Ponto | Carnaval + Teatro = Samba

Publicado em: 04/03/2014

O que será que acontece ao misturar teatro e carnaval? Dá samba, claro! Prova disso são as duas montagens que o Ponto de hoje relembra: “Otelo da Mangueira” e “Orfeu da Conceição”.

 

Inspirada na tragédia “Otelo, o mouro de Veneza”, de William Shakespeare, a primeira montagem foi assinada pelo autor e ator Gustavo Gasparani, que a transformou em um musical que estreou no Rio de Janeiro em 2006, quando também cumpriu temporada em São Paulo. Nele, 13 atores – alguns advindos da própria comunidade da Mangueira – dirigidos por Daniel Herz contavam a história da Escola de Samba Estação Primeira de Mangueira, tendo como pano de fundo o texto do bardo inglês.

 

Em vez de guerras, generais e espadas, então, o público viu uma trama ambientada no morro, com a forte presença dos traficantes de drogas, da violência e das escolas de samba da década de 1940. As armas e canhões também deram lugar a cuícas, taróis e surdos da marcação. No entanto, a marca de Shakespeare continuava ali, marcada por vingança, traição, ambição, ciúme, amores e ódios.

 

“Orfeu” dirigido por Aderbal Freire Filho (Foto: Divulgação)

 

A segunda montagem que remete ao Carnaval é “Orfeu da Conceição”, adaptação que também ganhou formato de musical, mas há bastante tempo. Nela, o mito grego de Orfeu foi transposto para as favelas cariocas pelas mãos de Vinícius de Moraes. Outro ícone da música brasileira, Tom Jobim, musicou todo o espetáculo. Estreou em 1956 no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, com cenários assinados por Oscar Niemeyer e encenado pelo Teatro Experimental do Negro. Pela primeira vez, um elenco só de atores negros ocupava o mais famoso teatro brasileiro. 

 

A história apresenta Orfeu da Conceição, um sambista do morro, filho de um músico e de uma lavadeira, que se apaixona pela jovem e bela Eurídice. O romance logo desperta ciúme e um irrefreável desejo de vingança em Mira, ex-namorada de Orfeu, que leva Aristeu, apaixonado por Eurídice, a matá-la. Ao final do carnaval, na terça-feira, Orfeu desce o morro e vai ao Clube dos Maiorais do Inferno, para tentar ver sua amada pela última vez. Depois, Mira ainda reúne outras mulheres para completar sua vingança, matando o sambista.

 

Alguns anos depois do espetáculo, foi lançado o filme “Orfeu Negro” (1959). A produção ítalo-franco-brasileira levou a Palma de Ouro, o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro e o Globo de Ouro, em 1960. Quatro décadas depois, Cacá Diegues dirigiu um outro filme baseado na peça, “Orfeu”, que tem música de Caetano Veloso e estrelado pelo cantor Toni Garrido. Já em 2010, o musical voltou aos palcos com o título de “Orfeu”. Encenado por Aderbal Freire Filho, a peça teve no elenco 16 atores negros, acompanhados de sete músicos. A direção musical foi assinada por Jaques Morelenbaum e Jaime Alem, e a coreografia por Carlinhos de Jesus.

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