Série Minimalista | ‘Escola de mulheres’

Publicado em: 23/10/2014

 

Na terceira edição da Série Minimalista, lançada recentemente pela SP Escola de Teatro – Centro de Formação das Artes do Palco, a peça ilustrada é “Escola de mulheres”, de Jean-Baptiste Poquelin, mais conhecido como Molière (1622-1673).

 

Escrita em 1662, a peça carrega o tom satírico que Molière adotava em sua obra para criticar alguns dos costumes e valores vigentes na sociedade burguesa de sua época, uma das marcas que o consagraram como um dos maiores dramaturgos da França e pai da comédia francesa.

 

Na obra, são colocados em discussão temas como machismo, casamento e infidelidade. A trama traz a história de Arnolfo, um homem rico e orgulhoso cuja maior diversão é zombar dos cornos da cidade. Em sua mente, não há humilhação maior que essa, e ele, por sua inteligência e firmeza, nunca passaria por tamanho ridículo.

 

Ele, portanto, “cria” uma mulher desde que esta tem apenas quatro anos de idade. Inês foi mantida por ele sob os olhares de seus criados de modo que sua ignorância e inocência fossem fortemente preservadas. Educada sob rígidas regras, ela não ousaria querer outro homem e, quando a idade certa chegasse, seria do quarentão e de mais ninguém.

 

O que o inescrupuloso ciumento não previa era a chegada de um belo jovem que se colocaria em meio a seu torpe objetivo. Filho de um amigo, Horácio aproxima-se pouco a pouco de Inês e a moça, ainda que não compreenda bem o que está acontecendo, se apaixona perdidamente por ele. A paixão chega aos ouvidos de Arnolfo pela própria boca do jovem, a quem conheceu ainda criança.

 

Horácio não sabe, mas o tal do tirano que mantinha Inês como em uma prisão era o homem a quem estava tratando como amigo e revelando sua aventura amorosa. Arnolfo, claro, tenta tirar vantagem do fato e faz de tudo para colocar um fim ao sentimento que crescia entre os dois. Mas não é bem-sucedido: quis o destino que os pais de Inês e Horácio já tivessem prometido mutuamente os filhos, sem sequer saber do romance. O casal pode, enfim, ficar junto, contrariando os estúpidos planos de Arnolfo.

 

Com a publicação e principalmente a encenação do texto, Molière levantou grande polêmica e sofreu duras críticas. Como resposta, escreveu “A crítica à escola de mulheres (“La critique de ‘l’École des femmes’”), em que imaginava a reação dos espectadores ao assistir à peça.

 

Se você quiser ver retratada alguma peça ou personagem nesta seção, cuja proposta é criar ilustrações do universo teatral com poucos elementos, faça suas sugestões pelo e-mail info@spescoladeteatro.org.br ou por nossas redes sociais (fb.com/spescoladeteatro e twitter.com/escoladeteatro).

 

> Confira todas as ilustrações publicadas até agora.

 

Texto: Felipe Del

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