Ponto | O camarim de Irene Ravache

Publicado em: 24/02/2015

Camarim de ator é sempre como um universo paralelo, repleto de peculiaridades e envolto em um clima com um toque de sagrado. No espaço de uma das mais consagradas atrizes do Brasil, Irene Ravache, não poderia ser diferente.

 

Na década de 1980, por exemplo, ela, como a maioria de seus colegas de ofício, mantinha pendurados no espelho os bilhetes deixados por amigos, que ocupavam parte da superfície refletora e da moldura. Hoje, aos 70 anos, a artista já não sustenta mais a prática, por conta da grande rotatividade dos espaços teatrais.

 

Irene Ravache sendo entrevistada em seu camarim por Goulart de Andrade, em 1982

 

No entanto, há um costume que acompanha a atriz nos últimos anos. Em vez dos bilhetes – que, ainda importantes, agora ficam guardados em sua maleta – uma frase fica marcada em seu espelho. 

 

Escrito em batom vermelho, “Amanheceu, simples e absurdo” é o pensamento que a inspira antes e após sair dos palcos.

 

Camarim atual da artista, no Teatro TUCA, com a peça “Meu Deus” 

 

As palavras foram extraídas da música “Amanheceu”, de Jorge Vercilo. “Eu adoro essa frase. Acho sempre um absurdo o amanhecer”, ela revelou em entrevista à TV Gazeta.

 

Leia a letra inteira:

 

“Amanheceu

como num segundo

Amanheceu

apesar de tudo

Amanheceu

um raio no escuro

Amanheceu

simples e absurdo

Amanheceu

uma nova era

Amanheceu

renasceu da guerra

Amanheceu

um planeta mudo

Amanheceu

Era o fim da estrada

Era o fim do mundo ali

mas o sol brilhava

inacreditável em si

Não se imaginava

foi o fim de tudo, eu vi

mas o sol teimava

em raiar e resistir

E no mesmo dia

em que a ‘profecia do fim’

se revelaria,

eu te conheci assim…”

 

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