Ponto | O Rei da Vela

Publicado em: 31/05/2011

“O Rei da Vela” foi uma das mais marcantes encenações do teatro brasileiro no século XX. Sua relevância no cenário cultural nacional foi tão grande ao ponto de tornar-se emblema do movimento tropicalista, que ganhava força no final da década de 60.  

 

O texto, escrito em 1933 por Oswald de Andrade, teve que esperar mais de três décadas para subir aos palcos, quando, finalmente, em 1967, foi encenado por José Celso Martinez Corrêa, fundador do Teatro Oficina. A companhia, que sempre ocupou posição vanguardista, alcançou destaque absoluto justamente a partir desta obra.

 

No elenco, nomes como Ítala Nandi, Renato Borghi, José Wilker, Maria Alice Vergueiro, Yolanda Cardoso e Othon Bastos.

 

A montagem também se destaca pelo inovador cenário criado por Hélio Eichbauer, que pretendia chocar esteticamente o público com a utilização de várias cores. 

 

A obra é reflexo da crise histórica e cultural vivenciada por Oswald de Andrade nos anos 30, quando o Brasil se encontrava submetido ao imperialismo americano. O autor traz isso para o teatro narrando a história de Abelardo I, um inescrupuloso agiota apelidado Rei da Vela, que trabalha produzindo e vendendo velas e atua em vários outros setores, mas é especializado em empréstimos. 

 

Com o País em plena crise econômica, Abelardo I empresta dinheiro a juros exorbitantes, mas sabe que é apenas “um feitor do capital estrangeiro”. Casa-se com Heloísa, que é filha de um coronel latifundiário falido. A união representa a fusão de classes sociais.

 

Várias outras personagens surgem durante a trama, sendo que várias delas representam culturas diferentes, como o Americano, o Índio e a Baiana. 

 

A trilha sonora de “O Rei da Vela” foi composta por Damiano Cozzella, Rogério Duprat e Caetano Veloso, um dos maiores representantes da tropicália. Este último até utilizou, na capa de seu cd “Estrangeiro”, o desenho que Hélio Eichbauer fez para o cenário da peça.

 

A montagem alcançou tamanho sucesso, que, em 1968, é apresentada na Europa, em Florença e em Paris. Depois de alguns anos, graças a uma parceria entre José Celso Martinez Corrêa com Noilton Nunes, o espetáculo foi filmado, porém, nunca entrou em circuito comercial. 

 

Assim, “O Rei da Vela” revolucionou sua época ao satirizar a ópera, a revista musical, os filmes da Atlântida e a comédia de costumes e abusar de signos que remetiam à sexualidade explícita, tornando-se, deste modo, referência para diversos artistas que aderiram ao movimento tropicalista.

 

Foto: Divulgação

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