Sergio Zlotnic Entrevista a Fotógrafa Maureen Bisilliat

Publicado em: 12/12/2012

Nascida em 1931, na Inglaterra, Maureen Bisilliat foi uma das fotógrafas que melhor retrataram o Brasil, onde vive desde 1957. Aqui, desenvolveu um extenso trabalho, voltando suas lentes, principalmente, para o agreste e o sertão, trabalhando seu conceito de “equivalências fotográficas”, com livros de autores como Guimarães Rosa, Ariano Suassuna e Euclides da Cunha.

 

No final de 2011, Maureen abriu as portas de sua casa para ser entrevistada pelo psicanalista Sergio Zlotnic, que ministrou, na Escola, o curso de Extensão Cultural “Psicanálise e Dramaturgia: As Experiências Pessoais e Históricas na Raiz das Produções no Campo das Artes”, cuja aula final aconteceu na última-sexta-feira (7). 

 

Da entrevista com Maureen, também participou o fotógrafo e designer Rodrigo Meneghello, que, à época, trabalhava no setor da Comunicação e Ideias da SP Escola de Teatro – Centro de Formação das Artes do Palco. A conversa, que foi gravada, pode ser vista no canal do YouTube da Instituição, aqui.

 

Da esq. p/ a dir.: Rodrigo Meneghello, Maureen Bisilliat e Sergio Zlotnic

 

Abaixo, um texto de Sergio Zlotnic contando suas impressões sobre o encontro com Maureen:

 

“É sempre impressionante escutar Maureen Bisilliat e constatar o uso peculiar que ela faz do português. Tendo o inglês como língua materna, é notável a construção elegante do discurso da grande dama da fotografia, ao falar nosso idioma. Das primeiras brasilianistas dos anos 50, musa dos grandes antropólogos, sociólogos, pensadores e produtores da cultura e do campo das artes, Madame Bisilliat, com uma câmera na mão, registrou um Brasil brasileiro e virgem. O resultado é cheio de poesia. Mas também o vetor político de seu trabalho está implícito nas imagens, dispensando qualquer palavra ou militância: as imagens falam por si! 

 

Por alguma razão desconhecida, eu me detenho sempre numa questão aparentemente irrelevante: a maneira como se constrói seu discurso! E fico intrigado: como pode? Ela se servir da língua com liberdade e critério e se expressar tão bem, mesmo num território léxico estrangeiro ao de sua origem? 

 

Penso que a facilidade de circulação por terras desconhecidas é, nesse caso, uma metáfora: indicadora da condição de cidadã do mundo, marca que Maureen carrega. Talvez o traço que suscita mais admiração naqueles que dela se aproximam…

 

Em suas traduções do Brasil, o aspecto selvagem daquilo que encontra é preservado. Por ter movimento, seu olhar dialoga com os objetos que encontra, respeitando as suas singularidades. Maureen parece enxergar (e revelar) sempre alguma característica essencial do objeto que pretende capturar, num átimo de segundo. Antecipando-se ao próprio fotografado. Será isto a que se dá o nome de instinto?

 

No primeiro semestre de 2010, uma grande exposição foi realizada na Galeria de Arte do Sesi-SP, com a colaboração do Instituto Moreira Salles. Ali, pode-se conferir a profusão de seu trabalho, seus diálogos com a literatura brasileira, suas viagens internacionais, suas viagens “domésticas”, suas relações com os irmãos Villas-Bôas, num banquete para os nossos sentidos…

 

Um ano e meio depois dessa exposição, conversamos com ela em sua casa, numa tarde quentíssima do final de 2011. A ideia era promover um encontro entre a fotógrafa veterana e renomada e um jovem e promissor profissional, Rodrigo Meneghello, famoso pelo talento e pela qualidade de suas fotografias. O resultado desse encontro está registrado neste vídeo, que revela a inteligência e lucidez da entrevistada. 

 

Desse encontro documentado, eu insisto: não fica evidente o charme de seu sotaque?! Pois, para mim, ele é sintoma de sua capacidade de deslizar, por assim dizer, por paragens intocadas, com curiosidade de criança. Esse traço faz com que Maureen Bisilliat seja sempre jovem, mesmo na beira dos 81 anos. 

 

Longa vida a Maureen Bisilliat!”

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