Ponto | Anne Frank no teatro

Publicado em: 27/01/2015

Hoje, dia 27 de janeiro, é o Dia Internacional de Comemoração em Memória das Vítimas do Holocausto, que foi instituído em 2005 pelas Nações Unidas, como forma de celebrar a ocasião em que o Exército Vermelho descobriu o sangrento campo de concentração e extermínio Auschwitz-Birkenau. Dessa forma, há exatos 70 anos, milhares de prisioneiros, em sua absoluta maioria judeus, foram libertados.

 

Irina Bokova, diretora-geral da Unesco – instituição que foi fundada justamente como consequência do Holocausto, para prevenir que crimes desse tipo ou semelhantes voltem a acontecer – escreveu, em mensagem publicada no site: “Este Dia Internacional traz para o centro das atenções os princípios fundamentais que sustentam todas as nossas ações e a necessidade absoluta de que eles sejam aplicados na atualidade”.

 

Uma pessoa, entre os mais de 6 milhões de judeus que foram assassinados pelo regime nazista, teve sua dolorosa história particular amplamente conhecida pelo mundo inteiro. Seu nome é Anne Frank (1929-1945), e ela era apenas uma adolescente alemã de origem judaica quando morreu, aos 15 anos, no campo de Bergen-Belsen, após ser transferida de Auschwitz.

 

Até então, sua morte era mais uma tragédia em meio a tantas outras. No entanto, Otto Frank, seu pai – que foi o único da família a escapar com vida do Holocausto – teve acesso ao diário da filha quando regressou a Amsterdã, onde passaram a maior parte da vida. Graças a ele, a potência e maturidade dos relatos, que mostram a conturbada vida de Anne dos 13 aos 15 anos, transformaram-se em livro em 1947. Hoje, “O diário de Anne Frank” é um dos livros mais traduzidos em todo o mundo.

 

Com menos repercussão que o livro, a triste história da garotinha também foi levada ao palco. Adaptada por Frances Goodrich e Albert Hackett, dramaturga e dramaturgo estadunidenses, com autorização de Otto Frank, a peça estreou em Nova Iorque em 5 de outubro de 1955, com direção de Garson Kanin. Joseph Schildkraut interpretava Otto, enquanto Susan Strasberg fazia Anne.

 

Otto Frank com Frances Goodrich, Albert Hackett e o diretor Garson Kanin na casa de Anne Frank

 

“Espero que, através desta peça teatral, a maior quantidade possível de pessoas se dê conta de que elas mesmas são responsáveis pela sorte de seus próximos”, disse o pai de Anne, que não apenas apoiou como também contribuiu para a construção da narrativa e das personagens. Ele, no entanto, nunca viu a montagem – assim como o bem-sucedido filme que foi criado em 1959 –, pois considerava demasiadamente doloroso. 

 

No ano seguinte à estreia, a peça levou o Prêmio Pulitzer de Drama, e seguiu com apresentações até 1957, totalizando 717 sessões. 

 

Quatro décadas depois, a peça ganhou uma adaptação por Wendy Kesselman, dirigida por James Lapine, e também foi lembrada em grandes premiações. Até hoje, diversas companhias amadoras e profissionais se rendem à emocionante história de Anne Frank.

 

Texto: Felipe Del

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