Ponto | O Teatro da Concórdia

Publicado em: 07/08/2012

O roteiro de um passeio pelo Brás não pode deixar de lado uma das praças mais conhecidas da cidade de São Paulo. O Largo da Concórdia, localizado no coração do bairro, a poucos quarteirões da sede Brás da SP Escola de Teatro – Centro de Formação das Artes do Palco, hoje é cercado, principalmente, pelo comércio.

 

Mas em uma viagem pela sua história, é possível observar que nem sempre foi assim. O largo foi batizado em 1852 pela Câmara Municipal, em homenagem à cidade argentina de mesmo nome, que abrigara, meses antes, os soldados brasileiros que marcharam para lutar na Guerra do Paraguai.

 

Naquele século, a praça abrigava feiras de mulas, além de sediar circo e parque de diversões. Com o passar dos anos, já no século 19, tornou-se ponto de grandes concentrações populares, graças à proximidade com as agitadas estações Norte e Brás. Após a construção do Viaduto do Gasômetro, em 1949, o largo foi perdendo, aos poucos, sua nobreza, enquanto camelôs ocupavam seu entorno.

 

Teatro Colombo (Foto: Divulgação)

 

Voltando aos tempos áureos, durante a década de 1900, ali no Largo da Concórdia, abria as portas o Teatro Colombo. Substituindo o antigo Mercado do Brás, cujas instalações foram aproveitadas, em 1907, para a construção do teatro, a casa finalmente estreou suas atividades em 1908. Nesse mesmo ano, foi arrendado pela Companhia Cinematográfica Brasileira e começou a transmitir filmes, com uma particularidade: enquanto os espectadores estavam com seus olhos voltados para a tela, um tenor soltava a voz em trechos de óperas, e o som era emitido por um gramofone.

 

Seu auge, no entanto, veio em 1911, com a ópera “Amica”, regida pessoalmente por seu autor, o italiano Pietro Mascagni. Na ocasião, discursos foram pronunciados e uma placa comemorativa, inaugurada no saguão.

 

Depois de quase seis décadas de glória, recebendo um elegante público, vindo de toda a cidade, o Colombo conheceu a decadência e foi desativado. Em 19 de julho 1966, ainda fora de atividade, a casa foi consumida pelas chamas de um misterioso incêndio – já que ninguém soube dizer sua causa e se foi ou não criminoso -, fechando de vez suas portas. Um jornal da capital publicou, na manhã seguinte, em sua capa: “O Teatro Colombo deu seu último espetáculo”. Um final nada feliz…

 

 

Texto: Felipe Del

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