Ponto | Tá com Fome? Vá ao Teatro

Publicado em: 25/09/2012

 

Cena de “Os Bem-Intencionados”, que cumpriu temporada no Sesc Pompeia (Divulgação)
 

Há peças que são um verdadeiro deleite aos nossos sentidos, especialmente quando texto, iluminação, sonoplastia, figurinos, atuação, direção, iluminação e cenários se apresentam “bem temperados”. Outras levam tão a sério esse conceito de “banquete” sensorial, que acabam convidando a plateia a, literalmente, degustar algo em cena.

Dentre as pioneiras dessa iniciativa, se não me falha a memória, está a peça “Tamara”, escrita por John Krizanc, dirigida por Roberto Lage e estrelada por Celso Frateschi, Edith Siqueira e o então novato Cassio Scapin, em 1992. A montagem era encenada pelos cômodos de um casarão antigo, hoje pertencente à empresa Porto Seguro, no bairro de Campos Elíseos, no Centro de São Paulo. A plateia era convidada a seguir uma das personagens durante o espetáculo, que abordava o encontro do poeta italiano Gabriele D’Annunzio com a pintora polonesa Tamara Lempicka, no palacete Il Vitorale, onde morava o escritor.

Em determinado momento da trama, era servido o jantar em homenagem à convidada, Tamara. E o público também podia tomar parte da cena servindo-se de um menu requintado, acompanhado de bebidas importadas (très chic!). O ingresso, por pessoa, era um pouco “salgado”, batendo a casa dos Cr$ 100 mil (algo em torno de R$ 250, em valores atuais).

Seguindo essa “receita”, como não se lembrar do espetáculo “Les Éphémères”, com a companhia francesa Théâtre du Soleil, visto por mais de  6 mil pessoas no Sesc Belenzinho, em 2007? Sob a direção de Ariane Mnouchkine, a história tratava de momentos do cotidiano, que poderiam ser vividos por cada um de nós (daí o título da peça, “Os Efêmeros”). Entre esses instantes fugazes, a plateia degustava pratos preparados pelo próprio elenco.

Já o grupo Lume, de Campinas, apresentou, no Sesc Pompeia, em setembro de 2012, a peça “Os Bem-Intencionados”, na qual retratava uma noite na vida de um conjunto musical de Guapiaçu, cidade do interior de São Paulo, dentro de um bar cenográfico. Assim, em vez de se sentar em cadeiras convencionais, o público era chamado a tomar lugar em uma das mesinhas espalhadas pelo bar/palco, onde eram servidos petiscos e bebidas (cachaça e cerveja, inclusive). A direção levava a assinatura de Grace Passô. E o melhor: o ingresso tinha preço de comidinha de boteco (R$ 24).

Só para constar: “Os Bem-Intencionados” não foi a primeira incursão da trupe campineira no universo gastronômico-teatral. Em 2011, eles encenaram “Café com Queijo”, que reunia “causos” e histórias reais, colhidos pela companhia nas cidadezinhas do interior paulistano. Em uma das cenas, dois personagens, Dona Angélica e Seu Justino, serviam ao espectador a combinação sugerida pelo próprio título do espetáculo. Quem provou garante que a mistura é boa…

Texto: Majô Levenstein

 

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