Ponto | Roxo, nem Pensar!

Publicado em: 15/05/2012

Não é raro o costume, presente em praticamente todas as sociedades, de atribuir valores e significados para as cores. Enquanto em uma cultura determinada tonalidade pode representar sorte, em outra pode simbolizar maus agouros, tornando-se, a partir de uma história – real ou fictícia – indesejável e até temida. Na França, por exemplo, ninguém entra no teatro de verde, pois esta teria sido a cor que Molière, um dos principais artistas do país, estava trajando no momento em que morreu, enquanto atuava em um espetáculo.

Esse também é o caso da cor roxa na Itália. Nos teatros desta terra, ator nenhum ousa entrar em cena vestindo essa cor, que, para eles, é um funesto sinal de desastre e má sorte. A origem da superstição remonta à Idade Média, época em que, durante a Quaresma – período de 40 dias que antecede a festa da ressurreição de Jesus Cristo, comemorada no Domingo de Páscoa –, as representações teatrais eram proibidas.

E de onde vem o roxo? Justamente dos rituais que eram promovidos nessa fase. A cor significava penitência, uma forma de a Igreja e os cristãos se prepararem espiritualmente para a grande festa, e não luto, como hoje. Por isso, a tonalidade predominava nos adornos e ornamentos das celebrações.

Os séculos se passaram, mas os italianos ainda dirigem olhares tortos ao roxo. E essa superstição não se limita ao palco. Dizem que Michele Guardì, um famoso diretor de televisão, sente tamanha aversão pela cor que o proíbe em todas as suas transmissões, chegando a fazer com que as convidadas tenham de trocar seus vestidos púrpuras por outros.

Sejam as superstições acerca do poder das cores pertinentes ou meras fantasias criadas pela mente humana, é certo afirmar que elas ocupam um grande espaço no imaginário coletivo e contribuem para a formação dos hábitos e costumes de uma sociedade. Sendo assim, a arte, como uma das principais formas de expressão da humanidade, também se apossa desses conceitos e os leva adiante.

 


Texto: Felipe Del

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