A Escola / RETROSPECTIVAS



As Muitas Faces de uma Escola


“O mundo está em crise e o teatro acompanha este momento de difícil transição. Tudo e todos parecem estar desorientados. O realismo foi superado, o pós-dramático, o pós-moderno. Neste contexto, uma instituição como a SP Escola de Teatro – Centro de Formação das Artes do Palco é algo muito bem-vindo. Em meio a esta Babel em que se encontra o mundo, uma escola que oferece técnicas diversas é de extrema importância, para que, assim, surja a inspiração.” Com a frase acima, o dramaturgo e diretor Antunes Filho oferece seu ponto de vista sobre a Instituição.

Três anos se foram e a Instituição, que surgiu de um desejo de criar um centro formador das artes do palco a jovens interessados no estudo e na profissão do artista teatral, amadureceu. “Do ponto de vista conceitual, a Escola percebeu que o foco deve ser o mundo contemporâneo, a experiência teatral baseada em materiais próximos de nossa realidade”, diz Rodolfo García Vázquez, coordenador do Curso de Direção da Instituição.

“Estruturalmente, os fundamentos mantêm-se vivos, mas vários aspectos mudaram radicalmente. O ciclo processo/experimento/avaliação e formação originalmente eram feitos após o módulo completado. Atualmente, o ciclo é realizado três vezes durante o Módulo”, continua Vázquez.

As mudanças se deram a partir de avaliações periódicas, realizadas tanto pela própria equipe pedagógica quanto pelos aprendizes. Esta forma dinâmica de ensino tem levado a direção da SP Escola de Teatro a redimensionar frequentemente seus critérios e procedimentos.

“São exatamente essas possibilidades que permitem pensar o processo artístico e pedagógico da Escola de maneira sistêmica. Processo que se altera, transforma-se na relação com o próprio teatro, com os aprendizes envolvidos nas proposições de criação e estudo”, complementa Joaquim Gama, coordenador pedagógico da Instituição.

Vázquez observa que o processo de amadurecimento das escolhas pedagógicas e artísticas foi determinante. Neste período, ele diz, a Escola mostrou-se antenada e disposta a exercer um papel importante no mundo globalizado. “Passei uma semana em Estocolmo, em contato com grandes pedagogos teatrais suecos, que mostraram um interesse enorme em realizar um rico intercâmbio com a SP Escola de Teatro. Trata-se de uma semente considerável para o futuro das nossas relações internacionais”, diz ele, que percebe que, apesar de a instituição ter pouco mais de três anos, teve desenvolvimento e maturação vertiginosos.

Abertura da Sede Roosevelt


A abertura da Sede Roosevelt foi uma experiência emocionante para todos os envolvidos na criação da Instituição. Especialmente para aquele grupo de fundadores que, há quatro anos, se reunia uma vez por semana na Praça, às sextas pela manhã, sonhando com uma escola ideal, que ocuparia um prédio desocupado ali mesmo, na Praça Roosevelt. “Ver que tudo o que sonhamos se transformou em uma realidade ainda mais maravilhosa do que imaginávamos é a prova cabal de que artistas podem fazer muita coisa, sempre. Basta estarmos atentos, confiar e lutar”, afirma Ivam Cabral, diretor executivo da Instituição .

“Foi muito esperada data da abertura da Sede Roosevelt da Instituição. O projeto começou a ser pensado a partir desta praça. Mas, além disso, este ano, também conquistamos a Sede Brás, que passa a ser um dos endereços definitivos da SP Escola de Teatro”, diz Ivam.

As aulas e atividades, agora, acontecem nos dois endereços. “Isso permite colocar os aprendizes em constante processo de deslocamento. Cada Território da Escola oferece possibilidades criadoras e processuais que trazem contribuições ao processo de aprendizagem artística dos aprendizes”, observa Vázquez.

Diálogos


Continuidade do projeto que teve início em 2011, a edição 2012, denominada Diálogos da SP, teve a presença da atriz Lilia Cabral, que se encontrou com os aprendizes, na Sede Roosevelt. Durante o encontro, ela compartilhou sua experiência de três décadas trabalhando com teatro, falando de sua carreira, desde os tempos em que se formou pela Escola de Arte Dramática da Universidade de São Paulo (EAD/USP), onde montou, ao lado de colegas de turma, a Companhia Dramática Piedade, Terror e Anarquia. Falou ainda da sua participação em dezenas de produções globais, entre novelas e especiais, recebendo vários prêmios. Por uma delas, “Páginas da Vida” (2006), chegou a ser indicada ao Emmy Internacional 2007, na categoria de melhor atriz.

Cabarezim


Aos sábados, no intervalo entre as aulas do período matutino e vespertino, os aprendizes de Humor passaram a manter um encontro movido a gargalhadas. Pouco a pouco, a reunião se consolidou, ganhou periodicidade e um nome: Cabarezim. A ideia deu certo e surgiu a oportunidade de expandir o projeto e abri-lo para que o público externo também se divertisse. Assim, na Sede Roosevelt da Instituição, o Cabarezim dá as boas-vindas a quem quiser “visitá-lo”.

Idealizado pelo aprendiz de Humor Caique Torresmo, o projeto foi concebido com o intuito de dar continuidade às cenas criadas em sala de aula. “Após perceber que algumas cenas interessantes acabavam morrendo na sala, propus à minha turma (do período vespertino) que nos reuníssemos um dia por semana, fora do horário de aula, para apresentarmos as cenas e aprimorá-las”, lembra.

No Cabarezim, um participante apresenta uma cena cômica – esquete, clown, stand-up ou qualquer outra do gênero – e, na sequência, os demais comentam a respeito. “É uma espécie de direção coletiva”, conta Torresmo.

Exposição Nelson Rodrigues


A mostra comemorativa “Nelson Rodrigues: Toda Nudez Será Castigada” ocorreu entre 11 de agosto a 8 de setembro, na Sede Roosevelt. J.C. Serroni, coordenador dos cursos de Cenografia e Figurino e Técnicas de Palco da Escola, curador e coordenador geral da mostra, apresentou ao público 15 maquetes criadas ao longo do último semestre pelos aprendizes da Escola, que se debruçaram sobre a obra de Nelson, especialmente sobre a peça “Toda Nudez Será Castigada”, realizando um trabalho prático de cenografia.

Aprendizes adotaram como material de pesquisa, além das aulas, livros, vídeos, filmes, catálogos e espetáculos, palestras de diretores e cenógrafos, como Antunes FilhoMarco Antonio BrazMarcelo Denny e Márcio Tadeu.

“No início do ano, nós, do curso de Cenografia e Figurino, pensamos em homenageá-lo, não por meio de um evento, mas de um ‘debruçar’ sobre sua dramaturgia, realizando uma vasta pesquisa de caráter pedagógico sobre sua obra. Nesse processo, os aprendizes investigaram todas as possibilidades que seus textos proporcionam, desde visões mais realistas até grandes viagens simbólicas e de interpretação”, explicou Serroni, na abertura da mostra.

O resultado das criações, que representam espaços de vários tipos, de palcos italianos a salas de uso múltiplo, de subterrâneos da Avenida Paulista ao Minhocão, demonstrou, segundo o coordenador, “tão rico material”, que a SP Escola de Teatro decidiu estender os experimentos da sala de aula para o público externo.

A mostra foi abrigada por uma cenografia especial criada por aprendizes, formadores e o coordenador. Dentro dela, foi visto um pequeno cenário em escala real, construído pelos aprendizes de Técnicas de Palco, fazendo com que o visitante adentrasse na atmosfera do espírito rodrigueano. A exposição incluiu, ainda, maquetes de cinco cenografias feitas por Serroni, além de projetos de figurinos desenhados por ele e Telumi Hellen, formadora do curso de Cenografia e Figurino da Escola, para peças de Nelson.

SP em Números


A SP Escola de Teatro – Centro de Formação das Artes do Palco em números Cursos Regulares
7 coordenadores;
8 formadores;
17 artistas residentes;
104 aprendizes que completaram o ciclo de quatro módulos;
165 artistas convidados;
4.935 horas/aulas com artistas convidados;
48 Territórios Culturais (encontros realizados aos sábados e abertos à comunidade);
265 atividades externas;
82 palestras;
15.360 horas/aula para os Cursos Regulares;
367 aprendizes no primeiro semestre e 353 no segundo;
2.461 candidatos inscritos no Processo Seletivo concorreram às  139 vagas disponíveis para 2013;

Extensão Cultural
13 Mesas de Discussão (debates abertos à comunidade);
46 convidados para as Mesas;
800 pessoas formaram o público das Mesas;
44 Bate-Papos Online para aproximadamente 2.000 participantes ativos;
38 orientadores;
990 vagas foram oferecidas nos 30 Cursos de Extensão Cultural;
4.043 candidatos inscritos;
1.920 horas/aula;

Programa Kairós
1 colaborador, Tato Consorti, foi conhecer, em nome da SP Escola de Teatro, a Escuela Nacional de Teatro da Bolívia, entre os dias 16 e 19 de abril, na cidade de Santa Cruz de la Sierra.
2 Editais da Bolsa-Oportunidade foram publicados;
Em 10 meses, foram pagas 1.581 parcelas da Bolsa-Oportunidade no valor de R$ 545,00 cada uma;
120 oportunidades de trabalho/emprego divulgadas;
28 estágios profissionais oficializados;
12 formalizações de convênios e parceiras com empresas ligadas às artes do espetáculo;
1.879 ingressos foram doados  aos aprendizes e colaboradores da SP Escola de Teatro para apresentações de companhias de teatro brasileiras e internacionais;
6 Transgêneros trabalham na Escola, graças a um programa de inserção social desenvolvido pela Instituição;

Intercâmbios
34 pessoas, entre aprendizes e colaboradores da SP Escola de Teatro participaram dos intercâmbios oferecidos pelo Programa Kairós;
2 colaboradoras (Denise Relvas e Cléo de Páris) foram ao Rio de Janeiro, em maio, conhecer projeto “Voz das Comunidades”, no Complexo do Alemão;
16 aprendizes foram para Belo Horizonte, em junho, participar do Festival de Cenas Curtas, organizado pelo grupo Galpão Cine Horto;
2 aprendizes de atuação foram à Bolívia, em julho, para dois meses de estudo na Escuela Nacional de Teatro de Santa Cruz de la Sierra;
A Escola promoveu a vinda do pedagogo, diretor, dramaturgo e ator francês François Kahn, de julho a setembro, para aprofundar estudos sobre o ator narrador;
Um aprendiz de atuação foi a Portugal estagiar, entre julho e novembro, na Companhia de Teatro Viv´arte – Laboratório de Recriação Histórico;
O formador de Atuação (Filipe Brancalião) foi enviado, em agosto, ao evento Odin Week Festival na Dinamarca;
A Escola promoveu, também em agosto, a vinda de Rêne Silva, responsável pelo projeto “Voz das Comunidades”, do Complexo do Alemão, Rio de Janeiro, para um encontro com aprendizes e formadores da Instituição;
O coordenador de atuação (Francisco Medeiros) e o  coordenador pedagógico (Joaquim Gama) foram à  Bolívia, em setembro, acompanhar o trabalho da  Escuela Nacional de Teatro de Santa Cruz de la Sierra;
Um estudante boliviano, da Escuela Nacional de Teatro de Santa Cruz de la Sierra, veio ao Brasil, em setembro, acompanhar, por 2 meses, as aulas na SP Escola de Teatro;
O diretor geral da Escuela Nacional de Teatro de Santa Cruz de la Sierra (Marcos Malavia) ministrou, em setembro, durante quatro dias, uma oficina de biomecânica, na SP Escola de Teatro;
O pedagogo e ator brasileiro, residente na Dinamarca, Augusto Omolú, ministrou, ainda em setembro, um workshop de 5 dias na SP Escola de Teatro;
O Diretor Executivo (Ivam Cabral) e o assistente de diretoria (Óscar Silva) foram, em novembro, a Santiago de Compostela, Espanha, para o III Encontro Internacional sobre Políticas de Intercâmbio no Âmbito das Artes Cênicas;
Os dramaturgos cubanos Reinaldo Montero e Sahily Moreda ministraram, em dezembro, uma oficina destinada aos aprendizes de Dramaturgia da SP Escola de Teatro;

Comunicação
700 horas de imagens captadas;
170.000 fotos;
11.100 e-mails no mailing cadastrado pelo site;
8.120 seguidores no Twitter;
13.676 seguidores no Facebook;
1.247 seguidores no Instagram;
103.225 exibições do canal do youtube;
52,97% porcentagem de novas visitas:
54.000 acessos ao site/mês;
647.341 visitas ao site/ano;
4.907.358 visualizações de página do site/ano;

Teatropédia
5.200 verbetes;
3.148.589 páginas vistas;
23.218 edições;
686 usuários registrados;

Projeto Escola Vermelha


Ivam Cabral acredita que a Escola tem como princípio primordial expressar a conscientização perante a sociedade e, por isso, topou de cara uma proposta da jornalista Majô Levenstein, que integra a equipe de Comunicação e Ideias da Instituição. Trata-se do  Projeto Escola Vermelha, que visa incentivar a doação de sangue de funcionários, formadores e aprendizes para a Fundação Pró-Sangue, responsável pelo abastecimento de 128 hospitais da capital e Grande São Paulo. A ideia da Escola Vermelha surgiu da notícia, veiculada em jornais e TVs de todo o País, sobre o fato de que, no inverno, as doações de sangue costumam despencar.

 

Assim, foram convocados aprendizes, formadores e funcionários da SP Escola de Teatro para doarem sangue, por meio de um serviço da Fundação Pró-Sangue, que tem um programa chamado Serviço de Coleta Externa.

Projeto Escola Verde


Com a intenção de promover um espaço sustentável, a SP Escola de Teatro criou o Projeto Escola Verde. O principal objetivo da iniciativa, além da conscientização dos colaboradores acerca do papel da Instituição perante a sociedade, é a prática de ideias para manutenção ambiental e social.

Em um papo descontraído, foram lançadas muitas propostas, bem como soluções e alternativas.

O blog Projeto Escola Verde foi criado para divulgar as ações realizadas. Ali, são postados, regularmente, cronogramas, informativos e novas propostas de ação.

Projetos Especiais


A SP Escola de Teatro deu início a um novo projeto neste ano: o SP Dramaturgias. Trata-se de um espaço voltado à leitura de textos dramáticos inéditos. As leituras são realizadas por aprendizes e formadores da Escola. A seleção dos textos se pauta em critérios artísticos (textos inéditos, que dialoguem com questões da contemporaneidade, quer na forma, quer no conteúdo) e pedagógicos (a partir de demandas e questões oriundas do trabalho desenvolvido entre formadores e aprendizes na Escola).

 

Os encontros acontecem quinzenalmente, sempre às terças-feiras, na Sede Roosevelt. São abertos ao público e têm entrada gratuita. “A ideia é desenvolver um trabalho em que a relação aprendiz/formador seja feita da forma mais horizontal possível”, conta Jucca Rodrigues, artista convidado de Dramaturgia.

“Três”, texto de Camila Damasceno, aprendiz de Dramaturgia, do Módulo Azul, foi o primeiro a ser lido. Participaram desta leitura as aprendizes de Atuação Renata Konsso e Marina Santos, o aprendiz de Humor Luciano Tito e os aprendizes de Sonoplastia David Sousa e Luana Hansen. Em cena, três personagens que vivem um triângulo amoroso entram em conflito quando um dos vértices dessa relação se rompe. O quadro “Os Amantes” (1928), de René Magritte, inspirou a criação.
O texto “O Clube”, do aprendiz de Dramaturgia Afonso Júnior Ferreira de Lima, foi outro destaque. Criado em três atos quase independentes, unidos pelo fio temático de organizações anônimas subversivas que executam planos de vingança contra seus repressores, foi interpretado por Nilton Melo e Sandra Vilchez, de Atuação, André Mendes, Fabíola Nabbout, Marcela Pupatto e Cristiano Carvalho, de Humor, e Guilherme Nordi Colósio, de Sonoplastia.

Territórios Culturais


Entre as tantas atividades do ano letivo, um dos pontos altos foram os Territórios Culturais, realizados aos sábados e abertos ao público. A primeira edição anual, voltada exclusivamente para o Experimento do Módulo Azul, ofereceu palestra com a artista plástica Lucia Koch, cuja obra foi adotada – junto com a do cineasta Peter Greenaway – como material poético de trabalho do Módulo, cujo eixo temático era a performatividade. Após a apresentação de cada um dos oito grupos, foi realizada mesa de discussão sobre performatividade e os trabalhos apresentados, com a participação do performer, poeta, e professor Lucio Agra, e da diretora e professora teatral Beth Lopes.

 

Em março, foi a vez de o Módulo Verde apresentar seus Experimentos inspirados pelo texto dramatúrgico “Bella Ciao”, de Luís Alberto de Abreu. As aberturas de sala aconteceram na Sede Brás da Instituição e foram convidados para assistir e compartilhar suas impressões com os aprendizes os seguintes artistas e pesquisadores: Adélia Nicolete, Dagoberto Feliz, Vicente Concilio, Renata Zhaneta, Felisberto Sabino, Maria Lúcia Pupo,  Rogério Tarifa, Alexandre Krug, Luiz Fernando Ramos, Johana Albuquerque e Lucienne Guedes.

 

No início do segundo semestre, mais um Território Cultural, com extensa programação, foi realizado na Sede Roosevelt. A abertura foi marcada pelo plantio de árvores em frente ao prédio, além de apresentação de trabalhos desenvolvidos pelos aprendizes de Sonoplastia, com uma intervenção sonora, a partir de objetos elétricos, eletrônicos e percutíveis, construídos pelos próprios durante o primeiro semestre, o chamado Hiperinstrumento.

Na sequência, foi aberta a exposição comemorativa “Nelson Rodrigues – Toda Nudez Será Castigada”, homenagem ao centenário do maior dramaturgo do País. O diretor Marco Antonio Braz, um dos grandes estudiosos da obra de Rodrigues, compartilhou com o público seus conhecimentos acerca do dramaturgo. Simultaneamente, houve um encontro com Rene Silva, jovem responsável pelo projeto “Voz da Comunidade”, que ficou conhecido após twittar, em tempo real, a invasão da polícia ao Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro, em 2010.

Houve ainda muita música, com o show “Linha do Tempo Hip-Hop – 1973-1998”, comandado pelos DJ’s Eugênio Lima e Will Robson. Depois, o dançarino e coreógrafo Frank Ejara apresentou “Som em Movimento”, seu primeiro trabalho solo.

Ainda no segundo semestre foi realizado um Território Cultural para a turma vespertina, Módulo Vermelho. Nesse Módulo aprendizes tiveram a possibilidade de experimentar em sua plenitude a ideia de emancipação preconizada no Projeto Político Pedagógico da Instituição.  Assim, divididos em núcleos de trabalho, englobando as oito áreas das artes do palco, os aprendizes deveriam definir os seus processos de investigações cênicas, com base nas proposições estéticas e pedagógicas sugeridas pela Escola.

 

Os aprendizes desse Módulo receberam como ponto de partida para a elaboração de um projeto teatral uma epígrafe do geógrafo Milton Santos: “O mundo é formado não apenas pelo que já existe, mas pelo que pode efetivamente existir”, extraída do livro “Por uma outra Globalização”. Foram nove experimentos cênicos abordando questões ligadas à gentrificação, à solidariedade, à politica e à globalização, por exemplo.

E, no sábado (08/12), foi a vez dos aprendizes do Módulo Amarelo compartilharem com o público pela última vez suas investigações cênicas dentro das perspectivas da narratividade. Para acompanhar as aberturas de salas, como de costume, foram convidados artistas e profissionais de diversas áreas: Camila Caldeira Nunes (socióloga); Danilo Grangheia (ator e diretor); Kleber Montanheiro (ator, diretor, cenógrafo, figurinista e iluminador); Cris Lozzano (atriz e diretora); Evill Rebouças (ator, dramaturgo, diretor e pesquisador); Esio Magalhães (ator e diretor); Márcio Tadeu (ator, diretor, figurinista e cenógrafo); Marcos Moraes (professor, pesquisador da Faap); Daniel Maia (ator, compositor, músico, cantor e sonoplasta).

 

Três dias depois os convidados retornam à Sede Brás da Instituição para provocar os aprendizes e formadores da Escola com suas apreciações sobre os trabalhos assistidos no Experimento 3 do Módulo Amarelo. “É muito evidente como cada curso se posiciona e busca seu espaço na cena. E a qualidade do trabalho em conjunto comunica esses elementos”, revelou o ator e diretor Danilo Grangheia após assistir a um desses Experimentos.

Ao lembrar detalhes do ano letivo, Rodolfo García Vázquez ainda observa que a Instituição mostrou-se antenada com a pulsação da vida na cidade. “Talvez nossa escolha para o Módulo Amarelo (‘o PCC e o maio de 2006’) tenha sido especial. O tema tornou-se profético da realidade que hoje vivemos em São Paulo, infelizmente”, conclui.

Intercâmbios


A SP Escola de Teatro mostrou este ano que é possível romper barreiras continentais e compartilhar conhecimentos, recebendo Ulrika Malmgren e Simon Norrthon, ambos da Escola de Teatro e Cinema de Estocolmo, que vieram à Instituição pesquisar o modelo pedagógico aqui adotado.

Na ocasião, Ivam Cabral, diretor executivo da Instituição, disse sobre o intercâmbio: “O mais bonito disso tudo é que os recursos para viabilizar o projeto virão de uma fundação sueca, e este financiamento já está todo negociado. Já conhecia Ulrika antes mesmo da fundação da Escola. Ou seja, desde antes da inauguração, quando ainda estávamos definindo o projeto da Escola, já buscávamos parcerias nesse sentido”.

Durante este ano, a SP Escola de Teatro ainda fechou parceria com a Escuela Nacional de Teatro da Bolívia, que fica em Santa Cruz de La Sierra, com intercâmbio entre aprendizes das duas instituições. Assim, Nadia Verdun e Erik Moura, matriculados no curso de Atuação, Módulo Azul, embarcaram para a Bolívia, por dois meses, para participar do processo de montagem de um espetáculo, com alunos do terceiro período da Escuela Nacional de Teatro de Santa Cruz, sob a direção de Marcos Malavia, criador e diretor da instituição boliviana.

E um boliviano também aportou no País, para estudar na Instituição: Antonio Peredo. “Vários aspectos me chamaram a atenção no lugar: a capacidade de reunir pessoas de diferentes disciplinas, o trabalho intenso… Me vi forçado a viver a realidade da profissão das artes cênicas, tudo isso somado ao ambiente social e político local, me mostrando a responsabilidade social do artista”, diz ele, que, no Módulo Amarelo, participou de uma experiência livre e que, no Módulo Vermelho, decidiu colocá-la  em prática. “A experiência mais importante para mim foi a apresentação da minha peça ‘A Morte de um Ator’, na Praça Roosevelt. Lindo ver, ao fim, a alegria dos rostos que me observavam. Foi gratificante.”

A Instituição contabilizou, além dos já citados, o intercâmbio de Filipe Brancalião, que foi conhecer o Odin Teatret, da Dinamarca. Lá, o ator, diretor e formador do curso de Atuação da SP Escola de Teatro visitou um dos grandes grupos teatrais do mundo e conheceu melhor seu diretor, o consagrado Eugenio Barba.

Sua experiência foi registrada no blog “Conexão SP Escola de Teatro | Odin Teatret”, no qual relata a viagem em textos poéticos como este, em que fala do seu primeiro encontro com Barba: “White Room. Sapatos na porta. Um círculo e um silêncio solene. Todos se olham, mas ninguém arrisca um suspiro mais alto. Os brasileiros e portugueses se entreolham, mas não arriscam um cochicho. Barba entra, sorri a todos e em suas primeiras palavras diz, sejam bem-vindos, mas como o sol está lindo, ‘take your chairs and go to the garden’.”

Extensão Cultural


Além dos seus oito Cursos Regulares, a SP promoveu, este ano, 30 cursos de Extensão Cultural. Todos muito concorridos, entre eles, “Palco Iberoamericano: Teatro no Contemporâneo – Oficina de Escrita na Cidade”, orientado por Jorge Louraço Figueira; “Sonoplastia em Cena”, por Aline Meyer; “Do Clown ao Artista Fabulador”, por Cida Almeida e Sofia Papo; “O Hai Kai e sua Criação”, por Claudio Daniel; “A Cena Pensada na Web – Crítica Teatral nas Novas Redes de Informações”, por Kil Abreu, “História da Arte”, por Angelica Moraes, entre tantos outros, que aproximaram o aprendiz da fruição da obra de arte produzida na atualidade, fornecendo ferramentas teóricas e práticas de percepção e análise das poéticas visuais e sua interseção com as linguagens cênicas.

Paralelamente à sua participação nos cursos de Extensão, vários artistas foram convocados para palestras e bate- papos com aprendizes. Henry Thorau, da Universidade de Trier, da Alemanha, foi um deles. Entre seus trabalhos, está a tradução, para o alemão, de textos clássicos de dramaturgos brasileiros, como Nelson Rodrigues, Plínio Marcos e Augusto Boal. Além dele, destaque para o francês François Kahn, um dos maiores nomes do teatro contemporâneo; Camille Marc Dumoulié, também francês, especialista na obra de Antonin Artaud; Aderbal Freire-Filho; Alcides Nogueira; Gilberto Gawronski; Luiz Fernando Ramos; Marco Antonio Braz; Paulo Goulart Filho; Rubens Rewald; Herbert Richers Jr.; Dagoberto Feliz; Esio Magalhães; Emanuel Pimenta; Ernani Maletta; Maurício Paroni de Castro; Luiz Fuganti; Guto Lacaz; Aimar Labaki; Patricia Nakayama; André Martin; Ladislau Dowbor; Celso Nascimento; Sergio Zlotnic; Vicente Concilio; Cibele Forjaz; Fábio Retti, entre tantos outros.

Uma das palestras que emocionaram o púbico foi a do jornalista Gilberto Dimenstein, que falou sobre sua paixão por São Paulo, levantando a ideia de que é possível transformar a cidade num grande palco, ao citar a Praça Roosevelt, o endereço de onde surgiu a semente que se transformaria, hoje, na SP Escola de Teatro. Nesse encontro, ele falou da “reconquista do espaço urbano”, creditando boa parte da revitalização da Roosevelt a Ivam Cabral e Rodolfo García Vázquez – fundadores da Cia. de Teatro Os Satyros, e, respectivamente, diretor executivo e coordenador do curso de Direção da Escola. “No futuro, quando formos falar sobre a história de São Paulo, teremos de lembrar dessa Praça”, disse o convidado.

Também promovidas pela Extensão Cultural, as Rodas de Conversas trouxeram à Instituição muitos outros profissionais. Sob o tema “Dramaturgia Sonora e Sonoplastia”, por exemplo, reuniram-se Antunes Filho, o ator e músico Ernani Maletta, o compositor Martin Eikmeier e Raul Teixeira, coordenador do curso de Sonoplastia, para discussões acerca dos caminhos da sonoplastia no teatro.

Com ideias sempre inovadoras, Antunes disse que a sonoplastia deve ser pensada na gênese de um projeto teatral. “Há um momento em que a ideia para uma montagem sai de um ‘vaginão’. A sonoplastia deve vir neste momento, não depois”, disse Antunes Filho, considerado um dos principais nomes do movimento de renovação cênica, que ganhou força em 1960 e 1970. Fundador do Centro de Pesquisas Teatrais (CPT), que coordena até hoje, ele fez questão de enfatizar que a sonoplastia não é apenas um adorno. “É parte vital de um espetáculo.”

Em outro momento, uma mesa de discussão reuniu Marici Salomão, dramaturga e coordenadora do curso de Dramaturgia da Instituição; Aderbal Freire-Filho, diretor e membro do conselho diretor da Sociedade Brasileira de Autores Teatrais (Sbat)Lauro César Muniz, dramaturgo, autor e membro do conselho de administração da Associação dos Artistas Amigos da Praça (Adaap), organização que gere a Escola; Ligia de Paula, atriz e presidente do Sindicato dos Artistas e Técnicos em Espetáculos de Diversões de São Paulo (Sated/SP) e Ivam Cabral, para discutir temas relevantes aos futuros profissionais das artes dramáticas do País. O encontro começou com Aderbal discorrendo sobre a forma como a Sbat, sociedade criada em 1917 com o objetivo de “abrigar” dramaturgos, oferecia suporte aos artistas.

Lauro César Muniz cogitou a opção de que a Sbat seguisse o modelo adotado pela SP Escola de Teatro, gerida por uma Organização Social, a Associação dos Artistas Amigos da Praça. Esse formato de gestão, implantado desde 2004 pela Secretaria de Cultura do Estado, torna possível que instituições sem fins lucrativos, atuantes na área cultural, sejam transformadas em Organizações Sociais, obtendo a responsabilidade da gestão de espaços públicos, antes geridos pela Secretaria.

Ivam Cabral, então, explicou os passos que deveriam ser tomados para a consolidação de uma gestão como essa. A ideia foi tão bem vista por Aderbal, que, após alguns minutos de conversa com o diretor executivo da Escola, surgiu o embrião do que um dia pode representar a retomada da força da Sbat.

“Como dramaturgo, fiz uma palestra aos aprendizes de todos os Módulos, reunidos no pátio da Escola na Sede Brás. Encontrei, nessa oportunidade, um ambiente extremamente acolhedor com aprendizes ávidos por informações, uma grande vontade de assimilar o que eu expunha”, diz Muniz. Ele expôs aos aprendizes seu método de dramaturgia, baseado no que assimilou no início dos anos de 1960, na Escola de Arte Dramática de São Paulo: ação dramática como produto da inter-relação dialética de personagens em conflito dinâmico.

TOPO 

Meyerhold: da Rússia para a Roosevelt


O ator, diretor e pesquisador teatral Diego Moschkovich tomou para si uma importante e difícil tarefa: a de traduzir, pela primeira vez, diretamente do russo para o português, o único livro publicado em vida pelo ator, diretor, pedagogo e pesquisador Vsévolod Meyerhold. O resultado pode ser conferido em “Do Teatro”, lançado pela Editora Iluminuras.

 

SP Escola de Teatro

A Sede Roosevelt promoveu o evento que brindava a chegada da obra ao mercado literário, com a palestra “O Legado de Meyerhold e os Desafios de uma Tradução Voltada à Prática Teatral”, com Diego Moschkovich, seguida de bate-papo e sessão de autógrafos.

De acordo com Moschkovich, Meyerhold foi uma das peças principais da grande reforma teatral do século 20, que tirou o teatro de status de puro entretenimento para analisá-lo dentro de uma perspectiva artístico/científica.

Youpix


O encontro de pessoas e pixels chamado YouPix Festival foi criado para a chamada cultura de Internet, reunindo jovens no Pavilhão da Bienal, no Parque do Ibirapuera.

Co-curador do evento, o blog Catraca Livre convidou a SP Escola de Teatro a realizar uma ação do projeto São Paulo com Arte, do Programa Kairós. Na mesa “A Cidade É um Palco Aberto”, os aprendizes do Programa Kairós trataram do assunto sustentabilidade, em uma intervenção artística. Orientada pelo ator Roberto Audio, a ação refletia sobre a rapidez da pós-modernidade.

TOPO 

Ocupação da Sede Roosevelt pela Cia. Balagan


Em 2008, o jornal Folha de S. Paulo noticiou o aparecimento de dois remanescentes de uma tribo, até então dada como extinta. Os índios da etnia Piripkura viviam nômades e recusavam qualquer contato com o homem branco. Os dois homens foram encontrados no meio da floresta comendo uma caça e gargalhando. Eles riam das histórias que contavam um ao outro enquanto se alimentavam.

Desse acontecimento nasceu o espetáculo “Recusa”, da Cia. Teatro Balagan, com direção de Maria Thais e dramaturgia assinada por Luís Alberto de Abreu, que estreou na Sede Roosevelt da SP Escola de Teatro. 

Considerada pela crítica uma das melhores peças do ano, “Recusa” rendeu aos atores Antonio Salvador e Eduardo Okamoto o prêmio APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) na categoria Melhor Ator.

Além do espetáculo, durante a ocupação da companhia, foram realizados encontros entre antropólogos, filósofos e pesquisadores. Os temas em discussão percorriam as pesquisas feitas pela trupe e o processo de criação do espetáculo. Integrando a programação, a compositora, cantora e pesquisadora de música indígena Marlui Miranda, que assina a direção musical de “Recusa”, apresentou um show com cantos em idiomas dos mais diversos povos do Brasil, como Paiter Suruí, Kaiapó, Mehinaku, Gavião, Nambiquara e Guarani.

Processo Seletivo


No segundo semestre deste ano, foi anunciado o Edital do Processo Seletivo 2013. Para concorrer a uma das novas vagas para os oito Cursos Regulares da SP Escola de Teatro, os interessados deveriam ter concluído o Ensino Médio e ter 18 anos completos até a data de início das atividades letivas da Escola. As inscrições ocorreram de forma online e o Processo Seletivo foi realizado em duas fases. A primeira, de caráter eliminatório, com dez questões objetivas de múltipla escolha e uma redação.

Também de caráter eliminatório e classificatório, a segunda fase, teve provas de aptidão, aplicadas pelos coordenadores dos Cursos Regulares, e sua realização ocorreu após divulgação do resultado da primeira fase. O número de inscritos mostrou que, apesar de jovem, a Instituição já é considerada um dos paradigmas do ensino no País, não apenas no que se refere às artes do palco, mas ao ensino técnico como um todo.

Só para se ter uma ideia da credibilidade e do crescimento da Instituição, seu Processo Seletivo, apesar da juventude do projeto, já é um dos mais concorridos da América Latina.  Os quase 600 inscritos para preencher as 8 vagas de atuação disponibilizadas para 2013 comprovam o fato.

 

“Chamou a atenção o número de inscritos para o processo seletivo e o bom nível cultural dos candidatos. Significa, dentre outras coisas, que o curso está repercutindo muito bem. A cada ano imprimimos mais ousadia e respeito para termos um curso modelar no Brasil”, diz Marici Salomão, coordenadora do curso de Dramaturgia.

 

Ivam Cabral, diretor executivo da Instituição, diz que, a cada Processo Seletivo, fica emocionado ao ver o prédio sendo ocupado por aqueles que contribuirão para a construção da história da Escola, em um futuro breve. “Ainda me surpreendo quando chego aqui, diariamente, às 9h, e encontro fila para entrar no elevador. É encantador, mais que poesia, por se tratar de algo real. Pensar que estamos trabalhando para o futuro do teatro, da Escola, da Praça Roosevelt, é fabuloso. Tudo, enfim, faz sentido”, afirma.

Publicações


Saíram do forno, este ano, a segunda e a terceira edição de A[L]BERTO, a Revista da SP Escola de Teatro. Preocupada em abrir um espaço de debate para a cena teatral contemporânea, a publicação tem tiragem de quatro mil exemplares e edição de Silvana Garcia. O segundo número abordou, em seu bloco temático, o papel do dramaturgo no teatro de hoje e como a dramaturgia se faz na atualidade, numa mesa de discussão que reuniu Aimar LabakiIvam CabralLuís Alberto de Abreu e Maria Shu, sob mediação de Marici Salomão.

 

A publicação ainda trouxe ensaios de J.C. Serroni sobre a cenografia e de Mônica Monteiro, que faz uma reflexão a respeito do papel da palavra e da voz na construção material da cena. Joaquim Gama, coordenador pedagógico da Instituição e os pesquisadores Nanci Fernandes e José A. Sánchez, entre outros, também assinam textos desta edição.

E, pra fechar o ano, no dia 18, surge a terceira edição da revista A[L]BERTO, lançada na Sede da Roosevelt. Neste número, entre outros, temos os textos “Dramaturgia da Luz, um Conceito Operístico”, por Caetano Vilela; “SP Escola de Teatro – Centro de Formação das Artes do Palco: Uma Experiência Libertária”, por Ivam Cabral; e “A Primeira Geração de Dramaturgos Modernos e a Invenção da Telenovela Brasileira”, por Aimar Labaki.

Batizado com o primeiro nome do professor, crítico, dramaturgo, diretor e ator Alberto Guzik, o periódico nasceu em dezembro de 2011, com a perspectiva do confronto de ideias próprio do artista que, nas palavras do diretor executivo da SP Escola de Teatro, o ator Ivam Cabral, não temia o risco e possuía uma visão plural sobre a vida e a arte. A versatilidade e a abertura de Alberto Guzik inspiraram a publicação que traz, desde a opção gráfica do título, o conceito do convívio entre pontos de vista diversos.

“A revista é a realização de um grande projeto, ainda mais sabendo que publicações teatrais são raras na história do Brasil. Também nos deixa felizes lembrar de Alberto Guzik  (1944-2010), que foi mais do que um inspirador, pois fez o caminho inverso: veio do pensamento e da crítica para a prática, com um olhar muito sólido e conhecimento profundo”, afirma Ivam Cabral.

Minidrama


O projeto surgiu com o objetivo de discutir as novas possibilidades de narrativas dramáticas, em 2010. Os participantes deveriam escrever uma pequena peça de teatro com a hashtag #mdrama, no Twitter, usando parcos 140 caracteres. Presidida por Marici Salomão, coordenadora do curso de Dramaturgia da SP Escola de Teatro, a comissão julgadora do concurso foi composta por Sérgio Roveri, dramaturgo e jornalista; Noemi Marinho, atriz, diretora e dramaturga, e Otávio Martins, diretor, produtor, ator e dramaturgo. Foram eles que escolheram 100 textos, de um universo de mais de 2 mil inscritos.

Os trabalhos selecionados foram expostos no portal e no Twitter da Escola, além de fazer parte do livro “#Mdrama” (Editora Associação Amigos da Praça), cujo lançamento ocorreu no dia 27 de novembro, na Sede Roosevelt da SP Escola de Teatro. Na ocasião, houve a apresentação especial de um vídeo, cuja trilha sonora é assinada pelos aprendizes de Sonoplastia da Escola, sob a supervisão de Raul Teixeira, coordenador do curso.

Além disso, o diretor e ator Gilberto Gawronski foi encarregado de dirigir cenas baseadas em textos do “#mdrama”.

Alguns dos tweets vencedores são os seguintes: “Mãe, pq ele tá dormino nessa caixa? (Silêncio) Mãe, pq ele tá dormino nessa caixa toda enfeitada de flor? (silêncio) Acorda ele, mãe” #mdrama @eversonbertucci; “Eu sou filho biológico. O meu pai é o meu pai, mas a minha mãe…é uma lhama. Ensinou-me a cuspir para não ter medo das pessoas.” #mdrama @ferraciolifelip“Pela manhã no café dividiam os sonhos. A imagem que eles esqueceriam anos depois, no enterro da mãe. Disputando seu espólio.” #mdrama @heiheitor.

Participação na Satyrianas


Este ano foi marcado também pela participação da Escola na “Satyrianas – Uma Saudação à Primavera”, que ocupou a Praça Roosevelt e mais de 20 espaços, em 78 horas ininterruptas de peças, leituras, debates e performances. Em sua 13ª edição, o evento, realizado pela Cia. de Teatro Os Satyros, faz parte do Calendário Oficial do Estado. A programação trouxe cerca de 300 atrações, entre elas, dois projetos exclusivos da SP Escola de Teatro, “Ouvi Contar” e o “Cabarezim de Humor”, que faz sua estreia no festival.

“Ouvi Contar”, idealizado pelos Satyros e por Marici Salomão, reúne textos teatrais inéditos, produzidos pelos aprendizes. As leituras das obras foram realizadas em casas e apartamentos, nos arredores da Praça Roosevelt, epicentro do evento. Na lista desta edição do “Ouvi Contar”, estão os aprendizes de Dramaturgia Débora Brenga, Mariana de Menezes, Marcio Tito Pellegrini, Victor Hugo Valois, Heloísa Cardoso, Lucas Venturin, Lucas Iglessias e Marco Keppler.
Com a chegada das Satyrianas, Caique Torresmo, idealizador do “Cabarezim de Humor”, inscreveu o projeto para participar do festival. “‘Cabarezim’ foi apresentado dentro da Escola. Uma oportunidade e tanto mostrá-la para um público grande”, contou Torresmo. Na comissão organizadora do “Cabarezim”, que reúne esquetes de humor, estão Carolyn Ferreira, Cristiano Carvalho, Thainan Fresneda, Emiliano Bicalho Favacho e Bianka Belavari.

Outros Projetos


Nos meses de março e abril, a Escola criou ações para comemorar a Semana do Teatro, publicando em seu portal uma série de depoimentos, nos quais artistas foram convocados a falar sobre seus pares e reiterar a importância do fazer teatral em suas vidas.

Foram dezenas de depoimentos, entre eles: Ademar Guerra por Oswaldo MendesAlberto Guzik por Sérgio Roveri; Antonio Abujamra por Marcia AbujamraAntônio Araújo por Roberto AudioAntunes Filho por Cássia NavasBeatriz Segall por Alexandre ReineckeBel Kowarick por Marcelo TasBibi Ferreira por Marcelo MédiciCacilda Becker por Aguinaldo CunhaEva Wilma por Rubens Ewald FilhoFernanda Montenegro por Alcides Nogueira; Lauro César Muniz por Mário Viana; Luis Melo por Marcio Abreu; Marco Nanini por Guilherme WeberMaria Alice Vergueiro por Cacá RossetMariana Lima por Enrique Diaz; e Mariana Ximenes por Fause Haten.

 

Outro projeto online da Instituição fez bonito esse ano. Lançada em março de 2010, A Teatropédia alcançou em 2012 o verbete número 5 mil, com Vera Fischer, que ganhou projeção nacional ao ser coroada Miss Brasil, em 1969, tenho iniciado sua trajetória artística no cinema, em 1973, como protagonista do filme “A Super Fêmea”, dirigido e escrito por Anibal Massaini Neto, com roteiro de Lauro César Muniz, Alexandre Pires e Adriano Stuart.

Atualmente, com mais de 5.200 verbetes, a Tetropédia continua a incrementar seu banco de dados e já é reconhecida como excelente fonte de pesquisa por profissionais e amantes das artes do palco.

Além de verbetes de artistas, a Teatropédia também tem espaço para o registro de eventos, como o Avav 7, que a Escola sediou em 30 de outubro. Trata-se de uma multi plataforma para apresentações audiovisuais em tempo real, uma mostra mensal realizada pelo Epicentro Cultural, com curadoria e idealização de Veruscka Girio, do projeto Astronauta Mecânico. Destinada a artistas visuais, sonoros, performáticos, criadores e pesquisadores audiovisuais de manipulação de imagem e som em tempo real, o evento renova sua programação a cada mês, promovendo a circulação dos trabalhos divulgados. A improvisação, o acaso e o agora conduzem o rumo das experiências vividas pelo público.

 

Inspiração é ferramenta também para a turma do Fat Laces Festival 2012. Idealizado por Rafael Marcos, auxiliar de operação na Escola e apresentado na Sede Roosevelt da Instituição em novembro, o evento celebrou a arte de rua, iniciada em 1970, em guetos negros e latinos de Nova York, tendo chegado em São Paulo, anos depois, nos arredores da estação São Bento do Metrô e da Rua 24 de Maio, no Centro. Em sua 6ª edição, o projeto difundiu os elementos do Hip Hop, levando informação e entretenimento ao público. Durante os dois dias, a Escola sediou campeonatos de break dance, batalhas crew, exposição de grafites (live painting) e workshops de fotografia, produção de vídeo e produção musical, com participantes do quilate de B.boy Negão, B.boy Neguinho, Romynho Crew, Enrique, B.boy Sonek, Yago Street Son e Bgirl Dedessa.

Raul Teixeira, coordenador do curso de Sonoplastia, ao comentar todas as atividades do ano, descreve a incrível a sensação de gestar uma ideia e a alimentar diariamente com livros, reuniões, proposições de aulas. “Tudo isso torna esta Escola um lugar singular e estimulante. A prática e a teoria entre todas as áreas de criação nas artes do palco se entrelaçam, infiltram, trabalham juntas, e é uma satisfação praticar e discutir esta pedagogia que acredito possa ser uma maneira muito objetiva para quem quer trabalhar e desenvolver seus estudos nas artes cênicas. Aqui, nós abrimos as portas, as cabeças, mostramos caminhos e todos são bem-vindos, artistas já formados e aprendizes”. E arremata falando do imenso prazer que sente em ver os aprendizes reunidos, em rodas de discussão e na feitura de composições, todos inteirados na execução de seu trabalho. “Percebo que houve amadurecimento na estrutura da Escola, que se reflete diretamente nos aprendizes. Eles passaram a demonstrar um  envolvimento consciente de suas funções como artistas de teatro.”

Antes de concluir, ele se recorda do momento em que uma banda foi formada para finalizar o semestre passado. “Propus aos músicos e cantores que montassem um repertório para a nossa festa e rapidamente formou-se um grupo, a Banda ‘Tio Dodô e os Avelinos’, que fez muito sucesso na festa de encerramento da Escola.”

 

Já Guilherme Bonfanti, coordenador de Iluminação, diz que, mesmo com a dificuldade dos aprendizes em saírem de uma luz mais teatral e de soluções convencionais, observa fatos surpreendentes, como um projeto de não-luz, um protesto conceitual.

“Há uma maior disponibilidade dos aprendizes da minha área em dialogar com os outros cursos e buscar juntos os difíceis caminhos que levem a um humor transformador”, diz Raul Barretto, coordenador do curso de Humor. Da mesma opinião é Marici Salomão, de Dramaturgia, que diz que, no âmbito de uma escola, tudo o que diz respeito ao crescimento do aprendiz, chama muito a atenção. “É incrível quando um dramaturgo jovem desperta para a arte, de forma tenaz e sensível. Deixa uma ficha cair e se potencializa como ser humano e como criador. E isso nos sensibiliza muito.”

E não é só dentro da Instituição que vê e sente o crescimento desses jovens artistas. Muitos ainda nem  concluíram sua formação na Escola e já estão atuando no mercado. “A demanda de estágios para os cursos de Cenografia e Figurino, Sonoplastia, Técnicas de Palco e Iluminação foi grande em 2012. Conseguimos encaminhar 100% dos aprendizes para estágios nestas áreas. Além disso, a maioria dos alunos destes Cursos sai da Instituição empregada em grandes teatros, como o Bradesco, o Alfa, o Sesc. Hoje, a indústria criativa representa o terceiro maior mercado no Brasil. É um dos setores que mais crescem. Para citar um exemplo, grandes artistas, como Madonna, incluíram o País em suas turnês. Isso significa que centenas de pessoas são empregadas por diversos meses para estas produções internacionais”, comenta Ivam Cabral.

Intenso Até o Fim


Na primeira quinzena de dezembro, o projeto Palco Iberoamericano recebeu o diretor e dramaturgo cubano Reinaldo Montero, auxiliado pela atriz e diretora Sahily Moreda, para um curso destinado àqueles que desejam aperfeiçoar suas habilidades em dramaturgia e queiram escrever para o teatro. Neste mesmo projeto ainda houve a participação de Augusto Omolú, mestres da International School of Theatre Anthropology e ator do Odin Teatret, que ministrou o curso “A Dramaturgia da Dança dos Orixás”; Marcos Malaviadramaturgonovelista e diretor de teatro boliviano que apresentou o workshop “Introdução à Biodinâmica”; e Jorge Louraço Figueira, importante dramaturgo português, que ministrou a “Oficina de Escrita na Cidade”.

Os dias finais de 2012 continuaram marcados por intensa atividade na SP Escola de Teatro, houve o lançamento da nova edição do livro “A Arte Secreta do Ator – Um Dicionário de Antropologia Teatral”, de Eugenio Barba (fundador do Odin Teatret, em 1964, em Oslo) e Nicola Savarese  (escritor e pesquisador, além de membro do staff científico da International School of Theatre Anthropology, fundada em 1979 por Barba).

Lançada originalmente em 1983, a obra já foi traduzida para mais de 20 idiomas e é fundamental para a biblioteca de quem estuda e faz teatro. A publicação finalmente volta ao mercado nacional, com edição revista e ampliada. Seu lançamento ocorreu no dia 7 de dezembro, na Sede Roosevelt da SP Escola de Teatro, e contou com a presença dos autores, que conversaram com o público sobre a obra.

A mediação do encontro foi feita pela diretora de teatro brasileira Cibele Forjaz, e ainda contou coma participação de Edson Filho, presidente e editor-chefe da É Realizações, e da tradutora e pesquisadora Patrícia Furtado de Mendonça.

“O livro ‘A Arte Secreta do Ator’ é de importância ímpar. Daí a relevância de seu lançamento, especialmente para aqueles que querem se dedicar ao ofício e à pesquisa teatral”, diz Ivam Cabral, sobre o evento realizado em parceria com a Palipalan Arte e Cultura.




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