sem tantas censuras. Imediatamente, um enviado vai saber de onde, reclama que meus versos, ofendem a Pérsia inteira, parte da Índia, o Egito inteiro, os reinos de Barca, de Trípoli, de Túnis, da Algéria e do Marrocos. A minha comédia foi queimada para agradar a príncipes que sequer sabem ler, e sou xingado de cão cristão! – não podendo aviltar a inteligência, todos se vingam, maltratando-a. As bochechas, enquanto isso, murchavam, o aluguel estava atrasado: já via diante de mim a terrível figura do cobrador se aproximando com a pena enterrada na peruca; assustado, ponho-me a espremer o cérebro. Nisso, surge uma discussão sobre a natureza da riqueza; e como não é necessário possuir as coisas para se pensar nelas, mesmo sem ter um tostão no bolso, ponho-me a escrever sobre o valor do dinheiro e seu rendimento: imediatamente, do fundo de uma carroça, vejo baixar a ponte da fortaleza sobre a qual já abandonava a esperança e a liberdade. (levanta-se) Ah, esses poderosos que dão ordens malvadas tão facilmente… como gostaria de ter um nas mãos, depois que uma boa desgraça lhe tivesse derretido o orgulho! Diria… que todas as baboseiras que se publicam viram importantes somente nos países onde se impede a difusão delas; que sem a liberdade de criticar não pode existir elogio; e que somente os homens pequenos temem os pequenos escritos. (senta-se) Cansados de sustentar um hóspede obscuro, fui posto de novo na rua; e como é preciso almoçar mesmo estando fora da prisão, apontei de novo a minha pena… pergunto a todos qual é o argumento do dia: dizem-me que, durante o meu retiro, foi instituído em Madrid um regime de liberdade de imprensa; Posto que meus escritos não fazem parte da autoridade, nem do culto, nem da política, nem da moral, nem das pessoas de alta colocação, nem dos institutos de crédito, nem da ópera, nem de outros espetáculos, nem de qualquer um que mande em alguma coisa, eu posso publicar o que bem entender, prévio controle de dois ou três censores. Para usufruir dessa doce liberdade, anuncio a publicação de um periódico e, acreditando não pisar no calo de ninguém, dou a ele o nome de “Jornal Inútil”. Paff! Sou imitado por cem mil pobres-diabos com a pena em mãos, o jornal é suprimido, e de novo fico sem trabalho! – O desespero estava tomando conta de mim mais uma vez, quando alguém pensou em me achar um emprego; Mas, desgraçadamente, precisavam de um contador e foi um bailarino a obtê-lo. Não me restava nada além de roubar; viro tomador de contas de um faraó: então, boa gente!, janto todas as noites na cidade e as, por assim dizer, pessoas de bem, abrem-me gentilmente as suas casas, embolsando os três quartos de meus ganhos. Teria podido voltar à tona muito bem; comecei a entender que, para fazer fortuna, saber fazer conta mais que o saber em si. Mas todos me embrulhavam pretendendo-se honestos; sucumbi mais uma vez. O golpe foi tão forte que me abandonei ao mundo, e vinte braças de água estavam já para me afastar de tudo, quando um Deus benéfico me chama à minha primitiva profissão. Retomo o meu estojo e o meu couro inglês; depois, deixando a fumaça aos bobos que dela se alimentam, e a vergonha no meio da rua, sigo barbeando de cidade em cidade; finalmente vivo sem preocupações. Um dia aparece em Sevilha um grande senhor que me reconhece e eu consigo a ele um casamento; agora, obtida a esposa por minha causa, como premio avança sobre a minha! Intrigado e confuso a ponto de cair no abismo, próprio quando estou por esposar-me, eis que me saltam aos olhos os pais, um um depois do outro. (levanta-se, no calor da revelação). Começam a discutir, é você, é ele, sou eu, são eles: não , não somos nós, ehi, mas quem é, afinal? (senta-se) Estranhos acontecimentos! Por isso e não aquilo? Quem me pôs essas coisas na cabeça? Obrigado a refazer o caminho em que estava sem saber, assim como dele sairei sem desejar, cobri-a com as flores que toda a minha loucura me deu: digo a minha loucura sem saber se pertence a mim mais que todo o resto, e sem nem saber o que seria este Eu do qual estou falando: um conjunto formado de partes desconhecidas, um individuo desgraçado e imbecil; um animal engraçadinho; um jovem ávido de prazeres; que sabe gozar de todas as maneiras, e que exerce qualquer profissão para poder sobreviver: aqui, patrão, lá, servo, seguindo os caprichos da sorte; ambicioso por vaidade, trabalhador por necessidade, canastrão… com prazer! Orador de acordo com o perigo, poeta por consolo, músico por ocasião, apaixonado por impulsividade; vi de tudo, fiz de tudo, tentei de tudo. Ao fim, a ilusão acabou, e desiludido demais… desiludido! … desiludido!… Ah, Susana, Susana, Susana! Quanto tormenta me dás!…
 
***
 
A Esposa Ideal (1890), do milanês Marco Praga (1862-1929), enuncia valores burgueses dominantes no comportamento familiar: a esposa infiel se despede do amante. Por quase todo o período realista, o teatro italiano manteve a obsessão do casamento e temas conexos. Às portas da dissolução da belle epoque e da ilusão de que o mundo industrial seria um paraíso de paz, esse antecessor direto da revolução formal Pirandelliana abriu o caminho da expressão dessa crise ainda não superada.
 
Giulia (a Gustavo):
Quer que eu diga a verdade? (chega perto dele) Você não vale nada mais que um outro qualquer. Segurou-me por dois anos, enquanto foi conveniente. Depois, cansado do hábito, por inércia ou por medo, arrastou  esse amor como uma corrente que não conseguiu quebrar. Você não vale mais que um outro qualquer! Um homem de verdade – e não um fantoche – teria tido a coragem de me dizer isso. Poderia ter dito sem medo a uma mulher como eu. Você sabe muito bem que mesmo se eu te amasse ainda – juro que não te amo mais – eu nada teria feito para me agarrar a você; porque tem uma coisa que prezo mais que você. Assim, você chegou a esse lindo resultado: sou eu quem te deixa. Eu, sim, porque se eu quisesse, poderia te segurar só para me vingar. Você teria aceitado o jogo porque teria tido medo. Eu poderia ter te segurado e até me divertido, agora que não te amo mais. Um fantoche como você não se rebela; não teria mesmo valido a pena. Tranquilize-se. Veja como eu estou tranquila! Mas cuidado: repito o que disse pessoalmente a Monticelli: cuidado com o que vai fazer. Case-se ou não – não me interessa – salve as aparências diante de meu marido. Não desapareça de repente de um jeito que ele não entenda a atitude. Ele poderia… duvidar. Surpreender-se, repassar o passado, o que aconteceu ontem, reconstruir tantos pequenos fatos… e perder aquela completa, aquela confiança cega que tem em mim Confiança que faço tanta questão de ter, e da qual tenho tanta necessidade!… Ah! Ah! Quero continuar a fazer aquilo que quero, ter até um outro amante, se me agradar, sem que eu tenha que fingir ainda mais e melhor do que eu tenho fingido até hoje. Além disso, você sabe, quero muito bem a meu marido… do meu jeito, entenda-se, gosto mesmo dele, e não quero lhe causar nenhuma preocupação. Estamos conversados? Volte quando quiser, quer dizer, quando aquele resto de honestidade ou de bom senso que te sobram ainda acharem isso conveniente. E não tenha medo de me machucar, não acredite que a tua lembrança me tire o sono e o apetite. Não! Será muito chato para mim te receber de novo, assim como a você voltar aqui… Mas é necessário! Você pode se gabar de ter se saído bem, mas esqueça a possibilidade de se arrepender. Não te amo mais… Nem sei se um dia eu tenha te amado… parece impossível que eu tenha amado um homem como você. Ainda ontem despedi-me de você dizendo: “Nem pense em se casar com ela!” Mas era só o nervosismo do momento. Mudei de idéia; Agora digo: “Casa mesmo!” Coitada! Tenho pena dela! E não se iluda de que ela vai te amar como eu te amei… isso… eu espero que ela seja mais inteligente e entenda logo que não vale a pena te amar; é perda de tempo!… Oh! uma ultima coisa. Tenha a fineza de devolver tudo o que recebeu de mim: cartas, retratos, bilhetes… Cuidado, mande tudo, que nada falte. Não cometa a última covardia de ficar com alguma coisa. É, não convém se gabar ou se arrepender de ter sido o meu amante… vou mandar buscar tudo amanhā. Estamos conversados? Estamos conversados?
 
***
 
Em como a esposa era vista pelo amante:
 
Gustavo:
Seriamente! Aquela mulher estranha, incompreensível para quem a vê na vida doméstica a saber que é infiel, resolveu o problema de estar com dois homens ao mesmo tempo. Com um, está com o corpo e o coração. Com o outro, està com a alma e o cérebro. Assim, consegue ser amante apaixonada e mulher afetuosa. Razão por que o marido a recompensa com grandíssimo afeto e nem sonha duvidar dela!… Diga-me: de tantas mulheres adúlteras, porque, cedo ou tarde, o marido acaba por perceber a falta? Em primeiro lugar, porque è a mulher mesma quem o revela. Isso mesmo! A partir do momento que tem um amante a mulher passa a ter tédio com o marido. Trata-o com indiferença, descuida-se dele, nega qualquer afeto. O pobre homem, que assiste a mulher a deixar de gostar dele, deve pensar que alguém ou alguma coisa se pôs em seu lugar. E começa a duvidar, a desconfiar. Começa a estudar a mulher, suas atitudes, suas palavras. A duvida cresce. Indaga, espia, arma a arapuca e descobre o amante… (…) Mas você não tem idéia de como Giulia trata aquele marido. È um poema de afetuosidade, de perfeição, de cuidados ininterruptos e incansáveis. Aqui deste lado, è ousada no amor. Nada a faz recuar, não tem medo de nada… (…) Depois de ter ter-me encontrado, volta para o marido sem cara feia, não se envergonha, não se aborrece. Ao contrário, volta toda faladeira, alegre, afetuosa. E no mesmo dia, para cúmulo da precaução, leva uma lembrancinha, um bibelozinho, uma coisinha de nada, para demonstrar que se lembra dele o tempo todo, esteja perto ou longe; (…) … e ele, mesmo sem ser um bobo, aliás, não sendo bobo por nada, terá, depois de uma coisa dessas, imaginado tudo, menos a infidelidade da mulher.
 
Às portas da implosão da belle epoque iludida de que o mundo industrial seria um paraíso de paz e consumo, Marco Praga foi antecessor vertigem formal pirandelliana que abriu a teatralização daquela crise ainda não superada. Centro da dramaturgia do século vinte, periferia do contemporâneo, é matéria humana que somente o teatro tratou de maneira tão aguda e vertiginosa – pela intrínseca imprecisão constitutiva de sua abrangência via relações humanas.
 

 

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