Som quase real

Publicado em: 13/04/2010

Aos poucos, os aprendizes de Sonoplastia da SP Escola de Teatro foram chegando ao Teatro do Colégio Santa Cruz, localizado no Alto de Pinheiros, na quinta-feira do dia 8 de abril, às 9h, para a aula especial, referente ao componente Tecnologias Aplicadas ao Áudio.

O convidado, Fernando Andrette, engenheiro de áudio e fundador da revista Áudio Vídeo Magazine, ministrou a oficina Percepção Auditiva com aparelho de som de alta tecnologia, conhecido como Hi-End. Durante a oficina, ele tornou público, pela primeira vez, o CD “Timbres”, com gravação de som em três diferentes modelos de microfones. 

“Ouvido também tem memória. O objetivo dessa tecnologia é gravar e reproduzir o som mais fiel possível, não causar fadiga auditiva distorcida e resgatar o prazer de escutar música”, afirmou Andrette.

Para o formador convidado, Eduardo Queiroz, conhecer essa ferramenta é fundamental. “Tecnologia é conhecimento. Pouca gente sabe da existência desse aparelho que amplia, para sempre, a percepção da audição”, afirma.

Ao reproduzir os diversos gêneros musicais, como MPB, Clássica, Rock, Pop e Instrumental, os aprendizes ouviram e ficaram hipnotizados. O teatro ficou em silêncio e a única coisa que podia se escutar era o som da música. “O resultado foi impressionante. Parece que ouvimos uma banda ao vivo bem na nossa frente”, recorda Fabrício Cardial, aprendiz do curso de sonoplastia.

“Foi possível ouvir o silêncio de cada música. Foi incrível”, conta o aprendiz Bruno Boaro.



RESULTADO


O método de gravação Hi-End é diferenciado. Uma das técnicas é fazer com que todos os músicos toquem ao mesmo tempo num ambiente favorável acusticamente, escolher cabos livres de oxigênio para não estragar o cobre e pensar no melhor posicionamento e no microfone para captar o áudio de cada instrumento. 

“Apesar de tantas vantagens, a gravação nesse tipo de tecnologia não é cara. Falta conhecimento das pessoas e paciência dos músicos em se submeterem a essa técnica de gravação, que existe desde 1958”, explica Fernando Andrette.

A cada música, a curiosidade dos aprendizes aumentava junto com a sensibilidade auditiva. Ao final da demonstração, era consenso de que algo diferente havia acontecido com a experiência auditiva de cada um.

“Agora, a exigência de vocês para o som será de outra qualidade, pois vocês ouviram a forma mais perfeita de reprodução. É um padrão de qualidade muito próximo do real”, disse Queiroz.
Monique de Jesus, aprendiz de sonoplastia, concordou com a afirmação. “Foi uma oportunidade única. Agora que conhecemos outra forma de som, nossa referência será outra”, concluiu.