Ponto | Das telas para os palcos

Publicado em: 17/03/2015

O teatro sempre foi uma das fontes do cinema mundial. Roteiros e grandes filmes surgiram a partir de textos teatrais, como os de Tennessee Williams. “Um Bonde Chamado Desejo” ficou célebre nas telas com Viven Leigh vivendo Blanche DuBois, ou “A Rosa Tatuada”, com Anna Magnani, e “De Repente, no Último Verão”, com Elizabeth Taylor. Outros autores também seguiram do teatro para o cinema. Uma infinidade deles.

Ultimamente, no entanto, está ocorrendo o caminho inverso entre peças e roteiros. Uma nova tendência, especialmente na Broadway, em Nova York, faz com que produtores apostem em roteiros de filmes que foram grande sucesso de bilheteria para transformá-los em grandes musicais.

Um desses exemplos é “Mudança de Hábito”, filme, de 1992, estrelado por Whoopi Goldberg, consagrado como uma das comédias mais reconhecidas do seu tempo. Na trilha desse sucesso, invadiu os palcos e ganhou superprodução musical em 2009, reconhecida pelo público e pela crítica. Hoje já soma apresentações em 11 países, incluindo os Estados Unidos, na Broadway, e Inglaterra, no West End. Depois de ser assistido por mais de cinco milhões de espectadores no mundo, a montagem original – com letras em português e elenco brasileiro – desembarca no Brasil, no Teatro Renault, em São Paulo.

Outra superprodução que chegou primeiro aos cinemas, tornando-se sucesso mundial no teatro, é “O Rei Leão”, desenho animado da Walt Disney Pictures, que estreou em 1994. O braço teatral da Disney cria a versão para os palcos em 1997, ficando em cartaz durante anos com lotação esgotada no New Amsterdam Theatre, na Broadway. A versão brasileira estreou em São Paulo, em 2013, ficando dois anos em cartaz.

Outro grande filme que foi transformado em musical foi “Crepúsculo dos Deuses” (Sunset Boulevard), de 1950, com direção de Billy Wilder, com William Holden, como o roteirista azarado Joe Gillis, e Gloria Swanson, como Norma Desmond, uma decadente atriz da era do cinema mudo. No teatro, o musical baseado no filme estreou primeiro em Londres, em 1993, com Patti LuPone, e no ano seguinte chegou à Broadway, com Glenn Glose no papel de Norma Desmond, ganhando oito prêmios Tony, incluíndo de melhor musical e melhor atriz. 

Nessa mesma linha de transformar blockbusters em musicais, a próxima montagem que tem tudo para dar certo é a versão de “Uma Linda Mulher”, filme de 1990, dirigido por Garry Marshall e estrelado por Richard Gere e Julia Roberts. Ao completar 25 anos, o filme deverá chegar em breve aos palcos da Broadway, com data de estreia ainda não divulgada.

Texto: Carlos Hee

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