Republicação do Blog de Alberto Guzik completa um ano

Publicado em: 25/03/2014

Alberto Guzik é uma daquelas pessoas que nascem e, ao partirem, deixam um legado que inspira e impulsiona tantas outras vidas e sonhos. Foi ator, dramaturgo, crítico teatral e jornalista: alguém que realmente viveu o teatro. Assim que a SP Escola de Teatro – Centro de Formação das Artes do Palco foi criada, atuou como diretor pedagógico da Instituição.

 

No entanto, um câncer o impediu de seguir nessa que era sua mais nova empreitada. No dia 26 de junho de 2010, o mundo o perdeu, mas sua memória se tornou parte constituinte do caminho da Escola.

 

De 29 de julho de 2007 a 15 de fevereiro de 2010, Guzik manteve um blog chamado “Os dias e as horas”. Naquele espaço, ele registrou não só sua vida, mas os meios pelos quais circulava e as manifestações artísticas a que tinha acesso.

 

Em março de 2013, a Escola decidiu investir em uma iniciativa inédita: republicar seu blog, que ganhou curadoria e comentários do diretor, dramaturgo, ensaísta e tradutor Aimar Labaki, no endereço www.albertoguzik.org.br

 

 

“Mais que um crítico, Alberto sempre foi um pensador da arte. A crítica era apenas uma parte da interlocução permanente que ele mantinha com livros, discos, peças, exposições. Com o fim de sua trajetória como crítico em jornal, o blog passou a ser um escoadouro para sua reflexão por escrito. Sua relação com as obras de arte já havia sido a base de todo um conjunto de contos, publicados com o título ‘O que é ser rio e correr’”, escreveu Labaki, em seu texto de apresentação do blog.

 

O site foi ao ar há exatamente um ano, e continua ininterruptamente desde então, com atualizações diárias. Ao optar por publicar os posts um a um, e não de uma única vez, a ideia era manter o frescor dos textos. Hiperlinks, biografias e notas servem como material de apoio para a compreensão.

 

“Essa foi a maneira de a Escola reverenciar um de seus mentores e, durante alguns meses, dar-nos a impressão, ainda que mera ilusão, infelizmente, de termos entre nós a presença pública do querido Alberto. Um jeito diferente de matar a sua saudade”, afirmou Ivam Cabral, diretor executivo da Insttituição e um dos melhores amigos de Guzik.

 

Além dessa, Guzik recebeu várias outras homenagens da Instituição. Uma leva até o seu nome: a A[L]BERTO, revista da SP Escola de Teatro, editada pela pesquisadora e escritora Silvana Garcia, e que está chegando à sua sexta edição.

 

Sobre Alberto Guzik

Nascido em São Paulo, em 1944, Alberto Guzik estreia no teatro aos cinco anos, em “Peter Pan”, no Teatro Escola São Paulo, dirigido por Tatiana Belinki e Júlio Gouvêa. Em 1967, encena sua primeira montagem profissional: “O café”, de Mário de Andrade.

 

Envereda pelo campo da reflexão e da produção intelectual a partir de 1971, momento em que passa a escrever críticas teatrais para os jornais Shopping News e Última Hora e para as revistas Senhor, Vogue e IstoÉ. Em 1984, por indicação de Sábato Magaldi, é convidado a ingressar no Jornal da Tarde como crítico colaborador. Torna-se crítico efetivo do JT em 1989, mesmo ano em que é incorporado à equipe de reportagem, onde permanece até junho de 2001, atuando como crítico teatral e repórter especial.

 

No mesmo período, escreve para o Caderno 2 do jornal O Estado de S. Paulo, colabora com a Revista Bravo!, o jornal Valor Econômico, o site Aplauso Brasil e outras publicações, e ainda participa do programa Metrópolis, da TV Cultura, como comentarista teatral.

 

Expande seu campo de ação para além do jornalismo e, como dramaturgo, escreve “Um Deus cruel”, montagem encenada por Alexandre Stockler, em 1997, estreada em Curitiba e indicada ao Prêmio Shell. Na sequência, assina tradução e dramaturgia de “Mãe coragem”, de Bertolt Brecht. O espetáculo, dirigido por Sérgio Ferrara e protagonizado por Maria Alice Vergueiro, estreou no Festival de Curitiba, em 2002.

 

Depois de quase 40 anos sem pisar no palco, em agosto de 2003, retoma sua carreira de ator. O retorno se dá com a peça “O horário de visita”, de Sérgio Roveri, com direção de Ruy Cortez. Em 2004, estreou na Cia. de Teatro Os Satyros, integrando o elenco de “Kaspar ou a triste história do pequeno rei do infinito arrancado de sua casca de noz”, encenada no Espaço dos Satyros Um, na Praça Roosevelt. Em maio do mesmo ano, dirige, também no Satyros, “O encontro das águas”, de Sérgio Roveri. Dois meses depois, outra direção, dessa vez em parceria com Wilma de Souza: “A voz do povo é a voz de Zé”, de Marcelino Freire. E, em setembro, novamente como ator, divide o palco com Ivam Cabral e elenco de “Transex”, de Rodolfo García Vázquez.

 

Em seguida, participa do premiado espetáculo “A vida na Praça Roosevelt”, de Dea Loher. Seus últimos trabalhos como ator são: “Inocência” (2006), “Divinas palavras” (2007), “Vestido de noiva” e “Liz” (2008), todos sob direção de Rodolfo García Vázquez. E, em 2009, se aventura em um solo: “Monólogo da velha apresentadora”.

 

Sua trajetória artística se completa com sua obra literária, tão múltipla quanto seus talentos. Além de “Risco de vida”, romance publicado pela Editora Globo, em 1995, e indicado ao Prêmio Jabuti, escreve o ensaio “TBC: Crônica de um sonho”, lançado pela Editora Perspectiva, em 1986, e “Paulo Autran/Um homem no palco”, da Editora Boitempo, em 1998, vencedor do Prêmio Jabuti de livro-reportagem. Em junho de 2002, lança, pela Editora Iluminuras, seu primeiro livro de contos, “O que é ser rio, e correr?”. Em 2009, dois novos projetos: trabalha em uma nova obra de ficção, “Um palco iluminado”, romance ainda inédito que enfoca a vida de uma companhia teatral em São Paulo entre as décadas de 1960 e 1990, e assume a Direção Pedagógica da SP Escola de Teatro, instituição que ajudou a criar.

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