Ponto | Dina Sfat

Publicado em: 28/10/2014

Dina Sfat (1938-1989), uma das mais importantes atrizes brasileiras, completaria hoje 76 anos. 

 

Dina Kutner de Souza nasceu em São Paulo, tendo adotado Dina Sfat como nome artístico em homenagem à mãe, que nasceu na cidade polonesa de Sfat. Foi casada com o ator Paulo José durante 17 anos, com quem teve três filhas: Isabel, Ana e Clara.

 

Outra deixa para que a vida e obra da artista ganhem espaço no Ponto de hoje, essa triste, é a causa de sua morte, aos 49 anos: um câncer de mama contra o qual já lutava havia anos. Sua partida tem ainda mais relevância neste Outubro Rosa, que alerta a sociedade quanto à importância da prevenção e do diagnóstico precoce da doença.

 

A estreia oficial de Dina nos palcos se deu na peça “A rainha e os rebeldes”, em 1957, com direção de Maurice Francini, mas seu primeiro trabalho profissional foi em 1960, quando atuou na montagem de “Antígone América”, sob a direção de Antônio Abujamra. Na sequência, voltou ao teatro amador, fazendo parte de um grupo do Centro Acadêmico da Faculdade de Engenharia da Universidade Mackenzie, onde participou, em 1962, de duas montagens de peças de Bertold Brecht: “Aquele que diz sim, aquele que diz não”, dirigida por Antônio Ghigonetto, e “Os fuzis da senhora carrar”, encenada por Emilio Di Biasi.

 

Em 1962, entrou para o Teatro de Arena, atuando, no ano seguinte, em “O melhor juiz, o Rei”, de Lope de Vega, com direção de Augusto Boal. Com o grupo, participou das peças “Tartufo” (1964), de Molière, “Arena conta Zumbi” (1965), de Gianfrancesco Guarnieri e Augusto Boal (que lhe rendeu o Prêmio Governador do Estado de São Paulo como melhor atriz), “O inspetor geral” (1966), de Nikolai Gogol, e “Arena Conta Tiradentes” (1967), de Gianfrancesco Guarnieri e Augusto Boal. Em 1967, substitui Ítala Nandi no elenco da peça “O rei da vela”, de Oswald de Andrade, encenada por José Celso Martinez Corrêa, no Teatro Oficina.

 

Atuou, ainda, em “Black comedy” (1970), de Arthur Laurents, direção de Maurice Vaneau; “Dorotéia vai à guerra” (1973), de Carlos Alberto Ratton, direção de Paulo José; “O colecionador” (1974), de Peter Fowles, direção de Fernando Torres. 

 

Depois, foi dirigida quatro vezes por Paulo José, então seu marido, em: “A mandrágora” (1975), de Maquiavel; “Seis personagens à procura de um autor” (1977), de Luigi Pirandello; “Murro em ponta de faca” (1979), de Augusto Boal, e “Transaminases” (1980), de Carlos Vereza.

 

Sob direção de Gilles Gwizdek, atuou em “As criadas” (1981), de Jean Genet, e “Hedda Gabler” (1982), de Henrik Ibsen. Também participou de “A irresistível aventura” (1984), que reúne peças curtas de Federico García Lorca, Artur Azevedo, Tennessee Williams e Anton Tchecov, sob direção de Domingos de Oliveira. E, finalmente, “Florbela Espanca” (1986), que foi encenada em Portugal.

 

Dina também teve vasta atuação no cinema, estreando em 1966, no filme “O corpo ardente”, de Walter Hugo Khouri, ganhando destaque ao atuar, em 1969, em “Macunaíma”, filme inspirado na obra homônima de Mário de Andrade, dirigido por Joaquim Pedro de Andrade. Ainda atuou em clássicos como “Álbum de família” (1981), de Braz Chediak, “Eros, o deus do amor” (1981), de Walter Hugo Khouri, “Das tripas coração” (1982), de Ana Carolina. Seu último filme foi “O judeu”, de Jom Tob Azulay, baseado na vida de Antônio José da Silva, escritor luso-brasileiro do século XVIII que morreu na fogueira da inquisição, que só estreou em 1996, sete anos depois da morte da atriz.

 

Na mesma época em que estreou no cinema, também chegou à televisão, estreando na novela “O amor tem cara de mulher”, em 1966, de Cassiano Gabus Mendes, na TV Tupi. Depois de fazer algumas novelas na emissora paulista, passou pela TV Excelsior, em “Os fantoches” (1967), de Ivani Ribeiro. Em 1970, a convite de Dias Gomes, estreia como protagonista da novela “Verão vermelho”. De sua chegada à Globo até sua morte, em 1989, foi a atriz preferida tanto de Dias Gomes, como de sua mulher, Janete Clair, participando de quase todas as novelas da dupla de novelistas. Seu último trabalho na televisão foi em “Bebê a bordo”, em 1988, novela de Carlos Lombardi.

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