Ponto | Clap! Clap! Clap!

Publicado em: 27/05/2014

Eles andaram causando polêmica no meio teatral. Muitos dizem que fazê-los de pé ao término de qualquer espetáculo deixa o ator “mimado” e sem referências da reação do público diante de um trabalho normal e um extraordinário. Segundo os críticos, este tornou-se um ato automático, que não demonstra o verdadeiro entusiasmo causado por uma apresentação arrebatadora, como acontecia antigamente: apenas os melhores espetáculos mereciam tal saudação.

 

Estamos falando, claro, dos aplausos. Mas, afinal, como surgiu essa manifestação que revela aprovação? Trata-se de uma história muito antiga, datada de pelo menos 3 mil anos atrás – sem esquecer que bater palmas muito provavelmente era utilizado há ainda mais tempo como forma de marcar ritmos sonoros.

 

Naqueles tempos, o ato de bater as palmas das mãos para extrair ruídos tinha natureza religiosa e se popularizou pela presença em rituais pagãos. A intenção era chamar a atenção dos deuses. Semelhante era a essência do aplauso no teatro clássico grego: os artistas faziam questão de recebê-los como forma de receber a proteção dos espíritos das artes.

 

Da Grécia para a Roma Antiga, o aplauso começou a ser frequente em discursos políticos. Em suas aparições públicas, o imperador Nero levava consigo mais de 5 mil homens incumbidos de aplaudi-lo. A partir daí, vários outros lugares do mundo adotaram o hábito do aplauso nestas ocasiões.

 

Como fazia Nero, os teatros de Paris, durante os séculos 18 e 19, contratavam pessoas, só que exclusivamente para ficar na plateia e aplaudir no final (qualquer semelhança com aqueles programas de auditório da televisão atual não é mera coincidência).

 

Apesar desses casos isolados em que se observam truques com a utilização dessa expressão, até hoje aplausos longos e intensos costumam simbolizar uma boa recepção do público à obra ou evento apresentados. Levantar durante isso, então, significava que a plateia estava ainda mais satisfeita com o que foi visto. E é justamente por isso que muitos artistas se manifestaram contra a recente banalização dos aplausos de pé. 

 

Se os aplausos funcionam como uma espécie de termômetro para os profissionais do palco, eles merecem mais respeito e valorização? Ou já é um “gesto social automático”, como disse o crítico americano Ben Brantley?

 

Texto: Felipe Del

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