Ponto | Paulo Eiró: O Poeta de Santo Amaro

Publicado em: 05/07/2011

Paulo Eiró foi um poeta que, aos 11, anos se apaixonou pela prima Cherubina Angélica de Salles. Ela foi, por toda a vida, sua musa inspiradora, responsável pelas poesias mais belas e, também, mais tristes que ele já escreveu.

 

Nascido no, então, município de Santo Amaro, o filho de Antônio Francisco das Chagas e Maria Angélica, cresceu na dor desse amor não correspondido. Aos 19 anos, se formou na Escola Normal de São Paulo e iniciou sua carreira de professor. 

 

Logo no primeiro ano de magistério, Eiró se apaixonou pela poesia e nela encontrou seu refúgio para escrever suas decepções amorosas. Ao saber que Cherubina estava de casamento marcado com outro homem, o jovem poeta se viu perdido. A única situação capaz de animá-lo era entrar na Faculdade de Direito.

 

Para sua felicidade, seu sonho se concretizou e Eiró transferiu-se para São Paulo. Suas poesias agradavam muito aos amigos de faculdade, que, por vezes, as pronunciavam nas arcadas acadêmicas da, atual, São Francisco. Entretanto, sua fase animadora não perduraria por muito tempo. Vez ou outra, Eiró se trancava em seu quarto, absorto em seus pensamentos (Cherubina). 

 

As crises se alternavam com momentos bons e de intenso estudo. Seus momentos depressivos, contudo, foram se tornando cada vez mais constantes, até que o Seminário Episcopal, no bairro da Luz, onde ele estava vivendo, sugeriu que ele voltasse para Santo Amaro e, ainda, que suas poesias fossem destruídas. E assim fez seu pai.

 

Uma vontade irrevogável surgiu: viajar, a pé, até Mariana, cidade de Minas Gerais. Seus pais tentaram aconselhá-lo a não ir, mas não teve conversa. Abrigou-se em casa de amigos e parentes, porém, não conseguiu chegar ao seu destino inicial.

 

Algum tempo depois, Eiró retorna a São Paulo, trazendo consigo, apenas, um caderno velho de anotações. Por ironia do destino, o poeta regressou no exato momento do casamento de sua amada. Envolto por sentimentos, ele continuou sua caminhada a Santo Amaro, compondo a poesia “Fatalidade”.

 

O tempo passou e o sofrido poeta viu-se diante de uma situação que poderia ser responsável pela sua volta à “vida”; foi convidado, pela Comissão dos Festejos encarregada pelos 36 anos de S.M. Imperial D. Pedro II, para ceder os originais do drama “Sangue Limpo”, que seria representada em São Paulo. Participou da montagem, da marcação das cenas e de todos os ensaios, com notável entusiasmo.

 

A peça foi apresentada em 2 de dezembro de 1861, no Teatro São Paulo, localizado no Pátio do Colégio. Entre a multidão que foi assistir, personalidades do governo e muitos estudantes. Contudo, sua boa fase terminou no momento em que leu, no jornal, as más críticas a respeito de seu trabalho.

 

Com a saúde cada vez mais frágil, seu pai resolve interná-lo no Hospício dos Alienados, em São Paulo. Aos 36 anos, Paulo Eiró morre de meningite, dentro do hospício. 

 

Em 1952, um teatro municipal foi construído, em sua cidade natal, para homenagear esse poeta, escritor, dramaturgo e professor, considerado pelos críticos, um dos mais importantes artistas da região. 

 

Fotos: Divulgação

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