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Ponto | A primeira Julieta brasileira

Publicado em: 20/05/2014

Sônia Oiticica é o nome da primeira atriz brasileira a interpretar Julieta, de “Romeu e Julieta”, famosa peça de William Shakespeare, na primeira montagem realizada no Brasil, em 1938.

 

Sob direção de Itália Fausta, a alagoana interpretou uma das mais conhecidas personagens do teatro acrescentando, ainda, uma alta dose de polêmica – elemento que se tornaria uma das principais marcas de sua bem-sucedida carreira. 

 

Interpretando seu primeiro papel (que responsabilidade!), fez questão de beijar de verdade a boca de Paulo Porto, o ator que fazia Romeu, atitude considerada um escândalo naquela época. “Quando começamos a ensaiar a célebre cena do beijo, eu disse logo: ‘não vou dar beijo fingido’. Clima de escândalo… Risinhos… Beijo na boca era muito forte. Para mim, era a coisa mais natural e lógica”, conta a atriz em sua biografia, “Sônia Oiticica, uma atriz rodrigueana?”, escrita por Maria Thereza Vargas para a Coleção Aplauso, da Imprensa Oficial.

 

A tendência à polêmica, aliás, parece ter vindo de família, no caso de Sônia. Ela era filha do professor, dramaturgo, poeta e filólogo anarquista José Rodrigues Leite e Oiticica, que fora preso em várias ocasiões por suas ideias e ações revolucionárias.

 

Sônia e Paulo em “Romeu e Julieta” (Foto: Acervo Cedoc/Funarte)

 

“Alguém já disse que certos papéis deixam marcas irremovíveis. Com Sônia, não podia ser diferente. Marcou-a Julieta, da primeira montagem do Teatro do Estudante, tecida com infinitas doses de lirismo, docilidade e ardor juvenil. Uma surpresa, naqueles tempos de novos rumos a serem tomados pelo teatro brasileiro”, escreveu sua biógrafa.

 

Esse foi o marcante ponto de partida da trajetória artística de Sônia, que atuou em 29 peças teatrais, 7 filmes e 14 novelas, e 12 programas de rádio. Sua “especialidade”, no entanto, era a obra de Nelson Rodrigues: foi interpretando papeis como Zulmira, da peça “A falecida”, e Moema, de “Senhora dos afogados”, que ganhou maior reconhecimento.

 

Com os trabalhos rodrigueanos, também causou certo espanto no público, tendo recebido vaias em várias montagens de textos do autor – reação comum das plateias que assistiam às encenações das arrojadas peças.

 

Sônia morreu em fevereiro de 2007, aos 88 anos, em São Paulo, deixando como legado uma das trajetórias mais brilhantes e ousadas que o teatro brasileiro já registrou.

 

Texto: Felipe Del

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