Voluntários para a Doação de Voz

Publicado em: 19/10/2011

Chama-se de ledor aquele que lê para o outro, ou seja, em voz alta, e não apenas para si mesmo, como um leitor faz. É justamente do apoio de ledores voluntários que Gerson Santana, aprendiz de Sonoplastia da SP Escola de Teatro – Centro de Formação das Artes do Palco, precisa neste momento, para a gravação de audiobooks (livros em áudio, falados) que contribuiriam para sua formação e a de muitos outros.

 

Gerson Santana (Arquivo SP Escola de Teatro)

 

O fato de ser deficiente visual nunca impediu que o aprendiz desenvolvesse sua paixão pelo teatro. Formado em atuação pela Universidade São Judas, e, depois de participar de alguns espetáculos, ele agora investe em sonoplastia para enriquecer seu conhecimento sonoro e até para aprimorar sua expressão corporal.

 

No entanto, existem obstáculos que dificultam os estudos de Gerson. Um dos maiores é a escassez de audiobooks de peças e teorias teatrais. “Existe uma carência muito grande de peças e livros sobre o teatro. Há bastante livros didáticos; literatura também pode ser encontrada em uma quantidade razoável, mas, na área do teatro, tem apenas alguns clássicos, e, ainda assim, são pouquíssimos. Por exemplo, do Shakespeare tem uas três”, observa Gerson.

 

Sendo assim, são bem-vindas peças clássicas e textos de relevância no cenário teatral nacional e internacional, independente do autor ou do gênero. Antonin Artaud, Anton Tchecov, Bertold Brecht, Eugenio Barba e Peter Brook são alguns dos exemplos.

 

Ter à disposição um acervo de audiobooks não é positivo apenas para quem não pode ler, como explica Gerson, mas sim para todos aqueles que tem preferência por receber informações pelo ouvido em vez de pelos olhos. Há, ainda, situações em que a leitura é difícil, como em transportes coletivos ou quando a visão está cansada, após um dia de trabalho.

 

Para gravar o áudio desses livros, os ledores deveriam realizar uma “leitura branca”, que é uma forma de ler sem nenhum tipo de representação, como se fosse um documento, sem trazer as vozes dos personagens ou acentuar o que não está acentuado no texto.

 

Alguns requisitos importantes para a atividade são: boa leitura, articulação e projeção local (ter a fala clara). Pode ser homem ou mulher e é melhor que possua certa identificação com o texto escolhido. Se você se sente inseguro com a sua leitura, não tem problema, pois o aprendiz afirma que isso é algo fácil de treinar. 

 

Além de ajudar Gerson e outros deficientes visuais, uma iniciativa como esta pode contribuir até para atores e leitores em geral. “É interessante para a pessoa pesquisar e melhorar sua própria forma de ler. O ator, hoje, tem dificuldade em relação à maneira correta de ler um texto. Este exercício pode ser muito enriquecedor nesse sentido”, comenta o aprendiz.

 

Se você tem algum tempo disponível, possibilidade de fazer isso gratuitamente e comprometimento para realizar a leitura de um livro até o final, pode ser de grande ajuda para este projeto. Se conhece algum estúdio que possa contribuir como parceiro e oferecer serviços, também será de grande valia. Em qualquer dos casos, entre em contato diretamente com Gerson, no telefone (11) 7243-1474 ou, ainda, com a SP Escola de Teatro via e-mail (info@spescoladeteatro.org.br). 

 

 

Texto: Felipe Del

 

Relacionadas:

Uncategorised | 16/ 12/ 2021

16 de dezembro é dia do Teatro Amador: Conheça mais sobre essa importante prática cultural brasileira!

SAIBA MAIS

Notícias | 03/ 11/ 2021

Danilo Dal Lago, artista egresso da SP, estreia peça que contrapõe escritor periférico e mercado editorial

SAIBA MAIS

Notícias | 28/ 10/ 2021

Maria Bonomi inaugura obra no Memorial da América Latina que homenageia vítimas da pandemia

SAIBA MAIS