Ponto | McCartney Ganha os Palcos

Publicado em: 27/09/2011

Uma das idolatradas figuras da história da música mundial e ícone da cultura pop do século XX está colocando sua aptidão musical em outro plano, e experimenta, pela primeira vez, realizar a composição de trilha sonora para um espetáculo teatral. Aos 69 anos, o ex-Beatle Paul McCartney estreou nessa área, na semana passada, em “Ocean’s Kingdom”, da companhia New York City Ballet.
 

A montagem narra uma história de amor, ambientada em dois “universos”: o reino do oceano, que representa a pureza e a bondade, e o reino da terra, que simboliza exatamente o oposto. Então, a filha do rei do oceano, chamada Honorata, se apaixona pelo irmão do rei da terra, dando início a um amor proibido.
 

Embora “Ocean’s Kingdom” tenha obtido reações mistas da crítica, o principal destaque da montagem ficou por conta do carismático compositor, que, além de ser responsável pela trilha sonora, também teve participação na trama e na coreografia. Outro fator que chama a atenção é Stella McCartney, filha de Paul, que assina a cenografia e o figurino, na primeira colaboração profissional ao lado do pai.
 

McCartney teve sua carreira marcada, assim como os demais Beatles, por experimentações de diversos estilos, influências e instrumentos musicais, incorporando-as ao Rock n’ Roll. Em sua carreira solo, chegou até a trabalhar com música clássica e eletrônica. Não à toa, em 1979, entrou para o Guinness Book como o compositor de maior sucesso da música pop mundial. “Sempre me interesso por novos rumos, coisas com as quais não trabalhei antes. Fiquei interessadíssimo na ideia”, disse McCartney em seu site.
 

Por trás da montagem, existe, também, uma curiosa coincidência. A Decca Records, gravadora com a qual McCartney assinou contrato para a gravação da trilha sonora, é a mesma entidade que, em 1962, se recusou a fazer um contrato com os Beatles, alegando que “bandas com guitarra estavam com os dias contados”. Anos mais tarde, arrependeram-se e entraram para a história da música como um dos maiores enganos já cometidos.
 

Mais uma vez, parece estar provado que a sensibilidade e a capacidade artística de McCartney não se limita ao Rock n’ Roll e à música popular. Com esse balé, o multi-instrumentista acrescenta seu toque singular também a outra forma de arte e se torna o primeiro dos lendários integrantes do Beatles a se aventurar nos palcos.

 

Texto: Felipe Del

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