Pesquisadora Renata Pimentel discute vida e obra de dramaturgo argentino Copi com aprendizes

Publicado em: 26/03/2018

JONAS LÍRIO

Nesta segunda-feira (26), os aprendizes dos cursos regulares de Direção e Dramaturgia da SP Escola de Teatro receberam a pesquisadora Renata Pimentel para uma conversa sobre o dramaturgo argentino Raul Damonte Botana (1939-1987). Mais conhecido como Copi, o artista e seu universo orientam os estudos do módulo verde deste semestre, cujo eixo trata de personagem/conflito.

Renata é autora de “Copi – Transgressão e Escrita Transformista”, tese de doutorado que estuda a obra e a vida do dramaturgo, cujos trabalhos foram marcados pelas transgressões de gênero e sexualidade. “Copi militava sempre por um caminho de abertura. Identidade, para ele, não passava de um processo transitório”, afirma a pesquisadora.

Pouco conhecido no Brasil, o dramaturgo abordava com humor e ironia questões que atravessavam sua própria vida e que são discutidas ainda hoje, como transexualidade e soropositividade. Em seus trabalhos, que foram de peças de teatro a tirinhas em quadrinho, as personagens frequentemente desafiavam as noções clássicas de masculino e feminino. “Com isso, ele conseguia mostrar a ignorância das pessoas para estes temas já naquela época”, explica Renata, que atualmente é professora adjunta na Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE).

O dramaturgo, que se dizia um argentino parisiense, faleceu em 1987 em decorrência de complicações da Aids. Entre seus trabalhos mais conhecidos estão “A Geladeira” e “O homossexual ou a dificuldade de se expressar”, peças montadas apenas recentemente no Brasil. Em 2017, o grupo Teatro Kunyn apresentou “Desmesura”, espetáculo inspirado na vida e obra de Copi que contou com a consultoria dramatúrgica de Renata Pimentel.

CORPOS DESVIANTES

Neste primeiro semestre de 2018, os estudantes dos cursos regulares da SP Escola de Teatro discutem em sala de aula temáticas relacionadas a corpos e identidades que desconstroem os padrões hegemônicos. Questões como gênero, sexualidade e etnias são abordadas em debates, encontros e palestras e servirão de base para os experimentos cênicos, atividades práticas desenvolvidas pelos aprendizes. Em março, os aprendizes assistiram a palestras do líder Yanomami Davi Kopenawa e da escritora e ativista transfeminista Helena Vieira.

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