Ponto | Toca Raul

Publicado em: 28/08/2012

O ator Renato Chocair interpretava, em 2004, um rapaz aventureiro, que roubava uma joalheria. O assaltante incluíra na empreitada o irmão (Chico Carvalho), que acabara de passar no vestibular e estava incumbido de uma missão: a de levar o mano fugitivo de volta para a família. 

 

“Fica Frio – Uma Peça on the Road”, de Mário Bortolotto, havia sido montada em 2002, por Marco Antônio Pâmio e, dois anos depois, voltava sob assinatura de Raul Christiano Machado Pinheiro de Amorim Cortez, o Raul Cortez. Além de produzir, ele participava da montagem como um policial e a dona de uma pensão (sim, dona, no feminino). 

 

Foi o último trabalho do artista, que morreu em 18 de julho de 2006, aos 72 anos, depois de travar uma árdua batalha contra um câncer no aparelho digestivo. Ele era o mais velho de seis irmãos, descendentes de espanhóis e portugueses.

 

Antes disso, Cortez já contava com 65 espetáculos, 20 telenovelas, seis minisséries e 28 filmes. Dentre esses sucessos, destaques para a novela “Terra Nostra” (2000), da Rede Globo; a peça “Rei Lear” (2000), de William Shakespeare, com direção Ron Daniels, e Prêmio APCA (Associação Paulista dos Críticos de Arte) de Melhor Ator Coadjuvante pela peça “Os Pequenos Burgueses” (1963), dirigida por José Celso Martinez Corrêa. Em sua estante ainda estavam cinco prêmios Molière.

 

Cortez iniciou sua carreira ao abandonar a faculdade de Direito. Em 1956, fez um teste para a peça “Eurídice”, de Jean Anouilh, no Teatro Brasileiro de Comédia (TBC), com direção de Gianni Ratto, estrelada por Cleyde Yáconis. De lá, trabalhou com Antunes Filho e Cacilda Becker. Raul foi casado com a atriz Célia Helena, com quem teve a filha Lígia Cortez, também atriz. Separado, casou-se com Tânia Caldas.

 

 

Numa dobradinha, na mesma noite de “Fica Frio – Uma peça On the Road”, Cortez interpretava ainda um bebê num berçário, na peça “À Meia-Noite, Um Solo de Sax na Minha Cabeça”, outra parceria com Bortolotto. O texto abordava amizade e diferenças sociais. Com essa personagem, Raul Cortez subiria pela última vez ao palco. E deixaria saudade.

 

A propósito: hoje (dia 28 de agosto), Raul Cortez completaria 80 anos

 

 

  

 

Texto: Leandro Nunes

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