Ponto | Teatro Experimental do Negro

Publicado em: 20/11/2012

Em homenagem ao Dia da Consciência Negra, celebrado hoje (20 de novembro), a seção Ponto desta semana aborda a história do Teatro Experimental do Negro (TEN), criado no Rio de Janeiro, em 1944, por Abdias do Nascimento, cujas atividades se desenvolveram até 1961.

Peça importante no nascimento do teatro moderno, o TEN atuava em duas frentes: o desenvolvimento do teatro em si e o trabalho pela cidadania do ator, por meio da conscientização e também da alfabetização do elenco, recrutado entre operários, empregadas domésticas, moradores de favelas que não tinham uma profissão definida e modestos funcionários públicos.

A primeira peça encenada pela companhia foi “Palmares”, de Stella Leonardos, num trabalho feito em parceria com o Teatro do Estudante do Brasil (TEB). No ano seguinte, buscando voos mais altos, o TEN decidiu empreender um espetáculo próprio, mas constatou que não havia, na dramaturgia brasileira, textos que serviam aos seus objetivos. Assim, Abdias Nascimento descobriu na peça “O Imperador Jones”, do americano Eugene O’Neill, o retrato mais aproximado da situação do negro brasileiro após a abolição da escravatura. O autor cedeu os direitos, de graça, e o grupo ensaiou durante seis meses, tendo aulas de interpretação com Ironildes Rodrigues, em salas da UNE (União Nacional dos Estudantes). O espetáculo, dirigido por Abdias Nascimento, estreou em 1945, no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, protagonizado por Aguinaldo Camargo.

E mesmo buscando incentivar a produção de novos textos, que servissem para seus propósicos, ou seja, a situação do negro no Brasil, o TEN acabou encenando um outro texto de O’Neill, em sua segunda montagem. Dessa vez, “Todos os Filhos de Deus Têm Asas”, com a participação da atriz Ruth de Souza. Só em 1947 é que a companhia, finalmente, encenou um texto produzido especialmente para ela, “O Filho Pródigo”, de Lucio Cardoso, com cenários de Tomás Santa Rosa e protagonizado por Ruth de Souza e Aguinaldo Camargo.

Sem descanso, Abdias Nascimento procurou fazer o TEN ultrapassar os limites da função artística e empreender também uma ação social. Assim, criou um concurso de beleza para negras e um concurso de artes plásticas com o tema Cristo Negro. Em 1945, promoveu uma Convenção Nacional do Negro e, em 1950, o 1º Congresso do Negro Brasileiro. Em 1955, realizou a Semana do Negro e chegou a editar o jornal Quilombo. Sem dúvida, essas ações foram as sementes para a celebração que se faz na data de hoje. 



  

Texto: Majô Levenstein

 

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