Ponto | Caco

Publicado em: 09/11/2010

Esqueça os pedaços de vidro estilhaçados no chão ou aquelas pessoas que dizem que seu cansaço o transformou num caco. Estamos no teatro afinal, e, aqui, o significado da palavra caco é bem diferente. Você sabia?

 

O caco é uma fala improvisada para consertar algum erro ou substituir algum elemento ausente, seja no texto ou na cena. Também pode ser a fala inexistente no texto da peça, mas que o ator introduz no desenrolar cena, de forma cômica ou não. Essa improvisação verbal, durante o espetáculo, pode ser um dos causadores da poluição cênica ou um sinal de falta de domínio do texto por parte do ator.

 

Paulo Autran, durante entrevista concedida a Simon Khoury, publicada em Atrás da Máscara (v. 2, p. 169), conta que para superar uma situação de erro, precisou recorrer ao caco: “Aconteceu na época do TBC em que, aos sábados, a peça era realizada três vezes em três sessões. Trabalhavam Ziembinski e Cacilda Becker. Quando chegava na terceira sessão, o Ziembinski, coitado, exausto, muitas vezes misturava português com polonês, isto quando não cochilava! A personagem que a Cacilda fazia, depois de se preparar toda, chega perto do marido e diz que vai dar um passeio. O Ziembinski, então, chama o empregado, papel feito pelo Josef Guerreiro, e deveria dizer: Atrele os cavalos que madame vai sair!” Em vez disso, ele falou: “Atrele os cachorros que madame vai sair”. Na mesma hora o Josef Guerreiro respondeu: “Madame vai de trenó?”

 

Um caco não pode se repetir em cada apresentação, pois isso desconfigura seu caráter de improviso. Nesses casos, ele deixa de ser um caco para ser uma alteração planejada, configurando-se uma adaptação do texto ou licença poética.

 

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