Ponto | Suzana e Myrna: Máscaras de Nelson Rodrigues

Publicado em: 06/12/2011

Escritor, dramaturgo, jornalista e torcedor fanático do Fluminense. Este era, resumidamente, Nelson Rodrigues. Além de seu reconhecido trabalho nos jornais e nos palcos, “o anjo pornográfico”, como se autointitulava, também escrevia folhetins que faziam o maior sucesso em O Jornal, de Assis Chateaubriand.

 

As histórias eram muito parecidas com as das novelas transmitidas, atualmente, na televisão. No final de cada história, se via a assinatura de Suzana Flag, pseudônimo de Nelson. Ele usava esse nome para se “esconder” da censura que imperava na década de 1940. O primeiro folhetim veiculado foi “Meu Destino É Pecar” (1944). O êxito foi tamanho que lançou-se um livro com todos os capítulos.

 

Tendo, logo de início, drama, morte, mentiras e traição, as narrativas cativavam tanto o público feminino quanto o masculino – até mesmo presidiários –, que mandavam cartas de amor à “autora” das histórias intrigantes. Cada episódio de “Meu Destino É Pecar” ocupava uma página inteira do jornal. Foram, ao todo, 38 capítulos, que elevaram a tiragem do jornal de 3 mil para quase 30 mil exemplares.

 

Ainda em 1944, Nelson publicou “Escravas do Amor”, o mais novo folhetim de Suzana Flag, e o sucesso foi tão grande quanto o primeiro. Após passar por alguns problemas sérios de saúde, em 1946, Nelson lança o livro “Minha Vida”, uma autobiografia de seu pseudônimo, no qual descrevia detalhes da própria trajetória, como as tragédias que presenciou na juventude.

 

Dois anos depois, em meio a estreias de peças de própria autoria, Nelson escreve outro folhetim, “Núpcias de Fogo”. Quando saiu de O Jornal e foi trabalhar no Diário da Noite, Nelson adotou um novo pseudônimo, Myrna. A principal diferença entre ela e Suzana era que Myrna respondia as cartas que recebia dos homens apaixonados.

 

Com esta nova “máscara”, o escritor publicou o folhetim “A Mulher que Amou Demais” (1949). Foram 26 capítulos que retratavam a vida de Lúcia, uma mulher que estava prestes a se casar e se vê, repentinamente, apaixonada por outro. Em 1953, Nelson escreve o último folhetim assinado por Suzana, “A Mentira”, veiculado no jornal Flan.

 

Após anos se “escondendo” atrás de nomes femininos, o jornalista resolve escrever com seu próprio nome. O primeiro romance foi “Asfalto Selvagem” (1959-60), publicado no jornal Última Hora. Seis anos mais tarde, lança, pela editora Guanabara, “O Casamento”.

 

Há 31 anos, o mundo perdeu Nelson Rodrigues, mas seu legado – tanto folhetinesco quanto dramatúrgico – está eternizado na mente de estudantes, profissionais e amantes da literatura e do teatro.

 
 
 
Texto: Jéssika Lopes

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