Selo Lucias: ‘Para ser um trabalhador da cultura é preciso ter coragem’, diz Ueliton Alves

Publicado em: 26/02/2021

Ueliton Alvez/ Divulgação

No último dia 25 de janeiro, aniversário da cidade de São Paulo, a SP Escola de Teatro lançou o livro “Teatro em Grupo na cidade de São Paulo e na Grande São Paulo” e também o selo “Lucias”, que é uma homenagem a Lucia Camargo, uma das maiores personalidades da cultura brasileira. Os lançamentos fazem parte de ações que celebram os 10 anos da SP Escola.

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Lucia Camargo era gestora cultural, professora, jornalista, crítica e coordenou o setor de Extensão Cultural e Projetos Especiais na SP Escola de Teatro – Centro de Formação das Artes do Palco. Ela também foi diretora de importantes instituições culturais brasileiras, como Teatro Guaíra, em Curitiba, onde foi ainda secretária municipal e estadual de Cultura do Paraná; e o Palácio das Artes, em Belo Horizonte. Além disso, foi secretária-adjunta de Cultura e Economia Criativa do Estado de São Paulo e a primeira e única mulher na história a dirigir o Theatro Municipal de São Paulo.

Nesta sexta-feira, 26, a homenagem é de Ueliton Alves, bibliotecário chefe (CRB: 10132) e integrante do Núcleo Negro da SP Escola de Teatro. Ele faz uma retrospectiva desde sua entrevista de emprego, que foi conduzida por Lucia, às dúvidas em frente à biblioteca, chegando ao sabor doce das balinhas compartilhadas e também a relação de seriedade e confiança construída entre eles.

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Ele recorda o impacto que a intelectualidade de Lucia causou no primeiro encontro entre eles e teve dimensão da responsabilidade que assumiria ao chefiar um dos maiores acervos teatrais do país.

“Meu primeiro contato com a Lúcia foi no dia da minha entrevista para ocupar o cargo de bibliotecário da escola. Nesse dia, a sua intelectualidade e o apreço pela biblioteca possibilitaram que eu dimensionasse a responsabilidade a que estava me candidatando. Felizmente fui considerado apto para assumir tal responsabilidade. Confesso que isso me assustava um pouco, mas resolvi encarar e dar o melhor de mim”.

Ueliton relembra como em um episódio foi do sabor amargo da desconfiança e apreensão ao sabor doce da confiança e aprovação para voos mais altos à frente das atividades da biblioteca.

“Mesmo me dedicando, sempre estava em dúvida sobre meu desempenho e eis que um dia recebo um telefonema que me deixa apreensivo. Era um recado pedindo que eu fosse até a sala da Lucia Camargo. Chego na sala e dou um bom dia para dentro, acanhado, Lucia me recebe com um forte bom dia, e acho que ao perceber que eu estava intimidado propôs que eu pegasse algumas balinhas no pote que ela mantinha em sua mesa. Reforçou que era para eu ficar à vontade, que pegasse umas balinhas para levar e adoçar o dia mais tarde. Uma vez mais tranquilo ela começa dizendo que me chamou para dar parabéns, que estava acompanhando meu trabalho e gostando muito de como as coisas estavam se desenrolando. Inclusive, aquela conversa era para reforçar que ela estava inteiramente à disposição para pensarmos em parcerias e fazermos algumas atividades juntos”.

Ele lembra com alegria a construção de uma parceria que lhe rendeu muitos ensinamentos e destaca o principal de todos: é importante ter coragem para trabalhar com cultura.

“Passamos a ter mais conversas, sempre regadas a balinhas, fizemos parcerias, trocamos histórias e ela me passou alguns ensinamentos, dentre eles carrego um que Lúcia não me dizia, mas demonstrava: que para ser um trabalhador da cultura é preciso acima de tudo ter coragem”.

 

 

 




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