Ponto | Voltaire no teatro

Publicado em: 14/10/2014

Na semana passada, o Ponto falou sobre a famosa peça “A mandrágora”, do historiador, diplomata e filósofo italiano Nicolau Maquiavel (1469-1527). Hoje, o foco da seção vai para outro filósofo: François Marie Arouet (1694-1778), ou, como é mais conhecido, Voltaire.

 

O francês também dedicou parte de sua obra ao teatro – muito mais, na verdade, que Maquiavel. Nascido mais de 20 anos depois da morte de Molière, dramaturgo que é tido como um dos maiores da história da França, ele era um grande apaixonado pela arte teatral.

 

Voltaire ganhou grande reconhecimento no cenário ao estrear seu texto “Édipo”, baseado no mito grego, em 1718. Até 1778, quando apresentou sua peça “Irene”, sendo aclamado pelo público da Comédie Française, foi um dos principais representantes do teatro francês.

 

Grande defensor da poética clássica francesa, Voltaire sempre carregou a paixão pela atuação. Como em “Édipo” e “Irene”, fazia questão de reservar um papel para si mesmo em todas suas peças. 

 

Em cena, de acordo com relatos de seus contemporâneos, gostava de deixar explícita sua visão acerca do teatro. Declamava, sublinhava efeitos e recusava o tom familiar e burguês que com frequência era adotado à época.

 

Sylvain Menant, estudioso de Voltaire, afirmou: “É que o teatro deve ser teatral, não deve ser o simples reflexo da realidade quotidiana: ele é transfiguração, embelezamento, transformação, e deve nos transportar para outro mundo, mesmo que nos conduza, como também o deseja Voltaire, a refletir sobre questões onde o nosso está implicado”.

 

Pode-se dizer que Voltaire fez do teatro extensão de suas ideias políticas e filosóficas, conferindo sentido moral e pedagógico a suas obras.

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