Silvana Garcia cumpre residência artística na Escola

Publicado em: 30/01/2014

A dramaturgia de Anton Tchecov, principalmente a peça “As três irmãs”, e a literatura de Julio Cortázar, em especial os contos “Casa tomada” e “La salud de los enfermos”, dialogam e se entrelaçam no projeto “Não vejo Moscou da janela do meu quarto”.

 

Este é o material condutor da residência artística que a teórica, ensaísta e professora Silvana Garcia faz na SP Escola de Teatro – Centro de Formação das Artes do Palco neste início de ano. “Pretendemos que o período da residência se estenda até o final de março, embora já tenhamos dado início ao processo de trabalho e realizado compromissos já previstos em nossa agenda de intercambio”, explica ela, que também é editora da Revista A[L]BERTO.

 

Os encontros

Para abrir o processo ao público, em 2013 foi criada uma performance chamada “Moscou, peça desmontagem”, apresentada durante a Satyrianas.

 

Assim, além da criação do espetáculo e dos ensaios e encontros, que acontecem na Sede Roosevelt, a residência contempla: abertura de vagas para aprendizes que atuam como estagiários/assistentes (em luz, som, figurino, direção de arte, produção); uma sessão de desmontagem – ou ensaio aberto – para aprendizes de Direção; uma palestra da diretora do espetáculo; e pré-estreia especial para convidados da SP Escola de Teatro.

 

Trecho do vídeo de divulgação do espetáculo

 

Nesta empreitada, ao lado de Silvana, está a atriz e diretora Maria Tuca Fanchin e os atores Sol Faganello e Leo Devitto. Além deles, integram a equipe, como técnicos ou assessores: Roberto Setton, Bruno Gavranic, Jackie Dolstoy, Pablo Perosa, César Charlone, Monica Montenegro, Elena Vassina, Nikolay Erofeev. A produção do espetáculo será da Corpo Rastreado.

 

O projeto deriva da pesquisa que deu origem ao grupo lasnoias & cia., em 2005. Voltado à pesquisa de textos e dramaturgia contemporâneos, o coletivo inicialmente era vinculado à Escola de Arte Dramática da Universidade de São Paulo, como núcleo de estudos e experimentação cênica, e logo em seguida profissionalizou-se. Seus dois primeiros trabalhos são: “Lesão cerebral” (2007) e “Há um crocodilo dentro de mim” (2009).

 

O espetáculo

Com direção de Silvana, “Não vejo Moscou da janela do meu quarto” traz a história de três irmãos que vivem o cotidiano, confinados em uma casa que aos poucos vai sendo tomada por algo ou alguém que não se revela, ao mesmo tempo em que anseiam por uma viagem a Moscou, um lugar cada vez mais distante e desterritorializado. O processo de isolamento acompanha a deterioração das relações sensíveis que unem as personagens entre si, entre elas e o passado, entre elas e o “lá fora” – provocando um deslocamento da ação para um registro de irrealidade, humor e suspensão poética.

 

“O diálogo entre a literatura e o teatro, ainda que já tenha tradição, oferece ainda muito a ser explorado, em novos modos, nestes tempos de hibridismo e intertextualidade. Assim também a interação entre atores, encenadores, dramaturgos, e outros integrantes do processo de criação teatral, apenas começa a ser explorada entre nós.  Hoje, em muitos exemplos, o espetáculo nasce de uma combinatória de esforços criativos. Associamo-nos a esses esforços, buscando um diferencial dos procedimentos colaborativos em voga, concentrando-nos na investigação da linguagem dramática tendo, como ponto de partida, textos de alta potência literária”, explica Silvana.

  

 

Texto: Felipe Del

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