Ponto | O Teatro Goiânia e seus túneis

Publicado em: 05/11/2013

O decreto n° 5.868, de 15 de junho de 1942, baixava o regulamento do Cine-Teatro Goiânia. O “cine” no nome não escondia a principal função do espaço: “O Cine-Teatro Goiânia destina-se à exploração da exibição de filmes cinematográficos, em sessões diárias, e, mais, à exploração de representações teatrais e artísticas”, dizia o primeiro capítulo do artigo.

 

Depois de alguns anos, a casa passou a se chamar apenas Teatro Goiânia. Hoje, é o mais tradicional espaço cultural da capital goiana. No entanto, à época de sua construção, foi visto com maus olhos pela população, como publicou o Jornal Opção, na ocasião: “Considerado na época obra demasiadamente arrojada e de proporções gigantescas para uma cidade que teria no máximo 50 mil habitantes, conforme as previsões de então, o empreendimento foi acremente criticado, como foi, aliás, a própria mudança da capital do Estado de Goiás”.

 

Em seu livro “Teatro Goiânia: histórias e estórias”, o bibliotecário, fotógrafo, escritor e crítico teatral Gilson P. Borges reconstrói as origens e o desenvolvimento do Teatro, recuperando a memória deste importante espaço. Parte dessa história é composta por algumas curiosas lendas.

 

Uma das mais inusitadas diz respeito à existência de um túnel ligando o Teatro ao Palácio das Esmeraldas, na Praça Cívica, passando por baixo da Avenida Tocantins. A passagem teria sido feita durante a Segunda Guerra Mundial para dar acesso aos abrigos antiaéreos que existem sob o Teatro. 

 

Enquanto comandava a primeira grande reforma do espaço, um arquiteto descobriu os abrigos, mas a existência do tal túnel que levaria à Praça Cívica nunca foi comprovada. Ainda assim, realmente existiram túneis ali.

 

“O Teatro Goiânia, uma das primeiras edificações construídas na cidade, guarda alguns segredos que muitos, certamente, jamais imaginaram. Sob o seu piso ainda se encontram, praticamente intactos, três porões dotados de uma reforçada estrutura e que teriam sido feitos para servirem como abrigo antiaéreo. Uma medida de precaução, adotada no tempo em que desenrolava a Segunda Guerra Mundial”, afirma o escritor.

 

Segundo ele, em 1975, “quando o prédio sofreu uma de suas maiores reformas para ser transformado, efetivamente, num teatro, o túnel que dá acesso ao porão de maiores dimensões (19 metros de comprimento por nove de largura) foi obstruído para reforçar a estrutura da edificação. Os outros dois, menores, de aproximadamente 10 metros quadrados, permanecem como nos tempos do Cine-Teatro Goiânia. Mas sujo e sem iluminação, ninguém se aventura por seus corredores estreitos, de aproximadamente 1 metro de largura”.

 

Mais tarde, em 1978, o prédio sofreu outra reforma. Um arquiteto que participou da obra diz que, apesar de todos os boatos sobre os túneis levando ao Palácio das Esmeraldas, nada foi encontrado.

 

Independentemente da veracidade da história, vive, neste lugar, mais uma – entre tantas outras – lenda do teatro.

 

 

Texto: Felipe Del

Relacionadas:

Uncategorised | 14/ 07/ 2015

Ponto | Regras para montar um currículo de ator

SAIBA MAIS

Uncategorised | 30/ 06/ 2015

Ponto | O nu coletivo no teatro brasileiro

SAIBA MAIS

Uncategorised | 23/ 06/ 2015

Ponto | Pequena biblioteca para atores

SAIBA MAIS