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SP Escola de Teatro perde o jornalista Carlos Hee

Publicado em: 11/04/2016

É com tristeza que a SP Escola de Teatro se despede do escritor e jornalista Carlos Alberto Hee. Aos 62 anos, ele lutava contra um câncer e faleceu na noite desta segunda-feira (11), às 19:30, no hospital Igesp, na zona central de São Paulo. O velório ocorre nesta terça-feira (12), das 10h às 13h, no Cemitério do Araçá (Av. Doutor Arnaldo, 666, Cerqueira César).

 

Colaborador da SP Escola de Teatro desde outubro de 2010, ano em que a Instituição começou a funcionar, Hee, como era chamado pelos colegas, integrava a equipe de Comunicação, trabalhando como analista de conteúdo.

 

Sua principal contribuição na Escola foi a administração do projeto da Teatropédia, a enciclopédia virtual que reúne nomes relacionados às artes cênicas no Brasil e em outros países lusófonos. Hee criou e editou cerca de dez mil verbetes até 2015: um esforço diário que levou o site a ter milhões de acessos. O editor também foi o jornalista responsável por diversas edições da revista A[L]BERTO, publicação da SP Escola de Teatro.

 

 

Para o diretor executivo da SP Escola de Teatro, Ivam Cabral, seu trabalho na Instituição foi essencial. “Hee foi um grande jornalista, um homem muito especial. Foi muito bom ele poder ter dividido seus últimos anos de vida conosco”, diz. Cabral também destaca a importância de Hee como escritor, principalmente pelo livro “Trem Fantasma”, publicado em 2002. “É uma obra fundamental para a geração dos anos 1990. Ele seguramente teria produzido outros trabalhos de excelente qualidade se a vida o tivesse permitido”, lamenta.

 

Na obra, Hee faz um retrato da São Paulo gay dos anos 1980, quando o hedonismo reinava na noite e instaurava uma liberdade inconsequente. Com escrita coloquial, ele traça paralelos da sociedade paulistana com o que viu em viagens para Nova York e San Francisco, nos EUA. É um registro histórico de uma fase do universo LGBT como poucos fizeram.

 

Esgotado nas livrarias, “Trem Fantasma” está em fase de captação para ser adaptado para o cinema. Hee também é autor de “Vírus Selvagem”, publicado em 2014. A ficção mostra um protagonista que é diagnosticado como soropositivo e, a partir disso, tem sua vida e percepção de mundo transformadas. Ambos os títulos podem ser adquiridos pela Amazon.

 

Carlos Hee à direita, com amigos

 

Ainda como escritor, ele participou diversas vezes do festival Satyrianas, que anualmente ocupa a praça Roosevelt com atrações teatrais. No evento, participou de mesas de discussão e teve alguns de seus textos encenados, como “Uma Peça Homofóbica” e “Antonia”, ambos com direção de Joaquim Gama, coordenador pedagógico da SP Escola de Teatro.

 

Paulistano, Hee começou sua carreira jornalística no Diário do Grande ABC no início dos anos 1980. No jornal, assinava críticas e matérias sobre música. Em 1985, passou a escrever para o Jornal da Tarde como crítico de televisão e cinema e, anos depois, entrou para o quadro de críticos da revista Veja.

 

Na década de 1990, tornou-se editor de cultura do jornal O Estado, de Santa Catarina, e assinou a coluna de TV da Folha de Londrina, no Paraná.

 

Como ator em “Tem Banana na Banda”

 

O ápice de sua carreira foi nos anos 2000, quando entrou para o quadro de repórteres do jornal O Estado de S. Paulo. Ao lado de Karla Sarquis e Adriana Drigo, produziu a coluna Persona, assinada por Cesar Giobbi, em uma época em que o colunismo social tinha inegáveis força e influência. A equipe foi dissolvida em 2007.

 

Antes de trabalhar sua faceta jornalística, Hee teve carreira de ator nos anos 1970. Na época, integrou o elenco do espetáculo “Tem Banana na Banda”. Sob direção de Ulsses Cruz, dividiu cenas da revista musical com o ator Marcos Frota.

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