Ponto | O papa do teatro

Publicado em: 17/12/2013

Karol Józef Wojtyła. Ainda com esse nome, o homem que um dia seria conhecido como Papa João Paulo II sonhava ser poeta e dramaturgo. Nascido em 1920, na Polônia, chegou a frequentar a universidade, onde estudou língua polonesa e literatura. Além da paixão pelas letras, acumulou, ainda, várias atuações no teatro.

 

Ao partir, em 2005, Wojtyła deixou também uma peça de teatro, escrita sob o pseudônimo de Andrzej Jawién, na década de 1960, “A loja do ourives”. 

 

O texto, criado quando ele tinha 40 anos e era ainda Bispo de Cracóvia, é composto por vários monólogos que abordam questões existenciais sobre temas como amor e casamento. É abordada, assim, a riqueza presente no amor entre o homem e a mulher, com toda sua complexidade: união e separação, encantos e desencantos, esperanças e medos.

 

A trama se desenrola a partir da história de três mulheres que pertencem à mesma família, mas de gerações distintas: Teodora, que vive, durante a II Guerra Mundial, o amor de seus sonhos; Ewa, sua filha, que tem dificuldade para encarar relacionamentos, mesmo no auge da revolução sexual dos anos 1970; e, finalmente, nos anos 1980, a neta Malina, que teme que o casamento estrague sua vida, que é guiada pelo individualismo.

 

Depois de 30 anos de esforços para que a montagem pudesse ser levada aos palcos, o objetivo foi cumprido em 2012, quando o musical “Enlace – a Loja do Ourives” cumpriu temporada no Teatro Tuca, em São Paulo, sob direção de Roberto Lage. Dois aprendizes da SP Escola de Teatro – Centro de Formação das Artes do Palco participaram do espetáculo: Diego Velloso, interpretando Nikolai, que se envolve com Ewa, e Iza de Nina, que trabalhou como estagiária na produção.

 

“Está sendo uma experiência muito interessante, pois recebemos um público que não está tão acostumado a ir ao teatro, como muitas pessoas da Igreja. São padres, bispos, freiras. Apesar de ficarem com certo receio em algumas cenas, até por não ser um texto religioso, eles estão gostando bastante e nos dando uma boa devolutiva”, comentou Velloso na época.

 

Segundo ele, o próprio Vaticano convidou os artistas a levarem o espetáculo ao país. No entanto, a viagem não pôde ser feita, devido ao número de profissionais envolvidos, que era muito alto. Além disso, representantes da sede da Igreja Católica acompanharam todo o processo de montagem e assistiram a algumas sessões. 

 

Depois de São Paulo, a peça passou por Recife e Fortaleza e, em 2013, a voltou a ser montada, ainda com direção de Lage, mas no Rio de Janeiro, onde cumpriu temporada no Teatro Imperator e fez parte da programação da Jornada Mundial da Juventude (JMJ).

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