Ponto | O Teatro Carlos Gomes e o Terceiro Reich

Publicado em: 14/02/2012

Desde sua criação, em 1935, o Teatro Carlos Gomes, em Blumenau, tem despertado o interesse de historiadores e estudiosos do teatro em função das lendas de sua relação com o nazismo. Tudo começa em 24 de junho de 1860, quando a Sociedade dos Atiradores de Blumenau, interessada em expressões artísticas, funda a Sociedade Teatral de Blumenau e a Sociedade dos Cantores da Colônia de Blumenau. Nasciam, assim, as primeiras encenações teatrais e manifestações artísticas da cidade.

 

Fachada do Teatro Carlos Gomes (Foto: Divulgação)

 

Porém, em 1895, com objetivos diferentes e divergências de planejamento, a Sociedade Teatral de Blumenau se desvinculou da Sociedade de Atiradores e passou a usar o nome de Sociedade Teatral Froshsinn. Em 1935, inicia-se a construção de um teatro imponente na região, sob supervisão do engenheiro Franz Knoblauch.

 

Além de engenheiro civil, Knoblauch chefiava o Partido Nacional Socialista Alemão dos Trabalhadores (NSDAP), que era sede do Partido Nazista no Brasil, sendo uma das mais influentes concentrações nazistas dentro de nosso território. Ao término de sua construção, notava-se que o prédio era semelhante a um quepe usado por Adolf Hitler em seus discursos. Em visita a Blumenau, ao se deparar com o prédio, o presidente Getulio Vargas comentou que o mesmo tinha sido construído para um possível discurso do Führer, no caso de uma visita ao Brasil.

 

As lendas aumentaram a partir de um boato sobre a existência de túneis em baixo do prédio, que possibilitariam a fuga do ditador e algumas outras lideranças alemãs caso fossem vítimas de algum atentado. Apesar de toda especulação em torno da criação do teatro, historiadores nunca comprovaram estas teorias. A galeria fluvial construída quase que na mesma época pode ter originado as especulações sobre os túneis. 

 

Boatos ou não, muitos romances como “O Segredo de Meu Avô” de Henrique Becker, são escritos baseados nas lendas sobre o teatro e sua especulação ainda alimenta a imaginação de vários artistas da região. 

 

 

Texto: Victor Serrano

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