Ponto | O modernista do Cadillac verde

Publicado em: 22/10/2013

Há exatos 59 anos, o Brasil perdia um de seus mais importantes artistas: o escritor, ensaísta e dramaturgo Oswald de Andrade (1890-1954). Um dos principais idealizadores da Semana de Arte Moderna, em 1922, ao lado de Mario de Andrade e Tarsila do Amaral, entre outros artistas e intelectuais da época, tornou-se um dos grandes nomes do modernismo literário brasileiro.

 

Excêntrico por natureza, o artista nasceu em São Paulo, mas andou pelo mundo. Permanentemente apaixonado, criou escolas de artes e foi um dos precursores da figura do agitador cultural. 

 

Oswald de Andrade (Foto: Reprodução)

 

Para se ter uma ideia do jeito extravagante do artista, ele comprou um Cadillac verde, com o qual andava pela pauliceia desvairada, apenas porque o carrão já vinha com um cinzeiro embutido. 

 

Ao longo de sua trajetória, escreveu livros de suma importância para a cultura brasileira, como “Memórias sentimentais de João Miramar” – um dos primeiros livros modernistas do Brasil –, os manifestos “Manifesto pau-brasil” (1924) e “Manifesto antropófago” (1928), e as peças “O homem e o cavalo” (1934) e “O rei da vela” (1937). Esta última chegou a ser encenada no Experimento do módulo Amarelo da SP Escola de Teatro – Centro de Formação das Artes do Palco, em 2010.

 

Além disso, a Escola guarda uma raridade em sua Biblioteca. Entre os exemplares que compõem o acervo da Escola, está o livro “Poesias Reunidas”, de Oswald, parte do Fundo Alberto Guzik, doado pelos familiares do crítico, ator, diretor, dramaturgo, pesquisador teatral e diretor pedagógico da Escola, após sua morte, em junho de 2010. 

 

A obra, de páginas já bem amareladas por conta do tempo contém uma dedicatória do autor, datada de 23 de junho de 1945.

 

(Foto: André Stefano)

 

Na ocasião da Semana de 22, Oswald declarou: “Não sabemos o que queremos. Mas sabemos o que não queremos”. O que quer que ele tenha feito, o fez com maestria. Por toda sua contribuição às artes de nosso País, fica aqui a homenagem da SP Escola de Teatro. Mas, atenção: ao pronunciar seu nome, atente-se à forma correta, com acento na letra “a”. Assim, não se deve falar “Ôswald”, mas sim “Oswáld”. Ele e todos seus fãs agradecem.

 

 

Texto: Felipe Del

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