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Série Teatro de Grupo em São Paulo: conheça a Mal-Amadas – Poética do Desmonte

Publicado em: 20/05/2022

O grupo Mal-Amadas – Poética do Desmonte nasceu 1992, na Casa Beth Lobo, em Diadema, e tem por objetivo trazer arte como resposta à dor e sofrimento das mulheres que frequentavam o local.

Desde o início, o feminismo foi uma das causas motivadores do coletivo, portanto, abordar como as instituições (família, o estado, a educação e igreja) podem ser instrumentos de domesticação da mulher sempre foi uma preocupação. Nesse contexto, as artistas explicam como tal motivação se dá em seus trabalhos teatrais:

“Do olhar do gênero nascem os nossos experimentos cênicos e plásticos, reflexões e questionamentos antibinaristas desenhados por uma estética de desmonte do sistema patriarcal capitalista”.

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Em 2002, a Cia. migrou de Diadema para São Paulo e se instalou na Praça Roosevelt, lá se vinculou ao Centro de Informação Mulher (CIM), uma organização criada em 1981 e detentora do maior acervo feminista da América Latina.

Em seu relato, o grupo explica que segue a linha estética épico-performativa, a partir da qual busca trabalhar o artivismo, modalidade que surgiu como crítica à violência sexista. De maneira que, em seus trabalhos, são articuladas diversas linguagens e tendências estéticas, no entanto, algumas de suas principais influências são do teatro espontâneo, do teatro do oprimido e do teatro épico de Brecht.

Sobre o processo criativo, o grupo explica que a Poética do Desmonte é seu modo de funcionamento, lugar de aprendizagem e troca, e se fundamenta em três princípios: O primeiro, nomeado Nosódico, é uma analogia do procedimento homeopático de cura pelo veneno, ele faz um contra-ataque aos códigos de conduta patriarcal propondo um choque de realidade; O segundo tem como lema Des-repetir para Restaurar, e consiste no movimento de cena que busca desconstruir o sistema de representação binário e romper com a fraude da superioridade masculina; O terceiro e último é Significar Significantes Poéticos, ele é o argumento que rege o processo criativo, explorando a relação entre significado e significante e procurando outras significações para as coisas.

Para o Mal-Amadas – Poética do Desmonte o sistema artístico eurocêntrico impera na atualidade brasileira e, sendo patriarcal, misógino, racista e mercantil, permeia muito dos meios pelos quais os artistas trabalham. Nesse sentido, a arte deve tecer uma crítica social a esse sistema que está sobre suspeição:

“A contemporaneidade é um buscar inconteste das narrativas originárias, pois a arte descolada da realidade é a arte do colonizador: o verbo é descolonizar!”.

Mais infos sobre a Mal-Amadas – Poética do Desmonte estão no livro Teatro de Grupo, uma publicação do Selo Lucias, braço editorial da ADAAP, associação que gere o projeto da SP Escola de Teatro.




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