Rodrigo Batista

Publicado em: 01/07/2013

Rodrigo Batista é diretor e ator

Como surgiu o seu amor pelo teatro?
Comecei a fazer teatro no interior de São Paulo (Jundiaí), ainda no colégio, com colegas de turma. Não sei se posso dizer que o amor pelo teatro surgiu. Vi no teatro uma forma de trabalho, uma forma de estar e olhar para o mundo. Não associo necessariamente o ofício teatral a um sentimento íntimo como o amor, justamente por encarar o meu trabalho como algo público, político. E minha dedicação vem da necessidade dessa esfera coletiva.

Lembra da primeira peça a que assistiu? Como foi?
Não me lembro da primeira, mas me lembro da primeira que me marcou. Foi “Os sertões”, do Teatro Oficina. Na época, era menor de idade e vim a São Paulo ver algum espetáculo, não sabia qual. Abri o Guia da Folha e pensei que seria legal ver essa peça. Não sabia quem era Zé Celso, o que era o Oficina. Caí de paraquedas naquela experiência e foi incrível, marcante.

Um espetáculo que mudou o seu modo de ver o teatro.
Foi o espetáculo “Na selva das cidades”, do diretor alemão Frank Castorf.

Você teve algum padrinho no teatro? Se sim, quem?
Não tenho um padrinho, mas posso dizer que Antônio Araújo foi e ainda é uma figura importante na minha criação, justamente por ter sido meu orientador em diversos trabalhos realizados dentro do curso de Artes Cênicas da USP, onde me formei e hoje realizo pesquisa em mestrado, orientada por ele também.

Teatro ou cinema? Por quê?
Eu prefiro assistir cinema. Não sei bem dizer o porquê. Talvez por eu não fazer cinema e essa linguagem me colocar em níveis de descoberta e desconforto.

Cite um espetáculo do qual você gostaria de ter participado. E por quê?
Quase sempre saio com essa sensação dos espetáculos do grupo de dança Cena 11. Admiro a construção do discurso incômodo no corpo, sem o uso de palavras.

Já assistiu mais de uma vez a um mesmo espetáculo? E por quê?
Já vi mais de uma vez alguns espetáculos da Cia. dos Atores. “Hamlet” e “A gaivota”. São espetáculos complexos e que vi em momentos diferentes, justamente para ver se eles causavam o mesmo efeito depois de tanto tempo. E sim, causaram!

Qual dramaturgo brasileiro você mais admira? E estrangeiro? Explique.
Gosto de Jorge Andrade por sua relação com a literatura e por achar que ele transcende os regionalismos. No momento, estou muito admirado pelo dramaturgo contemporâneo inglês Tim Crouch, que coloca a metalinguagem em função de pactos ficcionais tão contundentes na contemporaneidade.

Qual companhia brasileira você mais admira?
Gosto muito do Cena 11 e da Cia. dos Atores.

Como seria, onde se passaria e com quem seria o espetáculo dos seus sonhos?
Como encenador, gosto de trabalhar na caixa preta. Meu sonho ainda é poder viabilizar um espetáculo com uma estrutura grande de cenografia, com um elenco grande e variado, pesquisando coralidade.

Cite um ator que surpreendeu suas expectativas.
Temos bons atores, mas gosto de ver aqueles atores que se colocam em risco, onde a criação está latente na cena, ou seja, onde a criação caminha junto com a execução. Os atores da Cia. dos Atores e do Grupo Espanca! são bons exemplos.

Na era da tecnologia, qual é o futuro do teatro?
Creio que o futuro do teatro são produções de pesquisa que possam ganhar proporções maiores, mais visíveis, mas tenho receio de que isso não seja possível em São Paulo por falta de investimento nesse setor.

Em sua biblioteca não podem faltar quais peças de teatro?
Peças de Shakespeare, Tennessee Williams, Garcia Lorca, Tchekhov.

Cite um diretor (a), um autor (a) e um ator/atriz que você admira.
Admiro Antônio Araújo, Tim Crouch e Mariana Lima.

Qual o papel da sua vida?
Não gosto muito de estar na função de ator, mas tenho uma pequena obsessão por Macbeth.

Uma pergunta para William Shakespeare, Nelson Rodrigues, Bertolt Brecht ou algum outro autor ou personalidade teatral que você admire.
Brecht, e o teatro épico em tempos de biopolítica?

O teatro está vivo?
Com certeza! Ele está um pouco pobre e restrito, mas está vivo.

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