Série Minimalista | ‘Dois perdidos numa noite suja’

Publicado em: 05/02/2015

 

A Série Minimalista da SP Escola de Teatro desta semana traz uma das mais conhecidas obras do cultuado dramaturgo, escritor, jornalista, ator e diretor Plínio Marcos (1935-1999), autor maldito que retratou como poucos o submundo paulista.

 

Escrita em 1966, a peça estreou no mesmo ano, em São Paulo, no Bar Ponto de Encontro, de onde seguiu para o Teatro de Arena. Em 1967, além do Arena, foi encenada no Rio de Janeiro e também no Teatro de Rua, em São Paulo, sendo a primeira parte de um programa duplo, antecedendo “Zoo story”, de Edward Albee. Fora do Brasil, foi levada à França, Alemanha, Inglaterra, Estados Unidos e Cuba, além de ter ganhado várias adaptações para cinema.

 

Na época de sua criação, Plínio encontrava-se em sérias dificuldades para se manter em São Paulo, trabalhando como camelô por algum tempo. “Então, escrevi ‘Dois perdidos numa noite suja’ para eu mesmo representar. Ator pequeno, sem nome, sem carreira, sem nada, trabalhando de técnico na Televisão Tupi, ninguém convidava pra nada. Ninguém se lembrava que eu era também ator. Então escrevi uma peça com papel pra mim”, disse mais tarde.

 

Inspirado no conto “O terror de Roma”, do escritor italiano Alberto Moravia, o texto tem duas personagens: Paco e Tonho. Eles dividem um quarto em uma hospedaria barata com o parco salário que ganham como carregadores no mercado. É nesse quarto, durante a noite, que se passam todas as cenas da peça.

 

Ali, Paco e Tonho passam horas discutindo sobre suas vidas, tentando organizar seus pensamentos a respeito do trabalho e de suas perspectivas. O tema da marginalidade é presença constante nas conversas que sustentam a conturbada relação da dupla e conduz o texto do começo ao fim.

 

Ao mesmo tempo em que se lamenta por não possuir um par de sapatos decente, razão pela qual acredita ser pobre, Tonho inveja seu companheiro de quarto, que possui um par de sapatos melhor que o dele. Paco, que era flautista até ter seu instrumento roubado durante uma bebedeira, faz questão de provoca-lo, chamando-o de homossexual, ainda que o considere um parceiro.

 

A trama se desenvolve em torno dessa rotina, até que os homens fazem algo que muda radicalmente suas vidas.

 

Se você quiser ver retratada alguma peça ou personagem nesta seção, cuja proposta é criar ilustrações do universo teatral com poucos elementos, faça suas sugestões pelo e-mail info@spescoladeteatro.org.br ou por nossas redes sociais (fb.com/spescoladeteatro e twitter.com/escoladeteatro).

 

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