Um balé diferente

Publicado em: 01/08/2013

Na aula final, os alunos jogaram-se ao chão e contracenaram até com uma cadeira de rodas
(Foto: SP Escola de Teatro/Arquivo)

O chão virou parede e, afinal, quem foi que disse que, para dançar, é preciso ter os dois pés bem apoiados no chão? Deitados ao solo (isso, deitados!), os alunos do workshop “Despertar do corpo no espaço”, ministrado pelo coreógrafo e bailarino Marcos Abranches, executavam coreografias. Ora se amontoando, ora contracenando com uma cadeira de rodas, num pas-des-deux diferente, mas, sem dúvida, dos mais belos já vistos.

Foi neste clima que aconteceu, ontem (31), a aula final do workshop de férias que reuniu técnicas de Dance Ability, Contato Improvisação e Dança Contemporânea, na Sede Roosevelt da SP Escola de Teatro – Centro de Formação das Artes do Palco.

“Não sabia que era um curso dado por um professor tão especial quanto o Marcos. Foi uma experiência mágica, encantadora. Nas aulas, ele nos pedia que imitássemos os seus movimentos e os da Alessandra. Daí, percebemos que estávamos dançando e chegamos à conclusão de que eles dançam o tempo todo. Para entendermos o que o Marcos falava, ficávamos mais focados e concentrados na aula, ao mesmo tempo em que conquistávamos uma calma, um sossego”, disse a aprendiz de Atuação Ingrid Machado dos Reis, ao término do encontro.

A oportunidade única, exclusiva para aprendizes e ex-aprendizes da Escola, colocou a turma em contato com a técnica de Dance Ability (DA), que se utiliza do improviso para estimular movimentos entre pessoas com e sem deficiência física. Já Contato Improvisação é uma técnica de formação e autoconsciência do corpo, criada em 1972 pelo americano Steve Paxton. Esta técnica propõe um diálogo físico por meio da troca de peso e do contato físico entre as pessoas, o que possibilita uma profunda percepção de si e do outro.

Assim, os aprendizes da Escola puderam dividir a experiência com Abranches, que possui deficiência física e paralisia cerebral, e com Alessandra Bono Vox, dançarina do espetáculo “Forma de Ver”, que pode ser assistido aqui. Ela também tem deficiência física e paralisia cerebral.
 
O workshop ainda contou com convidados especiais: Luciana Beloli, mestre em Fedenkrais e pesquisadora em Seitai-ho e Butoh, e o fotógrafo e iluminador Rogério Ortiz, que acompanhou de perto todo processo artístico, investigando o corpo em cena pela iluminação.

Sobre o professor

Marcos Abranches (36) é dançarino, coreógrafo, tem deficiência física e paralisia cerebral. Em 2003, integrou-se à Cia FAR 15, atuou nos espetáculos “Senhor dos Anjos”; “Jardim de Tântalo” e “Metamorfose de Franz Kafka”, todos coreografados e dirigidos por Sandro Borelli e Sônia Soares. Incentivado por Phillipe Gemet, desenvolveu um trabalho coreográfico com mais duas bailarinas e fundou o grupo Vidança apresentando a peça “D…Equilíbrio”, que posteriormente se transformou em um solo, com mais de, até hoje, cem apresentações. Participou do Kulturdifferenztans, em Colônia (Alemanha) e Crossings Dance Festival em Dusseldorf (Alemanha), apresentado “Via sem regra” sob direção de Gerda König. Em São Paulo, atuou na peça “Trem fantasma”, uma adaptação da obra “Navio fantasma”, de Wagner, dirigido por Christoph Schligensielf, o que lhe rendeu um convite para atuar (em 2008 e outubro de 2010) na ópera teatralizada “Vida e obra de Joana D’Arc”, no Deutsch Oper Berlin, dirigida por Christoph Schligensielf, 2008 2010 2012 um dos mais respeitados diretores de toda Europa.

 

Texto: Esther Chaya Levenstein

 

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